Analisamos os planos do showrunner Ted Humphrey para expandir ‘O Poder e a Lei’ com prequels e séries derivadas. Entenda como a guerra de direitos entre Netflix e Amazon por Michael Connelly está forçando a criação de um novo universo jurídico focado em Legal Siegel e Cisco.
Quem acompanha o Cinepoca sabe que eu mantenho uma relação de ‘amor e pragmatismo’ com dramas de tribunal. O gênero frequentemente se perde em fórmulas processuais exaustivas, mas quando acerta o tom — como em ‘O Poder e a Lei’ (The Lincoln Lawyer) — torna-se viciante. O carisma de Manuel Garcia-Rulfo deu à Netflix o que o filme de 2011 com Matthew McConaughey não conseguiu sustentar: longevidade. Agora, o showrunner Ted Humphrey confirmou que os planos para um O Poder e a Lei spinoff deixaram de ser especulação para se tornarem estratégia de expansão.
A ‘Guerra Fria’ dos direitos: Por que a Netflix precisa de um spinoff
Para o espectador casual, a ausência de Harry Bosch na série da Netflix é apenas uma escolha de elenco. Para quem analisa a indústria, é um nó contratual fascinante. Nos livros de Michael Connelly, Mickey Haller e Harry Bosch são meio-irmãos que cruzam caminhos constantemente. No entanto, os direitos de Bosch pertencem à Amazon (com ‘Bosch: Legacy’ e o futuro ‘Ballard’), enquanto Haller é o trunfo da Netflix.
A confirmação de um O Poder e a Lei spinoff é a resposta direta da Netflix à ‘franquialização’ que a Amazon está operando com o universo de Connelly. Enquanto a concorrente já produz a prequela ‘Bosch: Desert Star’, a Netflix busca seu próprio ‘universo compartilhado’. Humphrey foi enfático: o material de origem é vasto demais para uma única linha temporal. A ideia não é apenas criar mais conteúdo, mas proteger o território contra o avanço da Prime Video no gênero crime thriller.
Legal Siegel e a gênese da advocacia em Los Angeles
Dentre as possibilidades ventiladas por Humphrey, a mais instigante é uma prequela focada em Legal Siegel (vivido pelo lendário Elliott Gould) e Mickey Haller Sr. Na série atual, Siegel funciona como o oráculo moral de Mickey, mas há décadas de história não contada na ‘cozinha’ do sistema judiciário de Los Angeles nos anos 70 e 80.
Visualmente, isso permitiria à série abraçar uma estética noir ensolarada, explorando como a ética flexível de Mickey foi moldada por dois titãs que operavam em uma LA muito mais crua e corrupta. Ver Gould (ou uma versão jovem do personagem) navegando pelos tribunais pré-digitais traria uma textura de ‘Mad Men’ jurídico que elevaria o patamar da franquia.
Cisco e os Road Saints: O flerte com o gênero de gangues
Outro caminho discutido envolve Dennis ‘Cisco’ Wojciechowski. O personagem, interpretado por Angus Sampson, é frequentemente reduzido ao alívio cômico ou ao suporte técnico, mas seu passado nos Road Saints é um campo minado narrativo inexplorado. Humphrey sugeriu que mergulhar na transição de um membro de gangue para um investigador de elite seria o ‘ponto de ruptura’ ideal para uma série derivada.
Seria uma mudança drástica de tom — trocando o brilho dos mármores do tribunal pela poeira das estradas e o couro das jaquetas. Para a Netflix, é a oportunidade de capturar o público órfão de ‘Sons of Anarchy’ dentro do selo ‘O Poder e a Lei’.
Por que a 4ª temporada é o ‘tudo ou nada’ para a franquia
Apesar do otimismo produtivo, o sinal verde para qualquer prequela depende da performance da 4ª temporada, prevista para fevereiro de 2026. A Netflix raramente investe em expansões sem números de retenção que justifiquem o risco. No entanto, ‘O Poder e a Lei’ provou ter o que chamamos de ‘pernas longas’: uma audiência fiel que consome o conteúdo de forma constante, não apenas no fim de semana de estreia.
Minha análise é clara: a série sobreviveu à sombra do cinema e construiu uma identidade própria. Se a Netflix tiver a coragem de explorar o passado de Siegel ou a brutalidade de Cisco, ela não estará apenas produzindo um procedural, mas consolidando o legado de Michael Connelly para uma nova geração que prefere o streaming às prateleiras das livrarias.
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Perguntas Frequentes sobre o Spinoff de ‘O Poder e a Lei’
Haverá um crossover entre ‘O Poder e a Lei’ e ‘Bosch’?
Infelizmente, não. Embora sejam irmãos nos livros, os direitos de Harry Bosch pertencem à Amazon (Prime Video) e os de Mickey Haller à Netflix, o que impede um crossover oficial entre as séries no momento.
Qual será o tema do spinoff de ‘O Poder e a Lei’?
O showrunner Ted Humphrey mencionou duas ideias principais: uma prequela focada na juventude de Legal Siegel e Mickey Haller Sr. na Los Angeles dos anos 70, e uma série focada no passado de Cisco com a gangue Road Saints.
Quando estreia a 4ª temporada de ‘O Poder e a Lei’?
A 4ª temporada tem previsão de estreia para o primeiro trimestre de 2026 na Netflix, adaptando o livro ‘A Lei da Inocência’ (The Law of Innocence) de Michael Connelly.
O spinoff já foi oficialmente confirmado pela Netflix?
Ainda não. Os planos estão em fase de desenvolvimento criativo pelo showrunner, mas a produção depende do sucesso contínuo da série principal e da aprovação final da Netflix.

