‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’: por que a série abriu mão das aberturas épicas?

Explicamos por que ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ abandonou as aberturas épicas de ‘Game of Thrones’. Analisamos como o minimalismo da nova série da HBO reflete a jornada íntima de Dunk e Egg, trocando o espetáculo geográfico por uma abordagem mais humana e fiel aos livros.

Quando ‘Game of Thrones’ estreou em 2011, sua abertura se tornou um marco cultural. Aquele mapa mecânico de Westeros, as engrenagens de latão e a trilha triunfante de Ramin Djawadi não eram apenas créditos; eram um guia geográfico indispensável para um público que ainda tentava localizar Winterfell no mapa. ‘A Casa do Dragão’ manteve a tradição, focando na linhagem sanguínea. Por isso, o choque é inevitável quando notamos que ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ abertura épica simplesmente não existe.

A ausência de uma sequência de créditos luxuosa não é falta de verba da HBO — é a primeira grande decisão narrativa da série. Entender por que Dunk não tem um mapa mecânico é entender a alma desta nova fase do universo de George R.R. Martin.

Um cartão de título minimalista em vez de um espetáculo

Um cartão de título minimalista em vez de um espetáculo

Se você piscar no início do episódio, perde os créditos. O título ‘A Knight of the Seven Kingdoms’ surge na tela com uma tipografia medieval rústica, flutua por breves segundos sobre uma imagem estática e desaparece. Não há sangue escorrendo por árvores genealógicas, nem dragões de metal sobrevoando Porto Real. Apenas o silêncio e a história começando.

Essa escolha quebra uma tradição de 13 anos da franquia. Enquanto as séries anteriores usavam a abertura para estabelecer o worldbuilding (geografia em ‘GoT’ e genealogia em ‘HotD’), esta nova produção usa o vazio para estabelecer o tom. É um convite ao intimismo.

A ‘não-abertura’ que reflete a alma de Dunk

Ira Parker, co-criador da série, foi enfático ao explicar que todas as decisões visuais foram filtradas pela perspectiva de Sor Duncan, o Alto. Diferente de Ned Stark ou Rhaenyra Targaryen, Dunk não é um motor da política continental. Ele é um cavaleiro errante que herdou uma armadura remendada de um mestre que acabou de enterrar.

A série abre com uma cena de luto silencioso sob uma chuva fina, não com trombetas. Colocar uma abertura orquestral grandiosa antes dessa sequência seria um erro de tom catastrófico. Dunk é um homem que entra nas estalagens de cabeça baixa, tentando não bater o topo do crânio nas vigas de madeira; uma abertura épica seria o equivalente a anunciá-lo com um arauto real, algo que o personagem detestaria.

O contraste técnico: Geografia vs. Humanidade

O contraste técnico: Geografia vs. Humanidade

A abertura de ‘Game of Thrones’ era um tabuleiro de xadrez porque a série era, em essência, sobre quem movia as peças. Já em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’, o foco não é o mapa, mas as pessoas que caminham por ele. A escala é deliberadamente reduzida.

Enquanto ‘A Casa do Dragão’ usa efeitos visuais complexos para mostrar a inevitabilidade do destino Targaryen, a nova série aposta na simplicidade do ‘Conto de Cavalaria’. Ao abrir mão do espetáculo visual nos primeiros minutos, a HBO comunica ao espectador: ‘Esqueça os exércitos de mortos e as conspirações globais por um momento. Esta é uma história sobre honra, lama e amizade’.

Minimalismo como estratégia de marca

Há algo de corajoso em ignorar o que o público espera. A HBO poderia ter encomendado uma sequência de animação estilizada, talvez simulando as ilustrações das novelas originais, mas optou pelo nada. Essa decisão aproxima a série de dramas de prestígio mais contidos, focados em personagens, e afasta-a da fadiga de blockbusters genéricos.

Para quem leu as histórias de Dunk e Egg, o minimalismo é um alívio. O charme dessas crônicas sempre foi a proximidade com o chão de Westeros. Ao remover a abertura, a série remove a barreira entre o espectador e a realidade crua da estrada. É um respiro necessário em um universo que, por vezes, corre o risco de se tornar pesado demais sob o próprio legado.

O que a ausência de abertura comunica ao fã

A falta de uma abertura épica diz: ‘Ajuste suas expectativas’. Se você veio em busca de dragões queimando frotas navais, talvez se decepcione. Mas se você busca entender o que significa manter a promessa de um cavaleiro em um mundo que já não se importa com elas, você está no lugar certo.

O cartão de título rápido e silencioso é o primeiro sinal de que estamos em um Westeros mais humano. Onde a maior batalha não decide o destino do Trono de Ferro, mas o destino de um jovem escudeiro e seu mestre improvável. E, às vezes, isso é muito mais épico do que qualquer mapa mecânico.

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Perguntas Frequentes sobre ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’

Por que ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ não tem abertura igual a ‘Game of Thrones’?

A escolha foi deliberada para refletir o tom mais íntimo e menos político da série. Enquanto ‘GoT’ focava em geografia e poder, a nova série foca na jornada pessoal de Dunk, um cavaleiro errante de origem humilde.

Onde assistir a série do Dunk e Egg?

A série está disponível exclusivamente na plataforma de streaming Max (antiga HBO Max) e nos canais por assinatura da HBO.

A série é baseada em qual livro de George R.R. Martin?

A série adapta o livro ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’, que reúne três novelas: ‘O Cavaleiro Errante’, ‘A Espada Juramentada’ e ‘O Cavaleiro Misterioso’.

Preciso ter assistido ‘Game of Thrones’ para entender a nova série?

Não é obrigatório. A história se passa cerca de 90 anos antes de ‘Game of Thrones’ e tem um foco muito mais isolado, embora existam referências a famílias e locais conhecidos dos fãs.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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