‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’: mudança na 2ª temporada sinaliza fidelidade aos livros

A correção no visual de Ser Duncan para a segunda temporada de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ revela uma filosofia de adaptação que prioriza a fidelidade ao texto de George R. R. Martin. Analisamos por que esse detalhe importa e o que sinaliza sobre o futuro da série.

Quando Peter Claffey foi escalado como Ser Duncan, o Alto, fãs dos livros notaram imediatamente: faltava algo. O ator tinha o físico imponente do personagem, mas seu cabelo curto destoava da descrição de George R. R. Martin — que fala em madeixas grossas, desgrenhadas, “marcadas pelo sol do verão”. Parecia um detalhe menor. Não era. E agora, com a confirmação de O Cavaleiro dos Sete Reinos 2ª temporada, a correção desse detalhe revela algo maior sobre a filosofia por trás desta adaptação.

A correção que ninguém esperava — mas todos precisavam

A correção que ninguém esperava — mas todos precisavam

Em entrevista à BAFTA, o showrunner Ira Parker e Claffey comentaram a questão com uma naturalidade que diz muito. “Acho que a única diferença era Dunk não ter cabelo comprido”, admitiu o ator. Parker completou, apontando para as madeixas mais longens de Claffey: “Mas agora—”. A piada veio em seguida: “Não cortei o cabelo… com os dedos cruzados esperando que pudéssemos fazer de novo.”

Tradução simples: eles sabiam que estava errado. E agora têm a chance de acertar.

Nos contos originais de “Dunk e Egg”, a aparência de Duncan não é enfeite — é caráter. Seu cabelo desgrenhado contrasta deliberadamente com os cavaleiros polidos da corte. Ele é um cavaleiro andante no sentido mais literal: vive na estrada, dorme ao relento, carrega seu próprio equipamento. O visual de alguém que não tem escudeiros nem pajens. Quando a primeira temporada ignorou esse detalhe, perdeu uma camada de caracterização que nenhum diálogo substitui.

Por que “adaptação fiel” pesa tanto no universo de Game of Thrones

Parker contou que Martin repetiu a frase “adaptação fiel” sete vezes nos primeiros três minutos de reunião em Santa Fé. Soa como obsessão — e talvez seja. Mas há motivo.

A saga de Westeros carrega o trauma de uma adaptação que, em suas temporadas finais, precisou inventar quando o material original acabou. Os resultados dividiram o público de forma brutal. Game of Thrones terminou com uma controvérsia que ainda ecoa, e A Casa do Dragão lida com isso de outra forma: adaptando um texto “histórico” com versões conflitantes, o que dá liberdade criativa sem trair o espírito do original.

O Cavaleiro dos Sete Reinos ocupa um espaço diferente. As novelas curtas de Dunk e Egg são completas, publicadas, com começo, meio e fim definidos. Não há o risco de a série ultrapassar o material — existe a responsabilidade de honrá-lo.

A escolha de seis episódios de 30 minutos para a primeira temporada reflete isso. Parker explicou que a estrutura preserva o núcleo das novelas de cerca de 100 páginas. Não é ambição de blockbuster; é respeito pela forma original.

O que a mudança no cabelo de Dunk revela sobre o futuro da série

O que a mudança no cabelo de Dunk revela sobre o futuro da série

A segunda temporada vai adaptar “The Sworn Sword”, a segunda novela da série. Nela, Duncan passa ainda mais tempo na estrada, vivendo de forma mais precária como cavaleiro andante. Se o visual dele estivesse errado, isso ficaria gritante.

O fato de a produção estar disposta a corrigir um detalhe aparentemente pequeno sinaliza algo: eles ouvem. E entendem que no universo de Martin, detalhes aparentemente pequenos nunca são pequenos de verdade.

A série estreou com média de 13 milhões de espectadores por episódio — números que justificam a renovação e validam a abordagem. Mas números não garantem legado. O que garante é a integridade criativa demonstrada em escolhas como esta.

Fidelidade ao livro não é promessa vazia — é estratégia de sobrevivência

Confesso: quando ouço “adaptação fiel” em Hollywood, meu primeiro instinto é ceticismo. A frase virou marketing, não compromisso. Mas aqui, as ações acompanham as palavras. A correção no visual de Duncan não foi forçada por pressão de fãs nas redes sociais — foi uma decisão interna de alguém que leu o livro e percebeu o erro.

Isso importa. Em uma era de adaptações que mudam gêneros, personalidades e até finais para “modernizar” obras amadas, O Cavaleiro dos Sete Reinos escolhe o caminho oposto: confiar que o material original funciona exatamente como está.

A primeira temporada termina em 22 de fevereiro de 2026 na HBO e HBO Max. Se você ainda não assistiu, vale a pena. Não é a grandiosidade épica de Game of Thrones nem a intriga política de A Casa do Dragão. É algo mais íntimo: a história de um cavaleiro que mal sabe ler e um garoto que um dia será rei, vagando por um mundo que não tem paciência para nenhum dos dois.

E agora, pelo menos, esse cavaleiro vai ter o cabelo certo.

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Perguntas Frequentes sobre O Cavaleiro dos Sete Reinos

Quando estreia a 2ª temporada de O Cavaleiro dos Sete Reinos?

A HBO ainda não anunciou a data de estreia da segunda temporada. A primeira temporada termina em 22 de fevereiro de 2026, então a continuação deve chegar apenas em 2027.

Quantos episódios tem a 1ª temporada de O Cavaleiro dos Sete Reinos?

A primeira temporada tem seis episódios de aproximadamente 30 minutos cada, totalizando cerca de 3 horas de conteúdo.

Onde assistir O Cavaleiro dos Sete Reinos?

A série está disponível na HBO (canal a cabo) e no streaming HBO Max. É uma produção original da HBO.

Quais livros O Cavaleiro dos Sete Reinos adapta?

A série adapta as novelas curtas “Dunk e Egg” de George R. R. Martin: “The Hedge Knight” (1ª temporada), “The Sworn Sword” (2ª temporada) e “The Mystery Knight”. São prequelas de Game of Thrones situadas cerca de 90 anos antes.

O Cavaleiro dos Sete Reinos tem conexão com Game of Thrones?

Sim. A série se passa no mesmo universo de Game of Thrones, aproximadamente 90 anos antes dos eventos da série principal. O garoto Egg é Aegon V Targaryen, que se tornará rei de Westeros.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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