Neve Campbell fecha contrato de US$ 7 milhões para ‘Pânico 7’ — o maior da história da franquia. Analisamos como a crise do projeto (saídas de Melissa Barrera e Jenna Ortega) criou a alavanca perfeita para a atriz negociar, e o que isso revela sobre valor de mercado em Hollywood.
Depois de um impasse público que custou sua presença em ‘Pânico 6’, Neve Campbell voltou à franquia que ajudou a construir — e dessa vez, com um contrato que valida exatamente o que ela sempre disse: seu valor é inegociável. O salário de Neve Campbell em ‘Pânico 7’ — aproximadamente US$ 7 milhões para reprisar Sidney Prescott — não é apenas um número de manchete. É o desfecho de uma disputa que expôs como Hollywood avalia (e desvaloriza) mulheres em franchises de terror.
O valor, reportado pela Variety, coloca Campbell em uma posição curiosa: ela recebe mais que o triplo do que Courteney Cox embolsaria pelo mesmo filme — cerca de US$ 2 milhões, segundo reportagens. A diferença salarial entre as duas estrelas originais é gritante, mas faz sentido quando você entende o contexto negocial que se formou nos últimos dois anos.
Como a crise de ‘Pânico 7’ virou alavanca para Campbell
Em 2022, Campbell fez o que poucos atores em franchises grandes têm coragem de fazer: disse não. “Eu não senti que o que estava sendo oferecido equivalia ao valor que eu trago para esta franquia”, ela disse ao People na época. A declaração foi um balde de água fria nos fãs, mas também um momento de respeito — raramente vemos alguém recusar um paycheck estável em nome de princípio.
O que aconteceu depois transformou radicalmente o jogo de poder. Melissa Barrera, que deveria liderar a nova geração da franquia, foi demitida em novembro de 2023 após posts sobre o conflito Israel-Hamas. Jenna Ortega, a outra âncora do reboot, saiu logo em seguida citando conflito de agenda com a segunda temporada de ‘Wandinha’. O diretor escalado, Christopher Landon, também deixou o projeto. De repente, ‘Pânico 7’ estava sem duas estrelas, sem diretor, e com uma pergunta urgente flutuando no ar: e agora?
A resposta óbvia era Sidney Prescott. Sem o elenco jovem para carregar o filme, a Paramount e a Spyglass não tinham escolha — precisavam da original. Campbell negociou de uma posição de força que não existia quando ela recusou ‘Pânico 6’. Os US$ 7 milhões são, em parte, um reconhecimento disso. São também um reconhecimento de que, tirando Barrera e Ortega, o elenco de retorno é composto por nomes que não abrem filmes sozinhos: Matthew Lillard, David Arquette, Scott Foley. Nomes amados, mas nenhum deles é “o rosto de Pânico”. Campbell é.
O orçamento inchado e o preço da nostalgia
‘Pânico 7’ vai custar US$ 45 milhões — um salto de quase 30% em relação aos US$ 35 milhões de ‘Pânico 6’. Parte disso é inflação pura e simples. Parte é o contrato de Campbell. Mas há também o custo de um ano de atraso: o projeto ficou em limbo após as saídas de 2023, e tempo em Hollywood significa dinheiro gasto em desenvolvimento parado.
O investimento faz sentido comercial quando você olha para o desempenho do filme anterior. ‘Pânico 6’ faturou US$ 166 milhões globalmente — um resultado sólido para uma produção de US$ 35 milhões. A matemática é simples: se ‘Pânico 7’ performar no mesmo patamar, os US$ 45 milhões se pagam com folga. A aposta da Paramount é que o retorno de Campbell, combinado com a direção de Kevin Williamson (o roteirista original de 1996 assumindo a cadeira de diretor pela primeira vez na franquia), vai gerar um hype que compensa a ausência do elenco jovem.
Williamson, por sinal, foi trazido para reescrever o roteiro por US$ 500.000 — uma fração do que Campbell está recebendo. Diz algo sobre como Hollywood valoriza rostos versus palavras na tela.
Por que Sidney Prescott é insubstituível (e Campbell sabe disso)
Eu poderia listar estatísticas, mas prefiro fazer uma pergunta: qual outra atriz de terror tem a conexão emocional que Campbell tem com o público? Jamie Lee Curtis é a única que vem à mente, e Laurie Strode não é Sidney Prescott — são arquétipos diferentes, jornadas diferentes. Campbell passou 25 anos construindo uma personagem que evoluiu de vítima para sobrevivente para guerreira. Quando ela não apareceu em ‘Pânico 6’, o filme funcionou, mas sentia que faltava algo. Como um final de frase sem ponto final.
A trama de ‘Pânico 7’ confirma isso: Sidney agora tem uma vida construída, marido, filha. Ghostface volta e mira na criança. É impossível não ver isso como uma metáfora para o que a franquia está fazendo — atacando o que Sidney tem de mais precioso, forçando-a a mais uma rodada de violência. Funciona como narrativa e funciona metalinguisticamente: a franquia não consegue deixar sua matriarca em paz.
Os US$ 7 milhões são altos para o padrão de filmes de terror, mas baixos para o que blockbusters pagam seus protagonistas homens. É um valor que reconhece a importância de Campbell sem romper completamente com a hierarquia de gênero de Hollywood. Uma vitória, mas uma vitória parcial.
‘Pânico 7’ é um teste para a franquia — e para Hollywood
Reportagens já indicam que planos para ‘Pânico 8’ existem. A Paramount e a Spyglass claramente veem Ghostface como uma mina de ouro que não vai secar tão cedo. Mas o sucesso de ‘Pânico 7’ depende de uma pergunta que nenhum valor de contrato responde: o público quer ver Sidney Prescott de volta, ou já tinha se apegado à nova geração?
Minha leitura: ambos podem coexistir. O reboot de 2022 funcionou porque equilibrou nostalgia com sangue novo. ‘Pânico 6’ provou que a franquia sobrevive sem Campbell, mas também provou que a ausência deixa um buraco. ‘Pânico 7’ é a chance de reconciliar essas duas verdades — desde que Williamson, pela primeira vez na direção, consiga entregar um filme que honre o legado sem depender apenas dele.
O salário recorde de Campbell é uma notícia positiva para atrizes em franchises de terror, um nicho historicamente mal remunerado. Mas é também um lembrete de que valor de mercado é uma questão de alavancagem. Ela só conseguiu esse contrato porque o projeto desmoronou ao redor dela. A pergunta desconfortável: se Barrera e Ortega tivessem ficado, Campbell estaria recebendo US$ 7 milhões? Provavelmente não.
A indústria não recompensa princípio. Recompensa poder circunstancial. Campbell teve a sorte — e a paciência — de esperar suas circunstâncias mudarem. Agora, só resta ver se ‘Pânico 7’ justifica cada centavo do investimento.
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Perguntas Frequentes sobre o retorno de Neve Campbell a ‘Pânico 7’
Quanto Neve Campbell vai receber em ‘Pânico 7’?
Neve Campbell vai receber aproximadamente US$ 7 milhões para reprisar Sidney Prescott em ‘Pânico 7’ — o maior salário da história da franquia, segundo reportagem da Variety.
Por que Neve Campbell não estava em ‘Pânico 6’?
Neve Campbell recusou participar de ‘Pânico 6’ (2023) por questões salariais. Ela declarou ao People que o valor oferecido “não equivalia ao valor que ela trazia para a franquia”.
Quando estreia ‘Pânico 7’?
‘Pânico 7’ ainda não tem data de estreia confirmada. O filme sofreu atrasos após as saídas de Melissa Barrera, Jenna Ortega e do diretor Christopher Landon em 2023. Kevin Williamson assumiu a direção e a produção deve começar em 2025.
Quem mais está no elenco de ‘Pânico 7’?
Além de Neve Campbell como Sidney Prescott, o elenco confirmado inclui Courteney Cox (Gale Weathers), David Arquette (Dewey Riley), Matthew Lillard (Stu Macher) e Scott Foley (Roman Bridger). Jenna Ortega e Melissa Barrera não retornam.
Qual o orçamento de ‘Pânico 7’?
‘Pânico 7’ terá orçamento de aproximadamente US$ 45 milhões — um aumento de quase 30% em relação aos US$ 35 milhões de ‘Pânico 6’. Parte do aumento vem do contrato recorde de Neve Campbell.

