A 5ª temporada de ‘The Boys’ revela que Soldier Boy sobreviveu ao vírus por causa do V1, o protótipo original do Compound V. Eric Kripke confirma que esse é o MacGuffin central do desfecho — uma corrida entre Homelander e os Boys cujo prêmio não é poder, mas sobrevivência.
Existem momentos em que uma série revela que estava jogando xadrez enquanto nós achávamos que era damas. A revelação sobre Soldier Boy no episódio 2 da 5ª temporada de ‘The Boys’ é um desses instantes — um aparente “gotcha” de roteiro que, nas mãos de Eric Kripke, se transforma em peça central de um tabuleiro muito maior. A sobrevivência de Jensen Ackles não é apenas um choque barato: é a chave que destranca a mitologia do V1 e reconfigura completamente as apostas do desfecho.
Quando Homelander descongela Soldier Boy para caçar Butcher, a sequência parece seguir a lógica estabelecida desde a quarta temporada: o vírus criado para exterminar supes funciona. Os Teenage Kix morrem. Soldier Boy cai. A câmera se afasta num enquadramento clássico de “fim de cena”. E então, nos últimos segundos, ele se senta dentro do body bag — vivo, imune, e carregando nas veias a resposta para uma pergunta que a série nem havia feito ainda. É uma construção de tensão hitchcockiana: Kripke nos faz acreditar que o perigo passou para, no último frame, revelar que só estava começando.
O MacGuffin que Kripke escondeu à vista de todos
Em entrevista à TV Insider, Kripke confirmou o que trailers já insinuavam: Soldier Boy sobreviveu, e a razão de sua imunidade é “o principal MacGuffin da temporada”. A declaração é elegante na sua simplicidade e brutal nas suas implicações. O termo “MacGuffin” — popularizado por Hitchcock como aquele objeto que todos querem mas cuja natureza importa menos que a corrida para obtê-lo — aqui ganha peso narrativo incomum. Não é uma maleta com segredos de estado ou um código nuclear. É V1, a primeira iteração do Compound V, e sua existência reescreve tudo o que achávamos saber sobre a hierarquia de poder em ‘The Boys’.
A construção é classicamente kripkeana: o showrunner adora pegar elementos que pareciam fechados e revelar que eram apenas a ponta de um iceberg. Soldier Boy foi introduzido como relicário de uma era passada de supes — chauvinista, volátil, perigoso. Mas essa “era passada” agora se revela fundamental. Ele não é apenas um avô moralmente falido do Homelander. É um avô biologicamente superior. Enquanto Homelander foi injetado com versões refinadas do Compound V, Soldier Boy carrega o protótipo bruto — e aparentemente mais potente.
V1: a mitologia que conecta a série principal ao spinoff ‘Vought Rising’
Aqui reside uma das jogadas mais interessantes de planejamento de universo expandido que vi em séries recentes. O anúncio de ‘Vought Rising’, prequel ambientado nos anos 1950 com Soldier Boy como protagonista, não é coincidência temporal. A série principal está estabelecendo agora a importância do V1 justamente quando o spinoff terá a oportunidade de explorar suas origens. É uma simbiose narrativa rara: o passado que o prequel vai desvendar é o futuro que a série principal precisa resolver.
A lógica interna é sólida: Soldier Boy é um dos primeiros supes da Vought. Faz sentido narrativo que ele tenha recebido a versão original do Compound V — aquela que, por razões ainda não explicadas, foi abandonada em favor de iterações “melhoradas”. Mas o que a Vought considerou melhoria? Eficácia? Controlabilidade? Segurança? O fato de Homelander — o produto mais “avançado” do programa — ser emocionalmente instável e psicopata sugere que as iterações subsequentes priorizaram poder bruto sobre algo mais. Longevidade? Imunidade? Estabilidade genética?
Essas perguntas não são apenas worldbuilding decorativo. Elas tocam no tema central de ‘The Boys’ desde o episódio piloto: a diferença entre ser fabricado e ser humano. Homelander é o produto mais refinado de um processo que, aparentemente, descartou qualidades essenciais na busca por armas mais poderosas. Descobrir que ele não é a versão “definitiva” do supe — que existe um V1 capaz de conceder imunidade que ele não possui — é um golpe no seu ego que pode ser mais devastador que qualquer vírus.
A corrida pelo V1 define o final da série
Kripke foi explícito sobre as apostas: “Se Homelander adquirir, é game over. Se os Boys adquirirem, talvez as pessoas que eles amam possam sobreviver”. A simplicidade dessa frase esconde uma complexidade narrativa tremenda. Estamos falando de uma corrida cujo prêmio não é poder absoluto — é sobrevivência relativa. E os lados envolvidos têm motivações radicalmente diferentes.
Para Homelander, o V1 representa duas coisas simultâneas e contraditórias: segurança existencial e confirmação de inferioridade. Ele precisa do V1 para sobreviver ao vírus, mas obtê-lo significa admitir que sua “perfeição” foi sempre uma mentira. Para um narcisista patológico cuja identidade foi construída sobre a premissa de ser o ápice da evolução supes, essa dissonância é material dramático explosivo. Antony Starr construiu Homelander como alguém cujas inseguranças são mais perigosas que seus lasers oculares — e o V1 ameaça detonar todas elas de uma vez.
Para os Boys, a equação é diferente. Butcher está morrendo de tumor cerebral — sua janela de tempo é limitada, sua prioridade é destruir Homelander antes que o corpo falhe. Mas Annie/Starlight e Kimiko têm Compound V no sangue e vidas inteiras pela frente. O V1 não é apenas arma; é antídoto. A possibilidade de que eles possam sobreviver à guerra que está por vir adiciona peso emocional genuíno a uma disputa que poderia ser apenas mais um plot device.
Por que a fragilidade psíquica de Homelander é mais perigosa que o V1
Se há algo que cinco temporadas de ‘The Boys’ estabeleceram com clareza, é que o maior perigo de Homelander não está nos seus poderes — está na sua fragilidade psíquica. Cada temporada o colocou em situações que expuseram rachaduras no seu autoconstruto de deus americano. A revelação do V1 tem potencial de ser a maior de todas.
Pense no arco: temporada 1, ele é manipulado por Stillwell. Temporada 2, descobre que tem um filho e não sabe ser pai. Temporada 3, enfrenta o soldado que foi seu “pai” biológico e perde. Temporada 4, sua namorada o rejeita publicamente. Agora, temporada 5, ele descobre que nem geneticamente é a suprema criação que acreditava ser. Cada camada de mito desmorona. O que resta quando o deus descobre que foi sempre um protótipo inferior?
A resposta provavelmente está no elenco de personagens que se juntarão à corrida. Hughie, M.M., Frenchie têm motivações claras — proteger os seus. Sister Sage, introduzida na quarta temporada como a “pessoa mais inteligente do mundo”, é a variável imprevisível. Alguém com sua capacidade de planejamento de longo prazo entende que o V1 não é apenas imunidade — é alavancagem política, moeda de troca, poder em estado puro. Se ela chegar primeiro, ninguém está seguro.
O que o V1 significa para o desfecho de ‘The Boys’
Quando uma série anuncia sua temporada final, há sempre o temor de que os roteiristas encontrem soluções convenientes para problemas complexos. O que Kripke está construindo com o V1 é o oposto: uma solução que cria mais problemas do que resolve. A imunidade não encerra a guerra — ela a intensifica. E a forma como cada personagem persegue esse objetivo revelará quem eles realmente são quando não há mais nada a perder.
A conexão com ‘Vought Rising’ também sugere que Kripke está pensando além do final da série principal. O V1 será o fio condutor que conecta passado e futuro desse universo — uma decisão que poderia parecer comercial se não fosse tão bem costurada na narrativa. A série principal termina, mas as perguntas que ela levanta sobre as origens do Compound V terão espaço para ser respondidas. É um raro exemplo de expansão de franquia que serve à história em vez de diluí-la.
Para os fãs que acompanham desde 2019, a promessa é de um fechamento que honra o que foi construído. O vírus que parecia ser a solução definitiva para o “problema Homelander” se revelou apenas o prelúdio de uma disputa maior. E Soldier Boy — aquele personagem que poderíamos ter descartado como relicário de uma era menos sofisticada da série — se revela peça fundamental do tabuleiro final. Não é má construção para uma série que sempre soube que o melhor herói é aquele que você odeia amar.
A pergunta que fica não é quem conseguirá o V1. É o que cada um estará disposto a sacrificar por ele. Porque em ‘The Boys’, como Butcher aprendeu da forma mais dura possível, não existe vitória sem custo — e o preço da imunidade pode ser a humanidade que resta.
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Perguntas Frequentes sobre a 5ª temporada de ‘The Boys’
Quando estreia a 5ª temporada de ‘The Boys’?
A 5ª temporada de ‘The Boys’ estreia em 2026. A Amazon ainda não divulgou a data específica, mas as temporadas anteriores seguiram um padrão de lançamento entre junho e julho.
O que é V1 em ‘The Boys’?
V1 é a primeira iteração do Compound V, o composto que concede poderes aos supes. Segundo Eric Kripke, é o MacGuffin central da 5ª temporada — capaz de conceder imunidade ao vírus que mata supes.
Soldier Boy sobreviveu ao vírus em ‘The Boys’?
Sim. No episódio 2 da 5ª temporada, Soldier Boy é revelado vivo dentro de uma body bag após ser exposto ao vírus. Sua imunidade vem do V1 que corre em suas veias.
‘The Boys’ vai ter 6ª temporada?
Não. Eric Kripke confirmou que a 5ª temporada é a última. A série foi planejada para ter cinco temporadas completas, com desfecho definitivo para os arcos principais.
Onde assistir ‘The Boys’?
‘The Boys’ está disponível exclusivamente no Amazon Prime Video. Todas as quatro temporadas já lançadas podem ser assistidas na plataforma.

