O motivo de Dunk vencer o Julgamento dos Sete explica todo ‘Game of Thrones’

A vitória de Dunk no Julgamento dos Sete não foi acidente — foi o primeiro elo de uma cadeia que salva Westeros. Analisamos como a sobrevivência do cavaleiro errante em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ torna possível a existência de Rhaegar e, consequentemente, de Jon Snow.

Quando um príncipe herdeiro morre acidentalmente defendendo um cavaleiro errante, algo parece dar errado. O final de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ deixou Dunk com uma pergunta que assombra: por que os deuses pouparam suas mãos e pés, mas levaram Baelor Targaryen, herdeiro do trono de Westeros? A resposta que ele próprio esboça — quase envergonhado — é a chave para entender todo o universo de George R.R. Martin. E sim, isso inclui Jon Snow.

A lógica do Dunk Julgamento dos Sete parece quebrada à primeira vista. O ritual transfere um julgamento para as mãos dos deuses — qualquer desfecho é, teoricamente, vontade divina. Dunk enfrentaria a amputação de mão e pé por atacar o Príncipe Aerion. Em vez disso, ele sai ileso enquanto Baelor Targaryen, o herdeiro aparente do trono, toma uma maçada acidental do próprio irmão Maekar. Um homem comum preserva seus membros; um futuro rei perde a vida. Os deuses cometeram um erro de cálculo?

A teoria humilde que Dunk não sabia ser correta

A teoria humilde que Dunk não sabia ser correta

Quando Dunk confronta Maekar sobre o paradoxo moral do julgamento, ele oferece uma explicação quase tímida: talvez os deuses tivessem um plano para sua mão e pé. Talvez Westeros precisasse daquele cavaleiro errante para algo maior. É um pensamento consolador diante da tragédia — mas Martin construiu décadas de lore para provar que Dunk estava certíssimo.

O conceito de destino em ‘A Song of Ice and Fire’ não é superstição vazia. A profecia do Príncipe que Foi Prometido, os retornos de morte pelo Senhor da Luz, a própria Longa Noite — tudo aponta para um design narrativo onde acidentes são qualquer coisa, menos acidentes. Baelor era um líder carismático e amado, sim. Mas Westeros não precisava de outro Targaryen virtuoso no trono. Precisava de um homem simples disposto a entrar em chamas por um bebê.

Summerhall: onde o destino de Dunk se cruza com o de Rhaegar

A trajetória de Duncan, o Alto, após os eventos do conto é um estudo em fidelidade. Ele se torna Lord Commander da Guarda Real sob Aegon V — o mesmo “Ovo” que conheceu como escudeiro. Juntos, eles tentam melhorar a vida dos pequenos, uma obsessão que Egg herdou de suas andanças com o cavaleiro errante. Mas a obsessão de Egg por dragões selaria o destino de ambos.

O desastre de Summerhall é um dos eventos mais mitológicos do universo de Martin. Durante a celebração do nascimento de seu bisneto, Aegon tentou chocar ovos de dragão petrificados com fogovivo. O resultado foi um incêndio que consumiu o castelo, o rei e seu Lord Commander. Mas Dunk não morreu tentando salvar Egg — ele morreu depois de garantir que o recém-nascido Príncipe Rhaegar escapasse das chamas. Voltou ao fogo para buscar seu amigo e rei. Não encontrou nenhum dos dois.

É aqui que a cadeia causal se torna irreversível. Se Dunk tivesse perdido o Julgamento dos Sete, ele nunca teria se tornado Lord Commander. Se não fosse Lord Commander, não estaria em Summerhall. Se não estivesse em Summerhall, Rhaegar Targaryen morreria antes de completar um dia de vida.

Como Rhaegar conecta Dunk a Jon Snow

Como Rhaegar conecta Dunk a Jon Snow

Rhaegar Targaryen é o personagem mais importante que nunca aparece em tela em ‘Game of Thrones’. Sem ele, não existe a rebelião de Robert. Sem rebelião, não existe o exílio de Daenerys e Viserys. Sem Daenerys, não existem dragões no continente ocidental. E crucialmente: sem Rhaegar se apaixonar por Lyanna Stark, não existe Jon Snow.

A profecia do Príncipe que Foi Prometido rege a estrutura inteira da saga. A Longa Noite é o evento catastrófico que todos os movimentos de peça no tabuleiro de Martin servem para prevenir ou enfrentar. Rhaegar acreditava que era o príncipe profetizado; depois, acreditou que seria seu filho. Ele estava parcialmente certo — a linhagem que ele gera com Lyanna produz o homem que une os reinos contra o Rei da Noite.

Dunk, portanto, não salvou apenas um bebê em Summerhall. Ele salvou a possibilidade de salvação para toda a humanidade. O cavaleiro errante que questionou por que os deuses o pouparam no julgamento recebeu sua resposta décadas depois, em um castelo em chamas. Sua mão e pé serviram para carregar o futuro para fora do fogo.

O fatalismo de Martin e o peso dos “acidentes”

George R.R. Martin construiu sua reputação subvertendo tropos de fantasia — heróis morrem, honra leva à ruína, nem sempre o bem triunfa. Mas essa subversão não é caos. É um tipo muito específico de fatalismo onde escolhas individuais criam consequências que ecoam por gerações. A morte de Baelor no Julgamento dos Sete não é um erro divino; é uma troca calculada.

O próprio Dunk reconhece a ironia ao final de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’. Ele ganhou o julgamento, mas carrega o peso de uma morte que não causou diretamente, mas que permitiu sua sobrevivência. É o tipo de ambiguidade moral que define o universo de Martin — não existe vitória pura, não existe tragédia sem propósito. O cavaleiro errante que só queria defender uma pousada acabou se tornando o elo perdido entre a era dos dragões e a era da Longa Noite.

A pergunta que Dunk faz a Maekar revela mais do que ele imagina. “Os deuses tinham um plano para minha mão e pé?” Sim — e esse plano envolvia segurar o bebê que um dia geraria o homem que salvaria Westeros dos mortos. Nenhuma profecia em ‘A Song of Ice and Fire’ é direta. Nenhuma salvação vem sem custo. Mas o custo que Dunk pagou — sua vida em Summerhall — comprou séculos de preparação para o verdadeiro inimigo.

No fim, o paradoxo do Julgamento dos Sete se resolve não com lógica, mas com propósito. Westeros perdeu um bom rei potencial em Baelor. Ganhou algo mais precioso: um homem comum disposto a morrer por um futuro que nunca veria. É a definição de cavalaria que Martin explora desde o primeiro conto de Dunk — e que culmina em Jon Snow fazendo exatamente a mesma escolha, séculos depois, contra o Rei da Noite. O cavaleiro errante e o bastardo de Winterfell são, no fim das contas, o mesmo tipo de homem. E Westeros teve sorte de ter ambos.

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Perguntas Frequentes sobre Dunk e o Julgamento dos Sete

O que é o Julgamento dos Sete?

O Julgamento dos Sete é um ritual antigo em Westeros onde sete campeões de cada lado lutam em batalha sagrada. O resultado é considerado vontade direta dos deuses — o vencedor é inocente, o perdedor é culpado. É raramente usado porque exige 14 campeões dispostos a morrer.

Quem é Dunk em ‘Game of Thrones’?

Ser Duncan, o Alto (Dunk) é protagonista dos contos de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’, ambientados 90 anos antes de ‘Game of Thrones’. Ele foi Lord Commander da Guarda Real sob Aegon V e morreu no desastre de Summerhall salvando o bebê Rhaegar Targaryen.

O que aconteceu em Summerhall?

Summerhall foi um incêndio catastrófico em 259 AC durante tentativa de chocar ovos de dragão com fogovivo. Morreram o rei Aegon V, seu Lord Commander Duncan, o Alto, e grande parte da família real. O recém-nascido Rhaegar Targaryen sobreviveu — possivelmente salvo por Dunk.

Dunk aparece em ‘Game of Thrones’?

Não diretamente — Dunk morreu décadas antes da série. Porém, Brienne de Tarth carrega o escudo com o brasão que Dunk usou (um bordado de uma mulher sentada sob uma árvore), sugerindo que ele pode ser ancestral dos Tarth.

Qual a ligação entre Dunk e Jon Snow?

Dunk salvou Rhaegar Targaryen bebê em Summerhall. Rhaegar, adulto, gerou Jon Snow com Lyanna Stark. Sem Dunk, Rhaegar morreria antes de nascer — e Jon Snow nunca existiria para enfrentar o Rei da Noite.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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