O showrunner de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ confirmou o elo visual com Game of Thrones: Dunk e Brienne percorrem a mesma estrada em Belfast. Entenda como a conexão reforça a herança genealógica entre os cavaleiros e por que é declaração temática, não fan service.
O showrunner de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ confirmou oficialmente o que fãs atentos já suspeitavam: há uma conexão visual direta com Game of Thrones. Não é fan service vazio — é uma declaração de herança genealógica feita através de paisagem, usando a mesma locação física para unir personagens separados por gerações na cronologia de Westeros.
A revelação veio de Ira Parker em entrevista ao Business Insider. O momento acontece no episódio 5, “In the Name of the Mother”, quando um jovem Dunk caminha pela Kingsroad ao lado de seu amigo de infância Rafe, retornando para King’s Landing. A cena é silenciosa, quase casual — exceto por um detalhe que nenhum cenário digital poderia replicar.
A mesma estrada, separada por séculos de ficção
Parker foi direto: “É a mesma estrada em Belfast, as mesmas árvores e tudo mais. Não há nenhuma atenção chamada para isso, mas qualquer fã profundo da série vai perceber.” A locação é idêntica à usada em Game of Thrones, temporada 4, episódio 5 — “First of His Name”. Nesse episódio, Jaime Lannister manda Brienne de Tarth embora de King’s Landing, e ela segue pela Kingsroad. Mesma estrada. Mesmas árvores. Mesma geografia física.
O que poderia ser apenas uma decisão prática de produção — reutilizar uma locação conhecida — se transforma em algo significativo quando você entende a ligação entre os personagens. Brienne é descendente direta de Ser Duncan, o Alto. George R.R. Martin confirmou essa linhagem em 2016. Então, quando vemos Dunk e Brienne percorrendo o mesmo caminho físico, separados por gerações, a série está visualizando algo que antes só existia em genealogias de livros.
A escolha de não chamar atenção para o paralelo é o que torna o Easter egg elegante. Não há zoom dramático, não há trilha que sobe de tom, não há corte que force o espectador a comparar. É um segredo compartilhado entre a produção e os fãs mais dedicados — aqueles que assistem com atenção arqueológica, caçando camadas de significado.
Dunk e Brienne: dois cavaleiros à margem da nobreza
A conexão visual não é acidental porque os personagens seguem trajetórias espelhadas. Ambos são marcados pela altura incomum e força física que os torna intimidantes, mas também os condena a serem subestimados como cavaleiros “convencionais”. Ambos lutam para ser levados a sério em uma sociedade que julga valor pela aparência e linhagem. E ambos são movidos por um código de honra que parece anacrônico — ou ingênuo — para o mundo brutal em que vivem.
Dunk começa sua jornada como um cavaleiro errante sem linhagem nobre clara, tendo que provar seu valor constantemente. Brienne, em Game of Thrones, enfrenta o mesmo tipo de preconceito duplo: por ser mulher e por não se encaixar nos padrões de feminilidade esperados. A série de 2026 e a de 2011-2019 estão em diálogo constante sobre o que significa ser um “verdadeiro cavaleiro” em um mundo onde a cavalaria é frequentemente uma fachada para brutalidade.
Quando Brienne finalmente é reconhecida como cavaleira em Game of Thrones — por Jaime, de todas as pessoas — o momento carrega peso porque sabemos o quanto ela lutou. Ver Dunk trilhar um caminho similar no prequel adiciona camadas a essa jornada. Não é apenas uma mulher lutando contra expectativas de gênero. É uma linhagem inteira de cavaleiros que sempre esteve à margem do que a sociedade considerava “propriamente nobre”.
O Livro dos Irmãos e a profecia acidental de Joffrey
Há outra conexão textual que fãs de longa data reconhecerão. Em Game of Thrones, temporada 4, Joffrey Baratheon folheia o Livro dos Irmãos — o registro histórico da Guarda Real — e faz um comentário aparentemente casual: “Ser Duncan, o Alto. Quatro páginas para Ser Duncan. Deve ter sido um grande homem.” A ironia é que Joffrey, em toda sua arrogância, está acidentalmente certo. Dunk é um dos maiores cavaleiros da história de Westeros, mas não pelos motivos que Joffrey imaginaria.
A menção funciona como um tipo de profecia invertida. O público que conhece os contos de Dunk e Egg sabe que aquele escudeiro aparentemente insignificante que acompanha Dunk se tornará Rei Aegon V Targaryen. E que Dunk será recrutado como Lord Comandante da Guarda Real. As “quatro páginas” que Joffrey desdenha contêm aventuras que definiram a história de Westeros por gerações.
Essa é a genialidade do universo expandido de Martin. Referências que pareciam background tornam-se significativas quando você retrocede. O que parecia um nome em um livro velho se revela um protagonista cuja linhagem influencia eventos séculos depois.
Por que Easter eggs bem feitos são declaração temática
Facilmente, essa confirmação de Parker poderia ser descartada como “apenas um Easter egg”. Mas Easter eggs bem executados não são apenas winks para a câmera. São declarações temáticas. Quando a produção escolhe deliberadamente a mesma locação para Dunk e Brienne, está dizendo algo sobre herança, sobre continuidade, sobre como os passos que damos hoje ecoam em gerações futuras.
Para os fãs que acompanham ambas as séries, o reconhecimento dessa conexão oferece uma satisfação específica — a de ver que a HBO está tratando o universo com a seriedade que ele merece. Não é apenas sobre manter consistência de lore. É sobre usar a linguagem visual para contar uma história que atravessa séculos de cronologia fictícia.
A série termina em 22 de fevereiro, com o episódio final disponível na HBO. Se você é daqueles que assiste com pausa para capturar detalhes de cenário, vale voltar ao episódio 5 e conferir a Kingsroad com novos olhos. Aquele caminho não é apenas uma estrada em Belfast. É uma ponte entre gerações de cavaleiros que, separados por tempo, compartilham o mesmo tipo de honra teimosa.
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Perguntas Frequentes sobre O Cavaleiro dos Sete Reinos
Onde assistir O Cavaleiro dos Sete Reinos?
A série está disponível na HBO e HBO Max. Todos os episódios da primeira temporada foram lançados semanalmente até o final em 22 de fevereiro de 2026.
Quantos episódios tem O Cavaleiro dos Sete Reinos?
A primeira temporada tem 6 episódios. A série é uma produção mais enxuta em comparação com Game of Thrones, focada nos contos de Dunk e Egg.
Brienne de Tarth é descendente de Ser Duncan?
Sim. George R.R. Martin confirmou em 2016 que Brienne é descendente direta de Ser Duncan, o Alto. A conexão visual da Kingsroad em Belfast reforça essa herança genealógica na tela.
Em qual episódio aparece a conexão visual com Game of Thrones?
A cena da Kingsroad aparece no episódio 5, “In the Name of the Mother”, quando Dunk e Rafe caminham de volta para King’s Landing. É a mesma locação usada em Game of Thrones S4E5 com Brienne.
A série é baseada em qual livro?
A série adapta os contos de “Dunk e Egg” de George R.R. Martin, reunidos no livro “O Cavaleiro dos Sete Reinos” (The Hedge Knight, The Sworn Sword e The Mystery Knight).

