Procurando séries parecidas com O Gerente da Noite? Esta lista vai além do “mais uma série de espião”: são 10 thrillers com tensão slow-burn, glamour perigoso e a moral cinzenta que John le Carré popularizou — do padrão-ouro ‘Tinker Tailor’ ao vício moderno ‘Slow Horses’.
Dez anos. Foi o tempo que ‘O Gerente da Noite’ nos fez esperar entre a primeira e a segunda temporada. Quando Tom Hiddleston finalmente reapareceu como Jonathan Pine — ainda com aquela elegância desconcertante que mistura concierge de luxo e soldado treinado —, a série não apenas manteve a qualidade: ela recalibrou o tabuleiro. A nova fase, deslocada para um cenário de diplomacia, resorts e crime organizado na Colômbia, reforça o que a adaptação de John le Carré tem de mais raro na TV: uma tensão slow-burn que se acumula em silêncio, até o momento em que uma decisão errada vira violência cirúrgica.
O problema é o “depois”. Terminar os 12 episódios disponíveis (seis da BBC em 2016, seis pela Prime Video em 2025) deixa um vazio muito específico. Não é só falta de séries: é saudade de um tipo particular de thriller que equilibra intriga geopolítica com estilo, onde cada conversa num lobby carrega a mesma ameaça de uma emboscada. Se você busca séries parecidas com O Gerente da Noite, não basta cair em qualquer história de espião com tiroteio. O que a gente quer é a combinação de tramas intrincadas, protagonistas moralmente ambíguos e uma direção que entende que suspense de verdade quase nunca precisa gritar.
Abaixo, selecionei 10 thrillers (e variações muito próximas do gênero) que capturam essa mesma “tensão elegante” — alguns óbvios, outros menos lembrados, todos com algo em comum: o perigo anda de terno.
10. ‘Segurança em Jogo’ (Bodyguard) — A adrenalina que não perde a classe
Richard Madden estava tão convincente aqui que, por meses, virou favorito nas apostas para substituir Daniel Craig como James Bond. Em ‘Segurança em Jogo’ (BBC, 2018), ele interpreta David Budd, veterano de guerra que vira agente de proteção de uma ministra — e carrega o PTSD como se fosse parte do uniforme.
O parentesco com Pine aparece no modo como a série trata procedimentos e risco: decisões pequenas têm consequências grandes. E há uma sequência que explica por que essa comparação existe: a cena do trem, construída em tempo real, com negociação, pânico contido e um relógio invisível comprimindo tudo. É o oposto da sedução de ‘O Gerente da Noite’ — aqui é suor, não champanhe —, mas a precisão do suspense é da mesma família.
9. ‘Killing Eve: Dupla Obsessão’ — O gato e rato que vira romance tóxico
Se a relação entre Jonathan Pine e Richard Roper é um jogo de fascínio e repulsa travestido de negócios, ‘Killing Eve’ (BBC America, 2018–2022) transforma essa dinâmica em obsessão explícita. Villanelle (Jodie Comer) e Eve Polastri (Sandra Oh) não operam no manual clássico de espionagem — uma é assassina, a outra é analista —, mas a série entende o que le Carré sempre soube: o inimigo mais perigoso é o que te conhece demais.
Os melhores episódios (especialmente da primeira temporada) são aulas de tensão construída por comportamento: um olhar sustentado por um segundo a mais, uma gentileza que vem com ameaça embutida, uma cena cômica que termina em crueldade. Sim, a série perde consistência mais adiante — mas, para quem gostou do “perigo em ambiente sofisticado”, o início é irresistível.
8. ‘Black Doves’ — Londres pós-Brexit e espionagem terceirizada
Lançada em 2024 pela Netflix, ‘Black Doves’ atualiza a “estética le Carré” para uma Londres mais cínica e mais privatizada. Keira Knightley interpreta Helen, agente ligada a uma organização mercenária; Ben Whishaw surge como uma presença que é ao mesmo tempo suporte e ameaça. O elenco de luxo ajuda, mas o que sustenta a série é o subtexto: quem faz o trabalho sujo do Estado quando o Estado finge que não faz mais?
A conexão direta com ‘O Gerente da Noite’ está na economia da violência e na maneira como encontros banais viram operações: conversas que parecem sobre chá, mas são sobre senha; silêncio que chega depois de uma ação fora de quadro. É uma elegância mais urbana — menos cartão-postal, mais asfalto molhado —, mas igualmente letal.
7. ‘O Agente Noturno’ — A versão americana com o pedal no fundo
Se ‘O Gerente da Noite’ é um whisky com tempo de maturação, ‘O Agente Noturno’ (Netflix, 2023–) é um espresso duplo. A série usa uma premissa parecida — um funcionário subestimado puxando fios que revelam uma conspiração grande demais — e acelera tudo em direção ao thriller de ação.
A comparação é justa por um motivo: as duas histórias entendem a burocracia como máscara do perigo. Peter Sutherland, como Pine, parece estar no lugar errado para alguém capaz de tanto. A diferença é de gramática: onde Bier aposta em pausa, olhar e deslocamento de classe (o “intruso” no luxo), ‘O Agente Noturno’ aposta em urgência e cliffhanger. Para quem quer “mais episódios” sem a mesma paciência contemplativa, funciona como vício rápido.
6. ‘Grand Hotel’ — O lobby como armadilha (uma escolha lateral, mas certeira)
‘Grand Hotel’ (ABC, 2019) não é espionagem no sentido estrito: é melodrama criminal num resort de luxo em Miami. Ainda assim, ela entra aqui por um motivo muito específico: entende hotel como cenário perfeito para suspense — a fachada impecável de serviço escondendo portas trancadas, segredos de cofres e identidades fabricadas.
O que ‘O Gerente da Noite’ faz com a geopolítica, ‘Grand Hotel’ faz com dinâmicas de poder mais “domésticas”: dinheiro, chantagem, crime financeiro, corrupção familiar. É menos política e mais novela noir, mas captura a mesma sensação de que, por trás da cortesia, tudo é transação.
5. ‘A Perfect Spy’ — Le Carré em estado bruto (e mais doloroso)
Antes de Jonathan Pine, houve Magnus Pym. ‘A Perfect Spy’ (BBC, 1987) adapta o romance mais pessoal de John le Carré e funciona como planta arquitetônica de muita coisa que veio depois: identidade como performance, lealdade como ficção e intimidade como risco.
Peter Egan interpreta Pym, agente duplo cuja biografia parece um documento falsificado em permanente atualização. O grande trunfo aqui é a estrutura: informação não é “revelada”, é negociada com o espectador, cena a cena, como se a série testasse sua paciência — exatamente a mesma paciência que ‘O Gerente da Noite’ recompensa. Para quem gostou da psicologia quebrada por trás do verniz impecável, é essencial.
4. ‘The Little Drummer Girl’ — Quando a direção vira jogo de espionagem
Outra adaptação de le Carré, desta vez pela AMC (2018), ‘The Little Drummer Girl’ tem um diferencial impossível de ignorar: Park Chan-wook na direção. Florence Pugh interpreta Charlie, atriz recrutada pelo Mossad para se infiltrar em uma célula terrorista, enquanto Alexander Skarsgård encarna o manipulador sedutor que a treina — e a confunde.
O parentesco com ‘O Gerente da Noite’ é visual e moral. Visual porque locações ensolaradas (Grécia, Europa Oriental) não são turismo, são culpa e exposição. Moral porque a série não finge que “bons” e “maus” existem de forma estável. A fotografia trabalha com interiores que parecem pinturas e exteriores que estouram de luz, como se o mundo inteiro fosse um interrogatório. É lenta, exigente e recompensadora.
3. ‘Babylon Berlin’ — A elegância decadente antes do colapso
‘Babylon Berlin’ (2017–) leva a lógica do thriller de espionagem para a República de Weimar: um período em que a festa e o terror político dividem a mesma rua. Gereon Rath, policial transferido para Berlim, entra numa teia de extorsão, espionagem soviética e forças históricas que já apontam para a ascensão nazista.
A conexão com ‘O Gerente da Noite’ não é de trama, mas de sensação: a série também trata o mundo como transição — o velho verniz tentando cobrir uma violência inevitável. E faz isso com uma produção detalhista (clubes, trens, figurinos) que transforma “estilo” em argumento, não em decoração.
2. ‘Tinker Tailor Soldier Spy’ — O padrão-ouro do suspense em voz baixa
A minissérie da BBC de 1979, com Alec Guinness como George Smiley, continua sendo a bíblia da espionagem televisiva. A trama segue Smiley tentando desmascarar um mole no topo do serviço britânico — e faz isso sem atalhos, sem set pieces, sem pressa.
O que ‘O Gerente da Noite’ chama de “tensão elegante” está codificado aqui: salas mal iluminadas, frases que parecem banais mas mudam destinos, e um ritmo que te obriga a prestar atenção. É claustrofóbica sem ser barulhenta, e brilhante exatamente por não implorar pelo seu foco.
1. ‘Slow Horses’ — O melhor thriller de espionagem em produção (e o mais amargo)
Gary Oldman volta, agora como Jackson Lamb, chefe dos “descartes” do MI5 em ‘Slow Horses’ (Apple TV+, 2022–). A série acompanha agentes que falharam e foram exilados para Slough House — um purgatório administrativo que parece cômico, até revelar o quão mortal é a política interna da inteligência britânica.
O elo com ‘O Gerente da Noite’ é a crença de que espionagem é, antes de tudo, instituição: vaidade, papelada, rivalidade e gente tentando sobreviver ao próprio sistema. A diferença é o verniz. Pine é o luxo; Lamb é a sujeira. E, quando a violência chega, ela chega com peso — como se a série fizesse questão de lembrar que toda intriga tem corpo no final. Se você quer a mesma inteligência, mas com menos glamour e mais bile, esta é a escolha número 1.
Onde a espionagem vai daqui (e por que ‘O Gerente da Noite’ ainda é referência)
‘O Gerente da Noite’ provou que há espaço para thriller de espionagem lento, sofisticado e visualmente opulento numa era viciada em velocidade. As séries acima variam o tempero — algumas aceleram, outras aprofundam, outras deslocam o gênero para épocas ou subgêneros —, mas todas entendem que o suspense mais forte nasce de informação controlada e relações contaminadas por interesse.
Se a volta de Pine aponta para uma revitalização do le Carré “de luxo”, ‘Slow Horses’ sugere outro futuro: a espionagem como máquina enferrujada, cínica, ainda assim eficiente. No fim, a escolha é menos sobre qual tem mais ação — e mais sobre qual tipo de tensão você quer sentir: a elegância gelada de um hotel suíço ou a sujeira pragmática dos becos de Londres.
Faltou alguma série que te deu essa mesma sensação específica de ‘O Gerente da Noite’? Se você tem uma “joia de campo” para recomendar, vale a pena colocar na mesa.
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Perguntas Frequentes sobre séries parecidas com ‘O Gerente da Noite’
‘O Gerente da Noite’ acabou?
Não necessariamente. Até fevereiro de 2026, existem duas temporadas (2016 e 2025), e o futuro depende de renovação/agenda do elenco; não há um “final de série” anunciado universalmente.
Quantos episódios tem ‘O Gerente da Noite’?
São 12 episódios no total: 6 na primeira temporada (BBC, 2016) e 6 na segunda (lançada em 2025).
Preciso ler John le Carré para gostar de ‘O Gerente da Noite’?
Não. A série funciona por conta própria; ler le Carré só aprofunda o prazer com o cinismo institucional e os personagens ambíguos, mas não é pré-requisito para entender a trama.
Qual é a série mais parecida com ‘O Gerente da Noite’ em estilo e ritmo?
Se você quer o mesmo “luxo + tensão em voz baixa”, ‘The Little Drummer Girl’ é a mais próxima em estética e lentidão calculada. Se o que te pegou foi a espionagem britânica e o cinismo, ‘Tinker Tailor Soldier Spy’ é a referência máxima.
Qual dessas séries tem mais ação para quem achou ‘O Gerente da Noite’ lento?
‘Segurança em Jogo’ e ‘O Agente Noturno’ tendem a agradar mais quem prefere ritmo acelerado e set pieces de tensão imediata, sem abandonar completamente conspirações e intriga política.

