Netflix encerrou as filmagens de ‘O Problema dos 3 Corpos’ temporada 2 em apenas três meses, indicando uso massivo de virtual production. Analisamos se a adaptação de ‘A Floresta Escura’ com o Projeto Wallfacer pode ocupar o espaço deixado por ‘The Expanse’ no sci-fi de qualidade.
A Netflix confirmou o fim das filmagens de ‘O Problema dos 3 Corpos’ temporada 2 em fevereiro de 2026, encerrando um período de produção de apenas três meses que começou em novembro de 2025. O cronograma relativamente curto para uma série de sci-fi épico sugere uso intensivo de tecnologia virtual production — similar ao que vimos em ‘The Mandalorian’ — para criar as naves interstelares e ambientes extraterrestres sem depender exclusivamente de locações físicas. Para quem acompanha o sci-fi televisivo com atenção, essa notícia chega em um momento crucial: faz mais de cinco anos desde que ‘The Expanse’ encerrou sua jornada na Prime Video, e desde então nenhuma série conseguiu ocupar aquele espaço específico onde a ficção científica dura encontra o drama político de qualidade inquestionável.
O calendário aponta para um lançamento no final de 2026, o que faz sentido considerando a carga pesada de efeitos visuais que a produção exige — especialmente para visualizar os sophons (partículas inteligentes que espionam a humanidade) e a frota trisolarana em aproximação. Ano que vem promete ser denso para fãs do gênero, com ‘Silo’, ‘Neuromancer’ e a segunda temporada de ‘Dark Matter’ também previstos. Mas entre todas essas apostas, ‘O Problema dos 3 Corpos’ carrega uma responsabilidade diferente: provar que o streaming pode financiar sci-fi ambicioso que respeite a inteligência do espectador sem abrir mão do espetáculo visual.
Por que ‘The Expanse’ ainda é o fantasma que assombra o gênero
Antes de projetar expectativas sobre a segunda temporada, preciso ser honesto sobre o patamar que estamos discutindo. ‘The Expanse’ não era apenas uma série de naves espaciais; era um manual de como balancear mecânica orbital com conflitos geopolíticos sem nunca tratar o público como ignorante. A forma como a série da Prime Video abordava a gravidade zero, a radiação no cinturão de asteroides e a física newtoniana como elementos narrativos — e não apenas cenários — criou um padrão de realismo científico que poucas produções ousam encarar.
Eu reassisti a primeira temporada de ‘O Problema dos 3 Corpos’ antes de escrever isto, e confesso: enquanto a série tem momentos genuinamente perturbadores — aquela cena do capacete de realidade virtual que dissolve a face do usuário ainda me dá arrepios —, ela ainda não alcançou a densidade política e científica de ‘The Expanse’. A primeira leva de oito episódios focou demais no mistério inicial e na ameaça iminente dos San-Ti (Trisolaranos), mas segurou munição demais para os arcos futuros. Isso é compreensível — o primeiro livro de Liu Cixin é essencialmente um thriller de invasão alienígena disfarçado de física teórica — mas deixa a série numa posição de promessa não cumprida até que a escala realmente exploda.
O que muda na segunda temporada: de ‘O Problema dos 3 Corpos’ para ‘A Floresta Escura’
Aqui reside o potencial real da série se tornar algo especial. A segunda temporada adapta ‘A Floresta Escura’, considerado por fãs o melhor livro da trilogia, e mergulha de cabeça na chegada da frota invasora e nas respostas desesperadas da humanidade. Vamos ver o Conselho de Defesa Planetária em ação e, mais importante, o início do Projeto Wallfacer — uma das premissas mais fascinantes de toda a obra: quatro indivíduos recebem recursos ilimitados para desenvolver estratégias de defesa contra uma civilização que espiona constantemente todos os pensamentos humanos, exceto os que estão escondidos no subconscípio.
Benedict Wong retorna como o detetive Da Shi, agora com um papel expandido na coordenação da segurança dos Wallfacers, enquanto Eiza González continua como Augustina Salazar, provavelmente envolvida nas operações científicas de contra-ataque. A adaptação deste livro exige escala cósmica — veremos a construção de naves de propulsão nuclear e a sociedade humana se reorganizando sob a ameaça constante.
É nesse ponto que a comparação com ‘The Expanse’ começa a fazer sentido além do marketing. Assim como a Protomolécula na série da Prime Video representava uma ameaça lovecraftiana — algo tão além da compreensão humana que desafiava nossa posição no cosmos —, os San-Ti de Liu Cixin operam nesse mesmo registro de horror cósmico. A diferença é que ‘O Problema dos 3 Corpos’ vai além: explora as implicações sociológicas de saber que uma invasão está a caminho e levará quatro séculos para acontecer. Como você mantém a civilização unida quando o inimigo só chegará depois que todos os atuais líderes estiverem mortos?
O desafio dos criadores de ‘Game of Thrones’ em território desconhecido
David Benioff e D.B. Weiss sabem construir mundos complexos — isso ficou provado nos primeiros anos de ‘Game of Thrones’. Mas eles também demonstraram fragilidade quando a pressão aumenta, como vimos no final apressado da série da HBO. Com ‘O Problema dos 3 Corpos’, enfrentam um desafio diferente: adaptar ‘A Floresta Escura’, que abandona em grande parte a estrutura policial do primeiro livro para se tornar uma meditação sobre o paradoxo da escuridão do universo e a lógica destrutiva da sobrevivência cósmica.
Adaptar isso para televisão sem perder o público casual é um ato de equilíbrio perigoso. A primeira temporada mostrou que a Netflix não tem medo de ser densa — aquelas cenas no jogo VR explicando o problema dos três corpos através de eras dinásticas foram arriscadas e funcionaram —, mas a segunda precisa manter esse ritmo enquanto expande a escala para a órbita terrestre e além. A velocidade das filmagens (três meses contra seis ou nove de outras séries do gênero) pode indicar tanto eficiência técnica quante possíveis cortes de enredo. Ficaremos de olho.
2026 pode finalmente preencher o vácuo deixado por ‘The Expanse’?
Consumindo sci-fi obsessivamente nos últimos doze anos, aprendi que nenhuma série substitui outra — elas apenas ocupam territórios adjacentes. ‘O Problema dos 3 Corpos’ temporada 2 não será ‘The Expanse’ porque não precisa ser. Onde a série da Prime Video brilhava na geopolítica do sistema solar e no realismo de sua física, a produção da Netflix pode brilhar na escala temporal e nas implicações existenciais de viver em um universo hostil.
O fim das filmagens em fevereiro significa que temos meses de pós-produção pela frente — e em uma série onde os sophons e as naves interstelares precisam parecer convincentes, cada semana de renderização conta. Se a Netflix der tempo e orçamento suficientes para que os efeitos matchiem com as ambições filosóficas do roteiro, podemos estar diante de algo raro: sci-fi mainstream que não subestima seu público.
Minha aposta? ‘O Problema dos 3 Corpos’ não vai “substituir” ‘The Expanse’ — vai complementá-la. Se a segunda temporada entregar o Projeto Wallfacer com a tensão psicológica que o material original exige, e se mantiver o respeito pela ciência dura que caracterizou a primeira leva, teremos finalmente outra série para indicar quando alguém perguntar “tem algo tão bom quanto ‘The Expanse’?”. A resposta, espero, será um sim cauteloso, mas genuíno. E você, está apostando fichas nos San-Ti ou acha que a Netflix vai errar a mira?
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Perguntas Frequentes sobre ‘O Problema dos 3 Corpos’ Temporada 2
Quando estreia a temporada 2 de ‘O Problema dos 3 Corpos’ na Netflix?
As filmagens encerraram em fevereiro de 2026, e o lançamento está previsto para o final de 2026, provavelmente entre outubro e dezembro, considerando o longo período de pós-produção e efeitos visuais necessários.
Quantos episódios terá a segunda temporada?
A Netflix ainda não confirmou oficialmente, mas deve manter a estrutura de 8 episódios como na primeira temporada, padrão comum para produções épicas da plataforma.
Qual livro da trilogia a temporada 2 adapta?
A segunda temporada adapta ‘A Floresta Escura’ (The Dark Forest), segundo livro da trilogia de Liu Cixin. Esta parte da história abandona o tom policial do primeiro livro para explorar o Projeto Wallfacer e o paradoxo da escuridão cósmica.
Quem retorna no elenco da temporada 2?
Benedict Wong retorna como o detetive Da Shi (Shi Qiang) com papel expandido, e Eiza González continua como Augustina Salazar. A segunda temporada introduz novos personagens centrais relacionados ao Projeto Wallfacer, embora nomes específicos de novos atores ainda não tenham sido divulgados oficialmente.
O que é o Projeto Wallfacer mencionado na segunda temporada?
O Projeto Wallfacer é a estratégia de defesa humana contra os Trisolaranos (San-Ti). Quatro indivíduos recebem recursos ilimitados para desenvolver planos secretos de contra-ataque. Como os alienígenas espionam todas as comunicações humanas exceto o pensamento individual, apenas planos mantidos exclusivamente na mente de uma pessoa permanecem secretos.
Preciso ter lido os livros para entender a temporada 2?
Não é necessário, mas recomenda-se reassistir à primeira temporada antes da estreia. A segunda temporada introduz conceitos mais complexos de física e sociologia cósmica que exigem atenção total, sendo considerada por fãs a parte mais densa da trilogia.

