Em ‘Star Trek: Starfleet Academy’, Tig Notaro entrega um dos comandos de dobra mais memoráveis da franquia enquanto Holly Hunter evita deliberadamente qualquer catchphrase. Analisamos como essa tensão entre posto e presença revela muito sobre o futuro de Star Trek.
Existem comandos de dobra que definem capitães inteiros. ‘Engage!’ carrega toda a elegância de Picard. ‘Hit it!’ resume a impulsividade cool de Pike. Mas em Star Trek Starfleet Academy, o momento mais memorável não veio da capitã — veio de quem nunca quis o cargo.
Tig Notaro, como a comandante Jett Reno, entregou uma linha que já entra para o panteão dos melhores comandos de dobra da franquia: ‘Now show me pretty streaks of light.’ É engraçado, é poético, e é tão Reno que doeu. Enquanto isso, Holly Hunter fez exatamente o oposto: sua Capitã Nahla Ake evita deliberadamente qualquer frase marcante. E essa tensão entre quem tem o posto e quem tem a presença diz muito sobre como Star Trek está repensando sua própria tradição.
Por que o comando de Reno funciona tão bem
‘Now show me pretty streaks of light’ não é apenas uma ordem — é uma declaração de princípios. Reno, que foi engenheira-chefe da USS Discovery antes de lecionar mecânica temporal na Academia, sempre teve um relacionamento prático com a tecnologia. Ela não romantiza a engenharia; ela a entende intimamente. Mas há algo genuinamente comovente na forma como ela escolhe descrever o salto para dobra: não como procedimento, mas como espetáculo.
A frase funciona em múltiplas camadas. Para os cadetes a bordo da USS Athena, é um lembrete de que explorar o espaço também é sobre admiração — algo que a rigidez da Academia às vezes faz esquecer. Para o público, é uma demonstração de que Reno, apesar de nunca ter buscado comando, pensa como uma líder. Ela sabe que uma boa ordem não precisa ser técnica; precisa ser inspiradora.
O que torna isso ainda mais significativo é o contexto: Reno assumiu o comando em uma missão de resgate à Capitã Ake, provando que não é preciso ter o rank para ter a postura. A cena subverte a expectativa. Você espera que o grande momento de dobra venha da capitã icônica interpretada por Holly Hunter. Em vez disso, vem da engenheira sarcástica que passou anos sendo a voz da comédia seca em Discovery.
Holly Hunter e a escolha radical de não ter um catchphrase
Aqui está onde fica interessante: Holly Hunter não apenas não estabeleceu um comando de dobra — ela parece ter evitado isso por design. A Capitã Ake, uma meio-Lanthanite de 422 anos, é excêntrica desde o primeiro episódio. Ela anda descalça. Ela senta na cadeira de capitã de forma não convencional. Ela tem uma energia que parece deliberadamente divorciada da tradição de Picard ou Kirk.
Segundo Robert Picardo, que atua ao lado de Hunter, a atriz fez questão de construir Ake como algo completamente diferente dos capitães anteriores. Faz sentido: por que uma alienígena centenária que já viu de tudo agiria com a formalidade de um oficial da Frota Estelar do século 24? Ake não precisa de um ‘Engage!’ porque ela não está performando liderança — ela simplesmente lidera.
O mais próximo que chegamos de um comando foi ‘Let’s go to San Francisco’ no piloto da série. Funcional, direto, sem pompa. É uma escolha que alguns fãs podem achar desapontadora, mas que eu acredito ser brilhantemente coerente. Star Trek tem um problema com capitães que se tornam caricaturas de si mesmos — quantas vezes ‘Engage!’ foi replicado como fórmula vazia? Hunter recusou o atalho fácil.
A tradição dos comandos de dobra e o que ela representa
Para entender por que isso importa, vale voltar ao básico. Os comandos de dobra se tornaram um elemento ritualístico de Star Trek a partir de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração. Patrick Stewart não apenas popularizou ‘Engage!’ — ele transformou uma ordem técnica em assinatura de personagem. Desde então, cada novo capitão precisou enfrentar a questão: qual é a minha frase?
Michael Burnham tem ‘Let’s fly!’ em Star Trek: Discovery, perfeito para uma pilota que encontrou na velocidade sua forma de processar a perda. Pike tem ‘Hit it!’ em Star Trek: Strange New Worlds, refletindo uma abordagem mais descontraída e intuitiva. Até Jornada nas Estrelas: Picard deixou em aberto o que Seven of Nine diria ao comandar a Enterprise-G — uma incógnita que provavelmente nunca será resolvida.
O ponto é: a franquia criou uma expectativa. Capitães precisam ter um comando de dobra. É parte da mitologia. Mas e quando um personagem como Jett Reno — sem posto de capitão, sem desejo de ter um — entrega uma das melhores variações do conceito? Isso diz algo sobre como Star Trek pode evoluir sem perder sua essência.
O que isso significa para o futuro da série
Star Trek: Starfleet Academy já está em sua segunda e última temporada, com a Paramount+ optando por não renovar. É uma pena, porque a série estava encontrando algo interessante: um espaço onde a tradição de Star Trek pode ser questionada de dentro para fora.
A dinâmica entre Ake e Reno representa dois caminhos possíveis para a franquia. De um lado, a recusa de Hunter em aderir aos clichês do capitão clássico abre espaço para algo mais imprevisível. Do outro, a capacidade de Notaro de pegar um elemento venerado — o comando de dobra — e reinventá-lo com humor e coração mostra que Star Trek não precisa se levar tão a sério para ser significativo.
Curiosamente, Captain James T. Kirk também nunca teve um comando fixo. William Shatner improvisava variações como ‘Thataway!’ e ‘Second star to the right, and straight on til morning.’ A tradição do catchphrase foi, ela mesma, uma construção posterior — algo que a série criou e depois se sentiu obrigada a manter. Talvez Holly Hunter esteja apenas lembrando ao público que capitães podem ser maiores que suas frases de efeito.
Quanto a Reno, sua linha permanece como um dos pequenos triunfos da temporada. ‘Now show me pretty streaks of light’ captura algo que às vezes se perde em meio a guerras temporais e conspirações intergaláticas: a ideia de que viajar pelo espaço é, fundamentalmente, uma experiência de admiração. Não é sobre chegar lá — é sobre o que você vê no caminho.
Se a segunda temporada trouxer um comando definitivo para Ake, terá trabalho para superar o que Reno estabeleceu. Mas talvez esse nem seja o ponto. Talvez a lição aqui seja que em um universo obcecado com rank e protocolo, às vezes a voz mais memorável vem de quem nunca pediu permissão para falar.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Star Trek: Starfleet Academy’
Onde assistir ‘Star Trek: Starfleet Academy’?
‘Star Trek: Starfleet Academy’ está disponível exclusivamente na Paramount+. A série é um original da plataforma.
Quantas temporadas tem ‘Star Trek: Starfleet Academy’?
A série tem 2 temporadas. A Paramount+ confirmou que a segunda temporada será a última, sem renovação para uma terceira.
Preciso ver ‘Star Trek: Discovery’ antes de ‘Starfleet Academy’?
Não é obrigatório, mas ajuda. Personagens como Jett Reno (Tig Notaro) e elementos do universo vêm de ‘Discovery’. A série funciona sozinha, mas referências serão mais ricas para quem conhece a série anterior.
Quem são os protagonistas de ‘Star Trek: Starfleet Academy’?
A série é liderada por Holly Hunter como Capitã Nahla Ake e conta com Tig Notaro reprisando seu papel como Jett Reno de ‘Discovery’. O elenco também inclui Robert Picardo, conhecido por seu papel em ‘Star Trek: Voyager’.
Em que época se passa ‘Star Trek: Starfleet Academy’?
A série se passa no século 32, após os eventos de ‘Star Trek: Discovery’, acompanhando uma nova geração de cadetes na Academia da Frota Estelar.

