New Vegas em ruínas: Por que a série ‘Fallout’ subverteu a maior expectativa dos fãs

Analisamos como a 2ª temporada de ‘Fallout’ chocou os fãs ao mostrar New Vegas em ruínas. Entenda o que a queda da Strip e a ausência de Robert House significam para o futuro do lore e por que o silêncio da cidade é mais perturbador que a guerra de facções.

Após três episódios atravessando o Mojave e acompanhando Lucy e o Ghoul em direção ao brilho icônico de New Vegas, o quarto episódio da 2ª temporada de ‘Fallout’ finalmente nos coloca diante dos portões da Strip. Mas o que encontramos não é o espetáculo de luzes prometido no final da primeira temporada. A série optou por uma desconstrução brutal: New Vegas está em ruínas, mergulhada em um silêncio que ecoa mais alto que qualquer explosão nuclear.

A Strip está às escuras. Os letreiros de neon, que deveriam ser faróis de civilização no deserto, pendem quebrados. Não há securitrons patrulhando, nem o zumbido de vida artificial que definia o oásis de Robert House. Em vez de apostadores, encontramos ninhos de Deathclaws saindo do Gomorrah. Para quem dedicou centenas de horas ao RPG de 2010, a imagem é um soco no estômago — e uma prova de que a Amazon não pretende se escorar em fan service nostálgico.

A Strip como oásis: O peso simbólico da queda

A Strip como oásis: O peso simbólico da queda

No jogo original, New Vegas era a anomalia necessária. Enquanto o Mojave apodrecia, Robert House mantinha a ordem através de um capitalismo tecnocrático implacável. Era o único lugar onde o futuro parecia estar sendo construído, não apenas reciclado. A decisão da série de transformar esse bastião em um cemitério urbano subverte a maior expectativa dos fãs: a de que veríamos a política das facções (NCR, Legião e House) em pleno vigor.

O estado da cidade sugere que a queda não foi um processo lento de decadência, mas um evento catastrófico e recente. A presença de um Deathclaw adulto estabelecendo ninho no meio da rua principal é um detalhe ecológico fundamental: esses predadores não ocupam territórios urbanos ativos. Se eles estão lá, é porque a cidade foi esvaziada rapidamente, deixando um vácuo de poder que a natureza do Wasteland prontamente preencheu.

O enigma de Robert House: Ausência ou aniquilação?

A pergunta que domina o episódio é o paradeiro de Robert House. No cânone dos jogos, House é a cidade. Seus olhos estão em cada tela, sua vontade em cada robô. A ausência total de qualquer sinal de sua presença no Lucky 38 é uma declaração narrativa ousada. Ou House foi finalmente desconectado — talvez por uma versão do ‘Courier’ que a série ainda não revelou — ou ele abandonou o projeto New Vegas após os eventos de Shady Sands.

Considerando que a Vault-Tec, agora confirmada como a mão invisível por trás do fim da NCR, tinha conexões com House no pré-guerra, o mistério se aprofunda. Se a corporação decidiu ‘limpar o tabuleiro’, House pode ter passado de aliado a alvo. A série sugere que ninguém, nem mesmo um gênio imortal em uma câmara criogênica, está a salvo da agenda de ‘recomeço’ da Vault-Tec.

A ‘síndrome de Rapture’: Por que o silêncio é a escolha certa

A 'síndrome de Rapture': Por que o silêncio é a escolha certa

Minha reação inicial, como fã fervoroso de ‘Fallout: New Vegas’, foi de frustração. Ver a Strip reduzida a escombros parece, à primeira vista, um desperdício de potencial iconográfico. No entanto, analisando a estrutura da série, a escolha faz sentido. New Vegas em ruínas evoca a mesma melancolia de Rapture em ‘BioShock’: o horror de chegar a um lugar que deveria ser magnífico e encontrar apenas os ossos da arquitetura.

Se a cidade estivesse funcionando, teríamos uma trama política densa que poderia desviar o foco da jornada pessoal de Lucy e do Ghoul. Ao transformar a Strip em um mistério arqueológico, a série mantém a tensão. O Ghoul, um veterano de 200 anos, parece genuinamente perturbado com o cenário. Se ele não sabia da queda, significa que o colapso de Vegas é o capítulo mais recente — e talvez o mais perigoso — da história do Mojave.

Para os fãs: Evolução do lore ou traição ao material original?

A série está claramente escrevendo uma nova cronologia que se passa 15 anos após os eventos do jogo de 2010. Aceitar que New Vegas caiu não significa apagar as conquistas dos jogadores, mas reconhecer que, no universo de ‘Fallout’, a entropia sempre vence. A Strip vazia é um lembrete de que o ‘velho mundo’, mesmo em sua versão pós-apocalíptica de luxo, era insustentável.

Resta saber se os próximos episódios explorarão o interior do Lucky 38 ou se a cidade servirá apenas como um cenário de transição. Para uma produção deste orçamento, o minimalismo do silêncio em New Vegas é uma escolha corajosa que prefere a atmosfera ao espetáculo gratuito. É um ‘Fallout’ que respeita o passado, mas não tem medo de enterrá-lo para contar algo novo.

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Perguntas Frequentes sobre New Vegas na 2ª temporada de Fallout

Em que ano se passa a 2ª temporada de Fallout?

A série se passa em 2296, aproximadamente 15 anos após os eventos do jogo ‘Fallout: New Vegas’ (que ocorre em 2281). Isso explica por que o estado da cidade mudou tanto.

Robert House aparece na 2ª temporada?

Até o episódio 4, Robert House é mencionado e seu legado é discutido, mas sua presença física (ou digital) no Lucky 38 permanece um mistério central da temporada.

Por que New Vegas está destruída na série?

A série sugere que um evento catastrófico recente, possivelmente ligado à Vault-Tec ou ao colapso das facções locais (NCR e Legião), levou ao abandono da Strip e à infestação de Deathclaws.

A série Fallout é canônica com os jogos?

Sim, Todd Howard da Bethesda confirmou que os eventos da série da Amazon fazem parte do cânone oficial do universo Fallout, funcionando como uma continuação da linha do tempo.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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