O O Poder e a Lei temporada 4 final abandona o gancho do “próximo caso” pela primeira vez e troca fórmula por impacto emocional. Explicamos como pandemia e a chegada de Alison redefinem a série — e por que essa quebra fortalece a 5ª temporada.
Três temporadas seguidas seguindo a mesma receita. Eis que chega a quarta e, de repente, o roteiro muda de marcha. O O Poder e a Lei temporada 4 final faz algo que a série, até aqui, tratava quase como obrigação: termina sem aquela cena “prólogo” que já entregava o próximo caso de Mickey Haller. Para quem acompanha desde 2022, dá a impressão de que faltou uma peça no episódio. Só que a ausência é a mensagem — e é aí que a série cresce.
A quarta temporada adapta The Law of Innocence, de Michael Connelly, e inverte o prazer básico do procedural: o advogado que costuma organizar o caos dos outros agora precisa provar a própria inocência. A temporada toda é desenhada como um thriller jurídico de sobrevivência — estratégia, desgaste, paranoia. E quando a história enfim fecha (Mickey absolvido, o cartel contido, a família reunida), a série decide não imediatamente “vender” o próximo mistério. Ela prefere encerrar um trauma.
A regra silenciosa da série: todo final vinha com um novo caso
Até aqui, ‘O Poder e a Lei’ usava uma arquitetura repetida com eficiência: a temporada se resolvia e, no último minuto, vinha o gancho processual que funcionava como promessa de maratona. Na 1ª temporada, o “homem da tatuagem” plantava o motor do ano seguinte; na 2ª, a morte de Glory Days reorganizava as prioridades de Mickey; na 3ª, o corpo de Sam Scales e a prisão do protagonista já eram, na prática, o primeiro capítulo da 4ª.
Isso não era só vício de cliffhanger. Era uma estratégia de identidade: a série se vendia como uma máquina de casos — sempre um tribunal à vista, sempre um novo problema batendo no Lincoln. O espectador terminava satisfeito e, ao mesmo tempo, já “devendo” a próxima temporada.
Só que no 6º episódio da 4ª temporada, a engrenagem para. Não aparece cliente misterioso. Não entra um cadáver novo na história. Em vez disso, entram duas coisas que não cabem nessa fórmula: o início da pandemia de COVID-19 e a revelação de uma irmã que Mickey nem sabia que existia.
Por que o final da 4ª temporada precisava abandonar a fórmula (sem trair a série)
O truque aqui é menos “ousadia” e mais leitura de contexto. The Law of Innocence encosta no começo de 2020 — e a série escolhe não fingir que nada aconteceu no mundo real. Quando o episódio aponta para lockdown, isolamento e medo difuso, ele está dizendo: o próximo arco não pode ser só “mais um caso”. Existe uma pausa histórica e emocional que muda o jeito de contar história.
Se a equipe mantivesse a tradição de setupar o próximo processo ali, teria duas perdas: (1) diluiria o fechamento do arco de inocência/culpa da temporada e (2) bagunçaria o encaixe com o livro seguinte (Resurrection Walk), que exige outro tipo de ponto de partida. Mais importante: roubariam de Mickey uma coisa rara na série — um segundo de alívio que não é imediatamente sequestrado por uma nova urgência.
Repare como o episódio trabalha essa ideia com linguagem, não só com enredo: ao trocar a “promessa de ação” pelo clima de cidade esvaziada e pelo recolhimento, a série usa o silêncio como resolução. Los Angeles desacelera. E, por tabela, Mickey também. Num procedural, isso é quase uma heresia — e exatamente por isso funciona.
Uma cena não precisa trazer um crime para ser gancho: a chegada de Alison
O finale não termina “sem gancho”. Ele só troca o tipo de gancho. Em vez de um caso, ele apresenta uma pessoa: Alison, interpretada por Cobie Smulders, a irmã desconhecida de Mickey, que aparece quando a cidade entra em suspensão.
É uma escolha mais inteligente do que um cadáver novo porque ataca um ponto que a série vinha tangenciando: Mickey sempre parece cercado (clientes, promotores, juízes, ex-esposas, a equipe do escritório), mas emocionalmente opera como alguém isolado — um profissional que se define pelo próximo movimento. Alison muda o tabuleiro porque não é “problema jurídico”; é biografia. E biografia, diferente de caso, não se encerra em seis episódios.
Smulders já adiantou à imprensa que a 5ª temporada terá um componente “de família”, e Ted Humphrey indicou que Alison funciona como ponte para o próximo grande caso. A implicação é clara: o conflito não cai no colo do Mickey por acaso ou destino; ele nasce de vínculo. Isso desloca a série de um procedural com motor externo (um crime aparece) para um drama que gera motor interno (a vida do protagonista produz consequências).
E aí muda também a pergunta dramática. Não é mais só “ele vence no tribunal?”. É “o que acontece com Mickey quando o tribunal deixa de ser a única forma de ele existir?”. A 4ª temporada termina abrindo espaço para que a resposta venha — sem pressa.
O veredito: a quebra de padrão fortalece a série (e expõe um risco real)
Funciona porque dá ao público algo que a estrutura antiga não permitia: sensação de fim. Depois de uma temporada sobre reputação, paranoia e sobrevivência, “emendar” um novo caso poderia soar como automação. Ao parar, a série reconhece que a vitória de Mickey não é um gancho — é uma cicatriz que precisa ser vista.
Mas existe risco: se a 5ª temporada trocar processo por melodrama sem a mesma precisão de escrita, a série perde a identidade. O ideal é o equilíbrio: caso forte, sim, porém filtrado por esse novo eixo familiar. Se acertar, ‘O Poder e a Lei’ sai do piloto automático e entra num território mais ambicioso — onde o jurídico é estrutura e o personagem é tema.
No fim, a quebra no O Poder e a Lei temporada 4 final não parece preguiça nem “episódio faltando”. Parece decisão editorial: a série escolheu fechar uma porta antes de abrir outra. O próximo caso virá — mas, pela primeira vez, a promessa não é o crime. É o impacto que a vida privada finalmente vai ter sobre o homem que vive de argumentar em público.
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Perguntas Frequentes sobre ‘O Poder e a Lei’ (4ª temporada)
A 4ª temporada de ‘O Poder e a Lei’ termina com cliffhanger?
Não no formato tradicional de “novo caso”. O final fecha o arco do julgamento de Mickey e deixa como gancho principal a chegada de Alison (a irmã dele) e o cenário do início da pandemia.
Quem é Alison em ‘O Poder e a Lei’?
Alison é a irmã desconhecida de Mickey Haller, apresentada no fim da 4ª temporada e interpretada por Cobie Smulders. A personagem é desenhada como peça central para conectar o protagonista ao próximo grande caso.
A 4ª temporada de ‘O Poder e a Lei’ adapta qual livro?
A temporada adapta principalmente The Law of Innocence, de Michael Connelly, em que Mickey é acusado do assassinato de Sam Scales e precisa se defender.
A pandemia de COVID-19 é importante para a história da série?
Sim. A série usa o início do lockdown como virada de tom e de estrutura: em vez de emendar imediatamente outro caso, o final cria uma pausa narrativa que reposiciona o Mickey fora do “modo tribunal” e prepara a mudança de foco para a 5ª temporada.
Quando estreia a 5ª temporada de ‘O Poder e a Lei’?
Até 10/02/2026, a Netflix ainda não confirmou uma data oficial de estreia para a 5ª temporada. O mais seguro é acompanhar os canais da plataforma e as entrevistas da equipe conforme a produção avançar.

