‘O Primata’: Entenda o final e quem sobrevive ao massacre de Ben

Em ‘O Primata’, o final explicado revela que a sobrevivência não foi sorte, mas estratégia familiar. Analisamos como a infecção por raiva transformou Ben em uma máquina de matar e por que o isolamento foi a sentença de morte para a maioria dos personagens neste thriller brutal de Chris McKay.

Vou ser direto: buscar por ‘O Primata’ final explicado não é apenas uma questão de entender a cronologia dos fatos — o roteiro é linear. A verdadeira questão é entender a lógica narrativa de Chris McKay: por que o filme escolhe dizimar quase todo o elenco de formas tão viscerais e preservar apenas um núcleo específico? A resposta não está na patologia do chimpanzé Ben, mas na tese do filme sobre o colapso das estruturas familiares.

O terror aqui funciona porque McKay (que traz a escala de ‘The Tomorrow War’ para um ambiente claustrofóbico) entende que a violência só dói quando nos importamos com o alvo. ‘O Primata’ é, essencialmente, um estudo sobre o isolamento físico e emocional, onde o preço da desconexão é pago em sangue.

A ciência do surto: Por que Ben enlouquece

A ciência do surto: Por que Ben enlouquece

A explicação para a fúria de Ben é desprovida de misticismo: raiva. Um mangusto infectado ataca o chimpanzé no início do filme. Embora Ben vença a luta, a mordida sela seu destino. O vírus corrói a parte frontal do cérebro do animal, eliminando anos de domesticação e treinamento em linguagem de sinais.

O detalhe técnico que eleva a trama é o contexto geográfico. Como a raiva é virtualmente inexistente no Havaí, a presença de um animal infectado sugere uma falha de biossegurança ou uma ameaça ambiental maior que o filme deixa pairando. Ben não é um monstro; ele é uma vítima biológica, o que torna o ato de Lucy e Erin terem que combatê-lo muito mais trágico. Ele era o último elo vivo com a mãe falecida das protagonistas.

Anatomia do massacre: Quem morre e por quê

De nove personagens, apenas três sobrevivem. McKay não economiza no gore prático, estabelecendo o tom já na primeira morte, onde o veterinário local tem o rosto arrancado. A sequência da piscina é o ponto alto do design de som e montagem: o uso da água como barreira natural contra um animal que não sabe nadar cria uma tensão insuportável.

  • Nick e Kate: Morrem por tentativas isoladas de heroísmo. Nick é arrastado para o penhasco e Kate tem o crânio esmagado com uma pedra — uma demonstração da força bruta bruta do primata.
  • Hannah: Quase escapa, mas sua morte é a mais simbólica. Ela entra no carro errado por estar em pânico e sozinha. Sem ninguém para orientá-la, ela acaba despedaçada no banco de trás.
  • Drew e Brad: Os invasores oportunistas têm as mortes mais gráficas. A cena em que Drew tem a mandíbula removida é um lembrete de que, para Ben, os humanos perderam o status de ‘família’ e viraram apenas presas.

Sobrevivência por design: A união de Lucy, Erin e Adam

Sobrevivência por design: A união de Lucy, Erin e Adam

Não é coincidência que os únicos sobreviventes sejam Lucy, Erin e o pai, Adam. O filme pune severamente quem tenta agir sozinho. A sobrevivência do trio é um prêmio pela reconexão forçada. Lucy, que começou o filme distante da irmã, arrisca a jugular para protegê-la. Erin, mesmo ferida e infectada (um gancho sombrio para o futuro), usa o conhecimento que tinha de Ben para criar a distração final.

A morte de Ben não é um momento de triunfo ‘blockbuster’. É um assassinato coletivo e desesperado. Os três precisam empalar o animal em uma estrutura de metal para interromper o ataque. O filme termina com uma imagem honesta: eles não estão celebrando; estão em choque, severamente feridos e irremediavelmente mudados.

Veredito: Vale a pena assistir?

Para entusiastas de natural horror como ‘Cujo’ ou ‘Crawl’, ‘O Primata’ é obrigatório. O diferencial aqui é a direção de Chris McKay, que evita os sustos baratos (jump scares) em favor de uma pressão atmosférica constante. O design do chimpanzé evita o ‘vale da estranheza’ (uncanny valley) ao focar em efeitos práticos e uma captura de movimento que prioriza o peso e a letalidade física.

É um filme cruel, que não faz concessões e utiliza a brutalidade para ilustrar uma lição pragmática: quando a natureza decide revidar, suas chances de sobrevivência são proporcionais aos laços que você mantém. Se você busca um horror com substância e não tem estômago fraco, este é o melhor do gênero na temporada.

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Perguntas Frequentes sobre ‘O Primata’

Onde posso assistir ao filme ‘O Primata’?

O filme está disponível nos cinemas e em plataformas de aluguel digital (VOD). Verifique a disponibilidade no catálogo da Prime Video ou Apple TV+ dependendo da sua região.

O chimpanzé Ben morre no final de ‘O Primata’?

Sim. Após um confronto exaustivo na piscina, Ben é empalado por Lucy, Erin e Adam. O filme deixa claro que não havia possibilidade de cura para o estado avançado de raiva do animal.

‘O Primata’ é baseado em uma história real?

Não, a trama é fictícia. No entanto, o filme se inspira em incidentes reais de ataques de chimpanzés domesticados e na biologia real do vírus da raiva, embora a rapidez da infecção seja dramatizada para o cinema.

Existe uma cena pós-créditos em ‘O Primata’?

Não há cenas pós-créditos, mas o áudio final sobre os logotipos sugere que outros animais na ilha podem ter sido infectados, deixando a porta aberta para uma sequência.

Erin sobrevive à mordida de Ben?

Erin sobrevive ao massacre, mas como foi mordida por um animal raivoso, seu destino imediato depende de tratamento médico urgente (vacina antirrábica e soro), o que o filme deixa implícito que ela receberá ao ser resgatada.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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