‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’: por que Westeros tem 9 reinos, não 7?

A cena final de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ revela uma correção histórica fundamental: Westeros tem nove regiões administrativas, não sete reinos. Explicamos como Aegon, o Conquistador, reorganizou o continente e por que o termo “Sete Reinos” persistiu apesar da matemática estar errada.

Existem momentos em que uma série usa um detalhe aparentemente menor para revelar algo fundamental sobre seu universo. No final da primeira temporada de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’, Egg corrige Dunk com uma lista que todo fã de ‘Game of Thrones’ deveria guardar: Westeros tem nove regiões administrativas, não sete reinos. A distinção não é pedantismo — é história pura.

A cena é simples e funciona como declaração de princípios. Dunk, com sua lealdade cavaleiresca, diz que eles estão livres para viajar pelos “Sete Reinos”. Egg, com a precisão de alguém que cresceu estudando mapas em bibliotecas reais, dispara: “Nove”. Quando Dunk contesta, o futuro Aegon V lista: Terras da Coroa, Terras Ocidentais, Terras da Tempestade, Terras Fluviais, Ilhas de Ferro, Norte, Jardim, Vale de Arryn e Dorne. O título da série muda por um instante — “A Knight of the Nine Kingdoms” pisca na tela. Mas Egg está tecnicamente correto e historicamente impreciso ao mesmo tempo, e essa contradição revela como Aegon, o Conquistador, reorganizou um continente inteiro.

Os sete reinos que existiam antes de Aegon

Os sete reinos que existiam antes de Aegon

Antes da Conquista de Aegon, Westeros era literalmente sete reinos independentes, cada um com sua dinastia governante. O Reino do Norte (Stark), o Reino da Montanha e do Vale (Arryn), o Reino das Ilhas e Rios (Hoore), o Reino da Rocha (Lannister), o Reino do Jardim (Gardener), o Reino da Tempestade (Durrandon) e Dorne (Martell). Os Martell governavam então como governam agora — a única casa que manteve continuidade direta até os eventos de ‘Game of Thrones’.

O número sete não era arbitrário. A Fé dos Sete, religião dominante no sul do continente, reforçava essa numerologia sagrada. Sete deuses, sete reinos, sete aspectos da divindade. A identidade de Westeros como “os Sete Reinos” era tanto política quanto religiosa — uma espécie de branding cultural que persistiu mesmo depois de deixar de ser factualmente verdadeiro.

Como a Conquista reorganizou o mapa político

Aegon Targaryen não apenas conquistou — ele redesenhou. Quando desembarcou em Westeros com suas irmãs e dragões, três mudanças estruturais transformaram a geopolítica do continente.

O Reino das Ilhas e Rios foi desmembrado. A casa Hoore, que governava das Ilhas de Ferro até Harrenhal, foi extinta. Aegon deu as Ilhas de Ferro aos Greyjoy e as Terras Fluviais aos Tully — o que era um reino se tornou dois territórios administrativos. As Terras da Coroa surgiram do nada: uma faixa tomada de territórios vizinhos para sustentar a nova capital, Porto Real. Nunca foi um reino independente, mas se tornou uma região governada diretamente pela Coroa. Casas foram extintas ou substituídas: os Gardener morreram no Campo de Fogo, substituídos pelos Tyrell; os Durrandon caíram, mas Orys Baratheon manteve seu lema e símbolo.

Reinos versus regiões: a distinção que Egg simplificou

Reinos versus regiões: a distinção que Egg simplificou

A lista de Egg mistura categorias diferentes. Norte, Terras Ocidentais, Terras da Tempestade, Jardim, Vale e Dorne eram reinos antes de Aegon — continuaram existindo como entidades políticas subordinadas ao Trono de Ferro. Mas Terras Fluviais e Terras da Coroa? Nunca foram reinos.

As Terras Fluviais eram um território historicamente disputado, passando de mão em mão entre reinos vizinhos. Quando Aegon as deu aos Tully, criou uma região administrativa sob um lorde paramount — não um reino no sentido tradicional. Similarmente, as Terras da Coroa eram terra tirada de outros domínios para sustentar a capital, governadas diretamente pelo Trono de Ferro sem casa nobre própria. Chamar isso de “reino” é conveniência administrativa, não precisão histórica.

O que Egg chama de “nove reinos” são, com rigor técnico, nove regiões administrativas: seis reinos originais subordinados (sete contando Dorne, que só se juntou depois), mais dois territórios criados pela reorganização pós-Conquista.

Por que “Sete Reinos” permaneceu como termo oficial

Se existem nove regiões, por que todo mundo em Westeros continua dizendo “Sete Reinos”? Pela mesma razão que chamamos de “Índias Ocidentais” um lugar que nunca foi Índia, ou “Santo Graal” um objeto que provavelmente nunca existiu. Nomes pegam — e “Sete Reinos” tinha peso cultural que “Nove Regiões” jamais teria.

A Fé dos Sete permaneceu religião dominante. O número sete manteve significado místico. Dizer “os Sete Reinos” era evocar uma identidade coletiva, uma marca registrada do continente. Mudar para “Nove” seria admitir que a Conquista quebrou algo sagrado — e os Targaryen eram espertos o suficiente para não fazer isso. Além disso, Dorne só se juntou ao reino muito depois, através de casamento diplomático. Durante boa parte da dinastia Targaryen, eram tecnicamente oito regiões, não nove. A matemática nunca foi simples.

O gag do título mostra quanto a série respeita a lore

A mudança momentânea do título para “A Knight of the Nine Kingdoms” no final do episódio é um daqueles detalhes que separam adaptações competentes de adaptações apaixonadas. É piada interna para fãs obsessivos, mas também statement: esta série vai levar a história de Westeros a sério, mesmo quando brinca com ela.

O showrunner Ira Parker confirmou que não há mudança real de título — foi apenas uma brincadeira visual. Mas essa brincadeira valida Egg como personagem que estuda, que sabe coisas que outros ignoram. O menino que corrige seu cavaleiro sobre o número de reinos é o mesmo que se tornará um dos reis mais estudiosos da história Targaryen. A série planta essa semente com elegância.

Para quem acompanha a franquia desde ‘Game of Thrones’, momentos assim são recompensas. A HBO poderia ter feito um spin-off genérico de fantasia medieval. Em vez disso, escolheu uma história menor, mais íntima, sobre um cavaleiro errante e um príncipe disfarçado — e está usando essa premissa para explorar cantos do mundo que a série principal nunca teve tempo de detalhar.

O que esperar da segunda temporada

Se a primeira temporada já está corrigindo contagem de reinos, podemos esperar mais desse tipo de detalhamento. ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ terá oportunidade única de mostrar Westeros de baixo para cima — não das salas do trono, mas das estradas, pousadas e torneios menores que definem a vida cotidiana.

A segunda temporada já está confirmada, e a jornada de Dunk e Egg através dessas “nove regiões” promete explorar geografia e política que ‘Game of Thrones’ só pôde sugerir. Cada território tem sua cultura, tensões e histórias locais. Um cavaleiro errante e seu escudeiro misterioso são veículos perfeitos para esse tipo de worldbuilding orgânico.

No fim, a correção de Egg encapsula algo fundamental sobre Westeros: o que as pessoas acreditam sobre o mundo frequentemente difere do que o mundo realmente é. “Sete Reinos” é mito conveniente. “Nove regiões” é realidade administrativa. E a distância entre os dois é onde histórias interessantes acontecem.

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Perguntas Frequentes sobre ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’

Quantos reinos existem em Westeros?

Westeros tem nove regiões administrativas, mas o termo “Sete Reinos” permanece oficial. Antes da Conquista de Aegon, eram sete reinos independentes. Aegon desmembrou um reino em dois territórios e criou as Terras da Coroa, resultando em nove regiões.

Onde assistir ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’?

‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ está disponível exclusivamente na HBO Max. A primeira temporada foi lançada em 2026 e a segunda já está confirmada.

Quem é Egg em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’?

Egg é o apelido de Aegon V Targaryen, futuro rei de Westeros. Na série, ele é um príncipe disfarçado que viaja como escudeiro do cavaleiro Dunk. A história se passa cerca de 90 anos antes dos eventos de ‘Game of Thrones’.

Qual a diferença entre os Sete Reinos e as nove regiões?

Os “Sete Reinos” eram os reinos independentes que existiam antes de Aegon. As “nove regiões” são as divisões administrativas criadas após a Conquista: Aegon desmembrou o Reino das Ilhas e Rios em dois e criou as Terras da Coroa, totalizando nove.

Precisa ter visto ‘Game of Thrones’ para entender a série?

Não. ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ funciona como história independente. Porém, quem conhece ‘Game of Thrones’ reconhecerá referências e entenderá melhor o peso de certas revelações sobre a família Targaryen.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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