Analisamos como ‘O Poder e a Lei temporada 4’ inverte a dinâmica da série ao transformar o advogado Mickey Haller em réu, mantendo a qualidade que elevou a produção de 80% a 100% no Rotten Tomatoes. A evolução de Manuel Garcia-Rulfo justifica maratona imediata.
Há uma regra não escrita no streaming que todo crítico conhece: a segunda temporada raramente supera a primeira. E a terceira? Quase sempre enterra o que sobrou. Mas ‘O Poder e a Lei temporada 4’ chegou à Netflix em 5 de fevereiro de 2026 para provar que algumas séries simplesmente não obedecem à gravidade. Enquanto a maioria dos thrillers judiciais desgasta seus personagens e repete fórmulas até a exaustão, esta adaptação de Michael Connelly faz o caminho inverso — e os números comprovam: subiu de 80% no Rotten Tomatoes na estreia para 91% na segunda temporada, alcançando o raro 100% na terceira. A quarta entrega mantém esse padrão excepcional, com a crítica já indicando que a nota máxima não foi acidente.
O que torna essa evolução impressionante é o contexto. Estamos em 2026, ano de retornos massivos do gênero thriller na Netflix — ‘O Agente Noturno’ volta em fevereiro, ‘Treta’ e ‘A Diplomata’ também prometem novos capítulos. Mas nenhuma delas carrega o peso específico de ‘O Poder e a Lei’, que agora ocupa o terceiro lugar no ranking de audiência da plataforma, atrás apenas do estreante ‘Unfamiliar’ e do fenômeno ‘Bridgerton’. Mickey Haller não apenas resistiu ao tempo; ele se reinventou.
De advogado de estrada a réu: como O Poder e a Lei temporada 4 eleva as apostas
Quando conhecemos Mickey Haller em 2022, ele era um advogado criminalista em recuperação de vícios, herdando casos de um colega morto e tentando reconstruir a carreira dentro de seu Lincoln Navigator — o escritório sobre rodas que virou marca registrada da série. A premissa tinha charme noir particular, mas também limites claros de escala. Quatro anos depois, a quarta temporada inverte completamente a dinâmica: agora é Mickey quem precisa provar sua inocência, investigando a morte de Sam Scales enquanto luta literalmente pela própria liberdade.
Essa mudança não é apenas narrativa — é estrutural. A série sempre soube usar o formato binge da Netflix a seu favor, criando cliffhangers que funcionam como ganchos emocionais perfeitos para maratonas. Mas onde as primeiras temporadas dependiam do ritmo procedural (caso do episódio, resolução, próximo cliente), a quarta mergulha em um arco contínuo de tensão existencial. Há uma cena específica no terceiro episódio, quando Mickey olha por cima do ombro sorrindo — aparentemente confiante — mas a câmera deixa claro que ele está encurralado. É um momento que resume a temporada: a fachada do advogado astuto escondendo o desespero do homem acuado.
A engenharia dos 100%: por que a crítica se rendeu
Subir de 80% para 100% no Rotten Tomatoes em quatro anos não é sorte. É resultado de disciplina criativa. A série encontrou sua fórmula na interseção entre dois elementos raramente equilibrados no mainstream: o procedural judicial clássico (que exige lógica, ritmo e reviravoltas) e o drama de personagem (que exige profundidade psicológica).
Manuel Garcia-Rulfo alcançou em 2026 uma maturidade interpretativa que justifica cada minuto investido. Nos primeiros anos, seu Mickey era carismático mas às vezes unidimensional — o herói torto que sempre tem um truque na manga. Na quarta temporada, ele carrega uma fadiga nos ombros que nenhum roteiro precisa explicar. Você vê nos olhos dele o peso de quatro temporadas de escolhas questionáveis, de clientes perdidos, de noites sem dormir. Quando ele está preso — e boa parte da trama se passa com Mickey atrás das grades ou sob vigilância — a série usa isso não como obstáculo, mas como laboratório. Sem o Lincoln para se esconder, sem os trajes de tribunal para performar, resta apenas o homem.
Tecnicamente, a direção também evoluiu. As cenas no sistema prisional usam uma paleta de cores desaturada, quase cinza-clínico, que contrasta violentamente com o âmbar quente dos flashbacks de Los Angeles à noite — a cidade que Mickey ama e que agora o rejeita. A fotografia de pequeno formato (série TV) aqui adota linguagem de cinema: planos fechados que captam micro-expressões, iluminação natural que evita o glamour artificial dos procedurais tradicionais. É televisão que entende que a tela pequena exige detalhes íntimos, não apenas espetáculo.
O paradoxo do thriller judicial na era do binge
Há algo ironicamente perfeito em ‘O Poder e a Lei’ ter florescido na Netflix. O formato binge, tantas vezes criticado por diluir tensão (afinal, você pode clicar “próximo” imediatamente), aqui funciona como extensão da claustrofobia narrativa. Quando Mickey está preso, você também não consegue parar de assistir — não por vício algorítmico, mas porque a identificação com sua urgência é completa. Você quer a resposta para o mistério de Sam Scales com a mesma intensidade com que ele precisa dela para sobreviver.
Comparativamente, outros retornos de 2026 como ‘O Agente Noturno’ (que estreia dia 19 de fevereiro) optam pela escala geopolítica e ação constante. ‘O Poder e a Lei’ aposta no oposto: restringe o espaço físico de seu protagonista para expandir sua dimensão psicológica. É uma aposta ousada para uma quarta temporada, quando séries normalmente buscam “mais” — mais personagens, mais locações, mais conspirações. Aqui, a restrição de escopo amplifica o impacto emocional.
A nota da audiência e o que ela revela
Curiosamente, enquanto a crítica ainda consolida sua pontuação oficial para a quarta temporada, a audiência já votou: 83% de aprovação no Rotten Tomatoes. Esse número é revelador. É menor que o 100% dos críticos na terceira temporada, mas mais alto que o início da série. Sugere que ‘O Poder e a Lei’ encontrou seu público fiel — espectadores que não estão aqui por surpresas baratas ou reviravoltas forçadas, mas por uma evolução honesta de um personagem que envelheceu conosco.
Essa base de fãs dedicada explica por que a série resistiu ao algoritmo assassino da Netflix, que cancela produções após duas ou três temporadas sem piscar. Mickey Haller se tornou raro exemplo de protagonista que não precisa ser “likeable” (afinal, ele defende criminosos, manipula o sistema e tem um relacionamento problemático com a verdade), mas é inegavelmente fascinante. Na quarta temporada, essa fascinação atinge seu ápice: pela primeira vez, não temos certeza se ele é inocente.
Veredito: a série que merecia existir em 2026
Se você ainda não começou ‘O Poder e a Lei’, a quarta temporada é um ponto de entrada ideal para maratonar desde o início — não apenas porque a história se conecta, mas porque ver a evolução artística é parte da experiência. Se você é fã de longa data, saiba: desta vez, não há Lincoln para salvar Mickey. Ele precisa se salvar sozinho, e a série confia que Garcia-Rulfo tem a complexidade necessária para carregar esse peso.
Para quem curte thrillers judiciais densos, onde a tensão vem de diálogos em salas de interrogatório e não de perseguições de carro, ‘O Poder e a Lei temporada 4’ é essencial. Se você prefere ação desenfreada, talvez fique inquieto com os episódios mais contemplativos. Mas saiba: essa inquietação é proposital. Assim como Mickey, você está preso nesta história até o veredito final. E, pela primeira vez em anos, não consigo prever qual será esse veredito — nem da série, nem do personagem.
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Perguntas Frequentes sobre ‘O Poder e a Lei’ Temporada 4
Quando estreou a 4ª temporada de ‘O Poder e a Lei’ na Netflix?
A quarta temporada estreou exclusivamente na Netflix em 5 de fevereiro de 2026, com todos os episódios disponíveis para binge imediato.
Quantos episódios tem ‘O Poder e a Lei’ temporada 4?
A temporada 4 contém 10 episódios, seguindo o padrão das temporadas anteriores da série.
Preciso assistir as temporadas anteriores para entender a 4ª?
Recomendado. Embora a trama do assassinato de Sam Scales seja nova, o arco emocional de Mickey Haller depende do desenvolvimento das três temporadas anteriores, especialmente suas relações com Maggie e Cisco.
A 4ª temporada tem nota 100% no Rotten Tomatoes como a 3ª?
A terceira temporada alcançou 100% de aprovação da crítica. A quarta temporada ainda está sendo avaliada pela crítica especializada, mas já mantém 83% de aprovação do público, indicando que mantém o padrão de qualidade.
Em qual livro de Michael Connelly a 4ª temporada se baseia?
A quarta temporada adapta “O Direito” (The Law, 2011), quarto livro da série Mickey Haller. Na obra original, Mickey também investiga a morte de Sam Scales enquanto lida com acusações criminais contra si mesmo.
Onde foi filmada ‘O Poder e a Lei’ temporada 4?
As locações continuam em Los Angeles, Califórnia, com cenas específicas desta temporada filmadas em locais reais do sistema prisional da região, diferente dos escritórios e tribunais das temporadas anteriores.

