O final de ‘O Agente Noturno’ 3 revela que o presidente e a primeira-dama são os verdadeiros vilões — e eles se safam com um perdão presidencial. Analisamos a conspiração financeira, o destino de Freya Myers e como os arquivos de Monroe preparam a 4ª temporada.
Quando um thriller político se propõe a investigar conspirações no mais alto escalão do governo, geralmente há uma linha que a série não cruza. O Agente Noturno 3 final não apenas cruza essa linha — ele a apaga completamente. O que começa como mais uma investigação de Peter Sutherland (Gabriel Basso) sobre um atentado terrorista termina com uma revelação que muda as regras do jogo: o presidente dos Estados Unidos não está apenas comprometido com os vilões. Ele e a primeira-dama são os vilões. E o mais perturbador? Eles se safam.
Ao longo de dez episódios, a terceira temporada de ‘O Agente Noturno’ construiu uma conspiração financeira que parecia, no início, desligada do núcleo familiar da série. Um voo civil derrubado. Um analista do FinCEN acusado de assassinato. Transações cripto suspeitas. Mas conforme as camadas vão sendo removidas, percebemos que tudo conecta — e o centro da teia não é o traficante de armas Raúl Zapata, nem o misterioso Broker. É Richard Hagan, o homem que ocupa o Oval Office.
Como o presidente Hagan se tornou o vilão mais ousado da série
A construção dessa revelação é o maior acerto narrativo da temporada. Shawn Ryan, criador da série, aprendeu com thrillers políticos anteriores que o público espera corrupção em níveis intermediários — congressistas, senadores, chefes de agência. Um presidente de operações da Casa Branca era o vilão da primeira temporada. Aqui, Ryan subiu a aposta para o próprio presidente, algo que séries como ‘Homeland’ e ‘Designated Survivor’ raramente ousaram fazer com tanta frontalidade.
A gota d’água da conspiração é financeira, como quase tudo nesta temporada. Jacob Monroe, o Broker, pagou 6 milhões de dólares para a caridade de Jenny Hagan — dinheiro que foi lavado de volta para a campanha presidencial de Richard. Em troca, Jenny vazava os briefings presidenciais diários para Monroe. Um acordo sujo que ambos mantiveram escondido até que os corpos começassem a se acumular.
O momento em que Jenny ordena a morte de Brian Mott, o garçom da Casa Branca que ajudava nos vazamentos, é quando a série deixa claro: esses não são políticos corruptos que se justificam com “o bem maior”. São pessoas desesperadas protegendo seu próprio poder, dispostas a matar qualquer um que ameace expô-las.
A cena final do casal Hagan — Richard perdoando a si mesmo e à esposa antes de deixar o cargo — é uma das mais cínicas que vi em um thriller mainstream recente. Não há redenção, não há justiça poética. Há apenas a brutal constatação de que, no fim das contas, presidentes podem mesmo se safar de qualquer coisa. É um final que dialoga com o cinismo de ‘House of Cards’, mas sem o virtuosismo estilizado — aqui, a sujeira é mais banal, e por isso mais perturbadora.
Freya Myers: a banqueira que pagou o preço por saber demais
Se os Hagans representam a corrupção no topo do poder político, Freya Myers encarna a corrupção financeira institucionalizada. CEO do Walcott Capital, o banco que facilitava todas as transações ilícitas da temporada, ela começa como mais uma peça do tabuleiro — mas se torna uma das figuras mais fascinantes da narrativa.
O que torna Freya interessante não é sua vilania, mas sua pragmática ausência de moralidade. Ela não tem lealdade a ninguém, nem mesmo a Monroe. Quando percebe que sua única saída é colaborar com a investigação de Isabel, ela o faz sem hesitação — não por consciência, mas por sobrevivência.
Sua morte final nas mãos de “The Father” funciona como uma espécie de justiça sombria. Freya cometeu o erro de ameaçar a família do assassino de aluguel que ela própria contratou. O veneno discreto que ela bebe no último episódio é o mesmo que vimos ele usar ao longo da temporada — um detalhe visual que fecha o arco com precisão cirúrgica.
Quem era “The Father”: o assassino que escolheu ser pai
Entre todos os personagens da temporada, nenhum é mais complexo do que o assassino conhecido apenas como “The Father”. A série constrói ele inicialmente como uma ameaça implacável — o tipo de vilão que você espera ver derrotado. Mas aos poucos, revela camadas que transformam ele em algo próximo de uma figura trágica.
O episódio em flashback que revela sua origem é um dos mais eficazes da temporada. Descobrimos que Orion, a criança que ele cria como filho, não é seu filho biológico. Ele resgatou o bebê de um envenenamento que ele próprio causou durante um assassinato anos antes. Em vez de abandonar a criança, ele a criou — uma contradição que define o personagem.
A decisão final de The Father de não cumprir o contrato contra Peter e Isabel não é redenção. É uma escolha pragmática baseada em algo que ele reconhece em Peter: o custo que essa vida tem sobre uma criança. Ele vê em Orion o reflexo do que Peter poderia ter se tornado, e opta por quebrar o ciclo. Não por bondade, mas por exaustão.
Jacob Monroe: de Broker todo-poderoso a pai condenado
A terceira temporada de ‘O Agente Noturno’ faz algo arriscado com Monroe: ele começa como o antagonista óbvio, o broker todo-poderoso que move fios no escuro. Mas a série constantemente subverte essa expectativa, revelando que Monroe é apenas mais uma peça — e talvez não seja a mais perigosa.
A revelação de que ele é pai biológico de Isabel transforma o personagem. Descobrimos que Monroe não nasceu criminoso — ele foi chantageado pelo FBI quando jovem advogado, forçado a informar sobre Raúl Zapata. Quando Zapata descobriu, Sophie, a mulher que Monroe amava, pagou o preço. Toda a sua carreira como broker de inteligência foi construída sobre um fundamento de perda e vingança.
A cena em que ele entrega a Isabel a chave para acessar seus arquivos — escondida em um livro de contos de fadas que comprara para a mãe dela — é um momento de ternura inesperado. Monroe sabe que está condenado. Mas ele garante que a filha possa expor tudo o que ele documentou ao longo de décadas.
Isabel e o jornalismo como única arma contra o poder
Em uma temporada cheia de assassinos, conspirações e corrupção no mais alto nível, a arma mais poderosa não é uma arma de fogo. É uma reportagem.
Isabel De Leon começa a temporada como uma jornalista investigativa ávida por um furo. Ela termina como a única pessoa capaz de derrubar uma conspiração presidencial. A entrevista com Freya Myers que ela conduz no final não é apenas um dispositivo de plot — é uma afirmação sobre o papel do jornalismo em expor verdades inconvenientes.
O detalhe crucial é que Isabel mal arranhou a superfície dos arquivos de Monroe. Centenas de outros escândalos permanecem enterrados, esperando para serem descobertos. Isso não é apenas um gancho para temporadas futuras — é uma promessa de que o universo de ‘O Agente Noturno’ é maior do que vimos até agora.
O perdão presidencial e o que vem na 4ª temporada
A terceira temporada de ‘O Agente Noturno’ termina com mais perguntas do que respostas — e isso é uma coisa boa. Peter está fisicamente incapacitado, se recuperando de um tiro. Rose Larkin, ausente desta temporada, foi mencionada diversas vezes, sugerindo que a porta para seu retorno está aberta.
O perdão presidencial que encerra a temporada é talvez a escolha narrativa mais corajosa da série. Não há final feliz arrumado. Os vilões ganham — não porque são mais fortes, mas porque o sistema que eles manipulam foi construído para protegê-los. É um comentário cínico sobre poder que eleva ‘O Agente Noturno’ acima do thriller político médio.
Para a quarta temporada, a série tem material abundante. Os arquivos de Monroe podem gerar temporadas inteiras de conspirações. A dinâmica entre Peter e Rose pode ser retomada. E o legado dos Hagans — um presidente que perdoou a si mesmo e desapareceu — paira como uma ferida aberta no sistema que Peter jurou proteger.
No fim, ‘O Agente Noturno’ provou algo com esta temporada: é possível fazer um thriller político mainstream que não subestima seu público. A conspiração é complexa, os vilões são humanos, e as consequências são reais. Se a quarta temporada mantiver esse nível, temos muito o que esperar.
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Perguntas Frequentes sobre ‘O Agente Noturno’ 3
Onde assistir ‘O Agente Noturno’?
‘O Agente Noturno’ é uma série original Netflix, disponível exclusivamente na plataforma. As três temporadas estão completas para maratonar.
Quantos episódios tem a 3ª temporada de ‘O Agente Noturno’?
A terceira temporada tem 10 episódios, mesma quantidade das temporadas anteriores. Cada episódio tem aproximadamente 45-50 minutos.
Precisa ver as temporadas anteriores para entender a 3ª?
Recomenda-se assistir desde a 1ª temporada. A 3ª continua a história de Peter Sutherland e faz referências constantes aos eventos anteriores, especialmente ao arco de Rose Larkin.
‘O Agente Noturno’ vai ter 4ª temporada?
A Netflix ainda não confirmou oficialmente a 4ª temporada, mas o final deixa vários fios soltos propositalmente — os arquivos de Monroe, o retorno de Rose e o legado dos Hagans sugerem que a história tem para onde ir.
Quem é o presidente vilão em ‘O Agente Noturno’ 3?
O presidente Richard Hagan (interpretado por Michael O’Neill) e a primeira-dama Jenny Hagan são revelados como os verdadeiros vilões da temporada, envolvidos em lavagem de dinheiro e assassinatos para proteger seu poder.

