O projeto de terror ‘perdido’ de Stan Lee que Timur Bekmambetov quer filmar

Descubra os detalhes de ‘Carnival of Killers’, o projeto de terror sci-fi de Stan Lee que Timur Bekmambetov está resgatando. Analisamos como as memórias sombrias da infância de Lee na Grande Depressão moldaram este roteiro inédito e por que ele é a antítese do Universo Marvel.

Quando pensamos em Stan Lee terror, a primeira reação é o estranhamento. O homem que se tornou o rosto sorridente da Marvel, o arquiteto de heróis coloridos e cameos divertidos, parece o oposto absoluto do horror visceral. No entanto, a verdade é que Lee sempre teve um lado mais sombrio — uma faceta criativa que permaneceu invisível por décadas e que agora, nas mãos de Timur Bekmambetov, promete redefinir o que entendemos sobre o legado do autor.

Bekmambetov — o diretor cazaque que injetou adrenalina em ‘Procurado’ (2008) e explorou o fantástico em ‘Guardiões da Noite’ — está determinado a tirar do limbo ‘Carnival of Killers’. O projeto não é apenas um roteiro póstumo; é uma janela para a infância de Lee durante a Grande Depressão e uma desconstrução do conceito de ‘super-humano’.

O encontro fortuito: heróis são apenas ‘fenômenos de circo’?

O encontro fortuito: heróis são apenas 'fenômenos de circo'?

A gênese do interesse de Bekmambetov por este roteiro remete a um encontro na San Diego Comic-Con de 2009. Na época, o diretor promovia a animação ‘9: A Salvação’. Após a exibição, Lee abordou o diretor com uma confissão que mudaria a percepção de Bekmambetov sobre a Marvel.

Segundo o relato do diretor, Lee revelou que a estética sombria e mecânica de ‘9’ o transportou diretamente para os anos 1930. ‘Ele me contou como ficou chocado com os acrobatas, os levantadores de peso e os mágicos durante a Grande Depressão’, recorda Bekmambetov. O insight aqui é profundo: para Lee, os super-heróis nunca foram deuses gregos modernos; eles eram a evolução das ‘atrações’ que ele via nos picadeiros quando era um menino de sete anos. Eles eram os ‘freaks’ que faziam o impossível em um mundo em ruínas.

A trama de ‘Carnival of Killers’: Terror sob a lona

Diferente do otimismo da Era de Prata dos quadrinhos, ‘Carnival of Killers’ mergulha no horror sci-fi. Ambientado na Grande Depressão, o filme foca em um circo que se torna o epicentro de uma invasão alienígena. A sacada narrativa é brilhante: em vez de soldados ou cientistas, os defensores da Terra são os artistas circenses — homens e mulheres cujas habilidades físicas extraordinárias são postas à prova contra uma ameaça que não podem compreender.

Se na Marvel o poder é uma benção ou uma responsabilidade, aqui ele parece ser uma ferramenta de sobrevivência em um cenário de pesadelo. É o reverso da medalha de Stan Lee: o que acontece quando o deslumbramento da infância é substituído pelo medo do desconhecido?

O ‘Lee-Verse’ de horror: Além de um único filme

O 'Lee-Verse' de horror: Além de um único filme

Bekmambetov não quer apenas um filme; ele planeja um universo. Através de sua produtora Bazelevs, o diretor adquiriu os direitos de vários conceitos de terror desenvolvidos pela POW! Entertainment (empresa de Lee). Além de ‘Carnival of Killers’, o pacote inclui:

  • ‘Sawbones’: Um projeto sobre um garoto frágil que é sugado para dentro de uma HQ amaldiçoada.
  • ‘Night of the Witch’: Uma colaboração inusitada entre Lee e Lloyd Kaufman (o lendário fundador da Troma, de ‘The Toxic Avenger’).

O que chama a atenção é a equipe técnica escalada. Para ‘Carnival of Killers’, os roteiristas Kevin Kölsch e Dennis Widmyer (da versão de 2019 de ‘Cemitério Maldito’) foram recrutados. Já ‘Sawbones’ conta com Matt Greenberg (de ‘1408’). Essa escolha sinaliza que Bekmambetov não quer apenas ‘terror de shopping’, mas histórias que carreguem a gravidade psicológica típica das adaptações de Stephen King.

Por que o projeto demorou tanto?

O hiato entre o anúncio e a produção efetiva deve-se à obsessão recente de Bekmambetov pelo formato Screenlife (filmes narrados inteiramente através de telas de computador, como ‘Amizade Desfeita’). O diretor passou anos validando essa linguagem técnica. Contudo, após o lançamento de ‘Pacto Maligno’ (2024), ele parece pronto para retornar ao cinema de grande escala e efeitos práticos.

O maior desafio será o marketing. Como vender um Stan Lee sem o logo da Marvel? A resposta reside na curiosidade biográfica. ‘Carnival of Killers’ não é apenas um filme de monstros; é a peça que faltava no quebra-cabeça de um dos maiores contadores de histórias do século XX. Se Bekmambetov conseguir traduzir essa ‘escuridão original’ para a tela, poderemos finalmente conhecer o verdadeiro Stan Lee — aquele que via o extraordinário não apenas nas estrelas, mas nas sombras de um circo empoeirado.

Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!

Perguntas Frequentes sobre o terror de Stan Lee

O que é o filme ‘Carnival of Killers’?

É um roteiro de terror e ficção científica escrito por Stan Lee antes de sua morte. A trama se passa na Grande Depressão e mostra uma invasão alienígena que ataca um circo itinerante.

Quem vai dirigir o projeto de terror de Stan Lee?

O diretor Timur Bekmambetov (de ‘Procurado’ e ‘Ben-Hur’) adquiriu os direitos e confirmou que já possui um roteiro pronto, pretendendo dirigi-lo em breve.

Stan Lee já escreveu terror antes?

Sim. Antes da explosão dos super-heróis nos anos 60, Lee escreveu centenas de histórias de suspense e horror para a Atlas Comics (que depois se tornaria a Marvel) em títulos como ‘Strange Tales’ e ‘Journey into Mystery’.

O filme faz parte do Universo Cinematográfico Marvel (MCU)?

Não. Este projeto é baseado em propriedades intelectuais da POW! Entertainment, empresa independente de Lee, e não possui nenhuma ligação com os personagens ou histórias da Marvel/Disney.

Mais lidas

Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

Veja também