Luciane Buchanan não retorna como Rose na 3ª temporada de ‘O Agente Noturno’. Explicamos por que a ausência foi escolha narrativa consciente, não conflito de bastidores, e como a série mantém a personagem relevante mesmo fora da tela.
Quando a Netflix anunciou que Rose não estaria na terceira temporada de ‘O Agente Noturno’, a reação inicial foi de frustração. Rose Larkin não era apenas uma coadjuvante — ela era o motor narrativo da série desde o primeiro episódio. Foi a ligação desesperada dela para o Night Action que arrastou Peter Sutherland para a conspiração central. A química com Gabriel Basso dava à série um peso emocional que a diferenciava de outros thrillers políticos genéricos. Tirá-la do jogo parecia, à primeira vista, um erro criativo. Mas após assistir aos dez episódios da nova temporada, a ausência começa a fazer sentido — não como uma perda, mas como uma escolha narrativa necessária.
A ausência não foi conflito — foi decisão de roteiro
Antes de especular sobre brigas nos bastidores ou disputas contratuais, é importante esclarecer: Luciane Buchanan não saiu por desentendimento. A atriz anunciou a ausência meses antes da estreia com tom positivo, explicando que os roteiristas “decidiram seguir a jornada de Peter com base no final da segunda temporada”. Shawn Ryan, criador da série, confirmou a versão e acrescentou um detalhe crucial: O Agente Noturno foi concebido como uma série com “elenco rotativo” por temporada.
Isto não é um eufemismo para dispensar atores. É um modelo narrativo legítimo — pense em American Horror Story ou na forma como True Detective reinventa-se a cada ano. O problema é que O Agente Noturno não foi vendido assim desde o início. O público criou apego a Peter e Rose como dupla fixa. Quando a série muda as regras no meio do jogo, o impacto é inevitável.
O espaço narrativo que Rose ocupava — e precisava ser esvaziado
A terceira temporada coloca Peter em um lugar moralmente complicado. No final da segunda, ele cometeu um ato ilegal para salvar a vida de Rose — um favor para o ambíguo Jacob Monroe. Esse peso na consciência é o fio condutor do arco emocional dele. Ter Rose por perto enfraqueceria essa tensão. Peter precisa se distanciar dela para protegê-la e para processar o que ele se tornou.
Há também um fator estrutural: a temporada investe pesado em Isabel De Leon como protagonista secundária. A conspiração central envolve diretamente o passado dela, não o de Peter. Adicionar Rose nessa dinâmica seria sobrecarregar uma narrativa que já precisa equilibrar dois arcos principais.
O estado mental de Rose tornava sua participação forçada
Vamos ser honestos sobre a segunda temporada: Rose estava arrasada. Os eventos de Camp David deixaram sequelas psicológicas claras — sintomas de PTSD que ela mal conseguia disfarçar. Enfrentar mais uma conspiração, mais criminosos, mais risco de morte seria inverossímil. O romance dela com Peter foi construído inteiramente sobre trauma compartilhado. Ambos precisavam de espaço para entender se o que sentiam era amor ou apenas apego emocional em meio ao caos.
Havia indícios de que Rose poderia se juntar ao Night Action, mas isso nunca fez sentido. Uma CEO de tech com transtorno de estresse pós-traumático não se torna agente de campo da noite para o dia. Permitir que ela seguisse sua carreira — longe de tiros e conspirações — foi a escolha mais respeitosa com a personagem.
Rose permanece relevante mesmo fora da tela
O que mais impressiona na terceira temporada é como os roteiristas mantêm Rose presente sem que ela apareça. Em um momento específico, Peter menciona explicitamente que qualquer deslize com Jacob Monroe pode custar a vida dela. Essa tensão paira sobre cada decisão dele — e nós, como público, sentimos esse peso. Rose é uma presença fantasma, uma motivação invisível que molda as ações do protagonista.
Isso é escrita inteligente. Poderiam ter ignorado completamente a existência dela, criando uma discontinuidade irritante. Em vez disso, transformaram a ausência em elemento narrativo. Peter não esqueceu Rose. O público também não deveria.
Luciane Buchanan pode voltar em temporadas futuras?
Buchanan deixou a porta aberta: “Se houver uma oportunidade que faça sentido para a história, tenho certeza que vão explorar”. O final da terceira temporada reforça essa possibilidade — Rose é mencionada quando Peter decide tirar um tempo para se recuperar antes de aceitar outro caso.
O romance permanece irresolvido. Peter claramente não seguiu em frente. E essa pausa forçada pode dar a Rose o desenvolvimento que ela precisava: a chance de se reenquadrar emocionalmente longe do trauma. Se ela retornar em uma quarta temporada, não será a mesma pessoa que deixamos na segunda. Estará mais estável, mais inteira — e isso abre possibilidades narrativas que não existiriam se ela tivesse sido arrastada para mais uma conspiração imediatamente.
Veredito: a ausência foi a escolha certa?
Dói admitir, mas provavelmente sim. A terceira temporada de O Agente Noturno precisava quebrar o padrão para não se tornar repetitiva. A mesma fórmula de “Peter e Rose contra o mundo” funcionaria uma vez, talvez duas, mas começaria a definhar. Ao afastar Rose, a série força Peter a crescer sozinho — e abre espaço para que outros personagens, como Isabel, ganhem protagonismo.
O modelo de elenco rotativo é arriscado. Pode afastar fãs que se apegaram à dinâmica original. Mas também permite que a série se reinvente a cada ano, evitando a fadiga que mata tantas produções longas. A questão agora é: quando Rose retornar, os roteiristas saberão usar essa personagem de forma nova? Ou cairão na tentação de repetir a mesma química de sempre?
Se você sentiu falta de Rose durante os episódios, entendo perfeitamente. Mas seria melhor tê-la presente em uma história que não a serviria, ou esperar por um retorno que faça justiça ao que ela representa na série? Às vezes, o maior respeito que uma série pode ter com um personagem é saber quando deixá-lo respirar fora da tela.
Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!
Perguntas Frequentes sobre ‘O Agente Noturno’
Por que Rose não aparece na 3ª temporada de ‘O Agente Noturno’?
A ausência foi uma decisão criativa dos roteiristas, não um conflito com a atriz Luciane Buchanan. A série foi concebida com modelo de elenco rotativo, e a narrativa da terceira temporada exigia que Peter Sutherland operasse sozinho, carregando o peso moral de decisões anteriores relacionadas a Rose.
Rose volta na 4ª temporada de ‘O Agente Noturno’?
Não há confirmação oficial, mas Luciane Buchanan deixou a porta aberta para retorno. O final da terceira temporada menciona Rose explicitamente, e o romance com Peter permanece irresolvido — sinais de que a personagem pode reaparecer em temporadas futuras.
Onde assistir ‘O Agente Noturno’?
‘O Agente Noturno’ é uma produção original Netflix. Todas as três temporadas estão disponíveis exclusivamente na plataforma.
Quem substitui Rose na 3ª temporada?
Isabel De Leon, interpretada por Brittany Snow, assume o papel de protagonista secundária na terceira temporada. A conspiração central envolve diretamente o passado dela, dando a personagem um arco próprio e independente.
Quantos episódios tem a 3ª temporada de ‘O Agente Noturno’?
A terceira temporada tem 10 episódios, mesma quantidade das temporadas anteriores. Cada episódio tem aproximadamente 45-50 minutos de duração.

