‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’: onde estão os Starks na série?

Explicamos por que a ausência dos Starks em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ é historicamente precisa. Entenda como as guerras contra Dagon Greyjoy e a Grande Praga da Primavera mantiveram Winterfell isolada do sul 90 anos antes de ‘Game of Thrones’.

Se você veio de ‘House of the Dragon’ esperando ver os Starks em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ com o mesmo protagonismo político de Cregan Stark, o choque de realidade pode ser amargo. Em Winterfell, o lema é ‘O Inverno está Chegando’, mas em 209 AC — ano em que a série se inicia — o Norte está mais preocupado em sobreviver do que em participar de torneios sob o sol do sul.

A ausência da família mais querida de Westeros no Torneio de Ashford não é um descuido. É uma lição de história sobre uma época em que os Sete Reinos eram muito mais fragmentados do que o Império que Robert Baratheon herdaria quase um século depois.

O Torneio de Ashford e o isolamento deliberado do Norte

O Torneio de Ashford e o isolamento deliberado do Norte

‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ adapta o primeiro conto de George R.R. Martin sobre Dunk e Egg. No material original, a Casa Stark sequer é mencionada como participante das listas de Ashford. E os motivos são práticos: a distância e o desinteresse. Cruzar o continente do Gargalo até a Campina (The Reach) exigiria meses de viagem e uma fortuna em suprimentos para participar de uma celebração Targaryen que, para os nortistas, pouco importava.

Diferente de ‘Game of Thrones’, onde Ned Stark é arrastado para o sul por dever, nesta era os Starks operavam sob uma lógica de isolacionismo quase absoluto. Enquanto as casas Baratheon, Tyrell e Lannister buscavam o favor do Rei Daeron II no torneio, o Norte olhava para suas próprias fronteiras.

Beron Stark e a ameaça dos Greyjoy: o que Winterfell enfrentava em 209 AC

Para entender por que não há Starks em Ashford, precisamos olhar para o que estava acontecendo na costa oeste. Enquanto o sul de Westeros celebrava, o Norte estava em guerra. O Lorde de Winterfell na época era Beron Stark, e ele tinha as mãos ocupadas com um problema recorrente: os Homens de Ferro.

Sob o comando de Dagon Greyjoy, os Greyjoy estavam em uma de suas fases mais agressivas de saques, atacando tanto a costa do Norte quanto as Terras Ocidentais (Lannister). Beron Stark estava ocupado convocando vassalos e fortificando defesas para expulsar os invasores. Para um lorde que luta para proteger suas vilas de saques e incêndios, enviar cavaleiros para um torneio festivo no sul seria um insulto ao seu próprio povo.

A Grande Praga da Primavera: o fator silencioso

A Grande Praga da Primavera: o fator silencioso

Outro elemento que a série deve abordar e que justifica o recolhimento das grandes casas é a Grande Praga da Primavera. Esta epidemia devastou Porto Real e cidades do sul, matando inclusive o Rei Daeron II e seus herdeiros imediatos. O Norte, com seu clima frio e baixa densidade populacional, costuma ser o último a ser atingido por pragas sulistas, mas a reação natural de Winterfell sempre foi fechar o Gargalo e isolar-se para evitar o contágio. A ausência em eventos sociais era, acima de tudo, uma medida sanitária e de sobrevivência.

Veremos os Starks em temporadas futuras?

A primeira temporada deve se manter fiel ao conto ‘O Cavaleiro Andante’, focando inteiramente no torneio e na relação entre Dunk e o jovem Egg. No entanto, se a série avançar para os contos seguintes ou explorar materiais inéditos que Martin rascunhou, a possibilidade aumenta. Existe um conto nunca finalizado por Martin, provisoriamente chamado de ‘The She-Wolves of Winterfell’ (As Lobas de Winterfell), que levaria Dunk e Egg diretamente para o Norte para resolver uma crise de sucessão após a morte de Beron Stark.

Até lá, ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ nos oferece uma perspectiva rara: um Westeros onde os Starks são apenas uma lenda distante para os cavaleiros do sul, e não os protagonistas do destino do reino. É uma oportunidade de ver o mundo através dos olhos de quem não tem um lobo gigante para protegê-lo.

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Perguntas Frequentes sobre os Starks na nova série

Quem era o Lorde de Winterfell durante ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’?

O Lorde de Winterfell era Beron Stark. Ele governava o Norte durante o reinado de Daeron II e passou grande parte de seu tempo combatendo os saques dos Homens de Ferro liderados por Dagon Greyjoy.

A série se passa quanto tempo antes de Ned Stark?

A série começa em 209 AC, aproximadamente 89 a 90 anos antes dos eventos da primeira temporada de ‘Game of Thrones’. Ned Stark ainda não era nascido; ele nasceria cerca de 50 anos após esses eventos.

Por que os Starks não participaram do Torneio de Ashford?

Principalmente devido à distância geográfica e a conflitos internos no Norte, especificamente a necessidade de defender suas costas contra os Greyjoy. Além disso, o Norte estava se protegendo da Grande Praga da Primavera que assolava o Sul.

Veremos Winterfell na série?

Na primeira temporada, é improvável. No entanto, se a série adaptar o conto planejado por George R.R. Martin chamado ‘As Lobas de Winterfell’, os protagonistas viajarão para o Norte em temporadas futuras.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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