Nesta semana na Netflix, analisamos o adeus histórico de ‘Queer Eye’ em Washington e o resgate necessário de ‘Southland’, a série policial que humilha os procedurais modernos pelo seu realismo cru. Saiba por que esses títulos — e não os lançamentos genéricos — merecem seu play entre 19 e 23 de janeiro.
A curadoria da Netflix para a penúltima semana de janeiro de 2026 reflete um streaming em crise de identidade: de um lado, a despedida calculada de um de seus pilares de prestígio; do outro, a ressurreição de uma série policial de 17 anos que o algoritmo finalmente entendeu ser valiosa. Se você busca o que assistir na Netflix entre 19 e 23 de janeiro, o cardápio exige discernimento. Nem todo ‘resgate’ é ouro, e nem todo adeus é tão sofrido quanto parece.
O fim de uma era: ‘Queer Eye’ e o peso simbólico de Washington, D.C.
A décima e última temporada de ‘Queer Eye’ chega na quarta-feira, 21 de janeiro. O que começou em 2018 como um reboot arriscado termina como um fenômeno cultural com 12 Emmys. O encerramento em Washington, D.C. é a escolha estética mais inteligente da produção até aqui. Após anos focando em transformações individuais em cidades pequenas, levar os Fab Five para o epicentro da rigidez política americana cria um contraste visual e emocional potente.
Diferente de reality shows de makeover tradicionais, ‘Queer Eye’ sobreviveu por uma década porque entendeu que a estética é apenas a porta de entrada para discussões sobre trauma e aceitação. Se você abandonou a série no meio do caminho, vale retornar para os episódios finais: a vulnerabilidade de Jonathan Van Ness e a precisão de Tan France continuam sendo o padrão ouro do gênero.
‘Southland: Cidade do Crime’ é o realismo que falta nos procedurais modernos
A adição mais importante da semana não é uma estreia, mas um resgate. ‘Southland: Cidade do Crime’ (originalmente de 2009) entrou no catálogo e prova que o tempo só fez bem ao seu estilo cinéma vérité. Enquanto séries como ‘CSI’ ou ‘Law & Order’ se perdem em laboratórios limpos e resoluções convenientes, ‘Southland’ usa câmera na mão, luz estourada e um design de som que privilegia o caos das ruas de Los Angeles.
É a oportunidade de ver Regina King antes de sua consagração absoluta como diretora e atriz premiada. Sua atuação como a detetive Lydia Adams é contida, técnica e profundamente humana. Para quem cansou da fórmula ‘crime da semana’, as cinco temporadas disponíveis são uma aula de como construir tensão através da burocracia e do cansaço institucional.
‘O Poder e a Lei’: O triunfo do ‘Dad TV’ competente
Com a quarta temporada marcada para 5 de fevereiro, a Netflix intensifica a promoção de ‘O Poder e a Lei’ (The Lincoln Lawyer). A série é o exemplo perfeito do que chamamos de ‘Dad TV’: dramas jurídicos sólidos, baseados em best-sellers (neste caso, de Michael Connelly), que não tentam reinventar a roda, mas a giram com perfeição. Manuel Garcia-Rulfo traz uma malícia necessária ao advogado Mickey Haller, mantendo o equilíbrio entre o carisma de tribunal e o cinismo de quem opera no banco de trás de um Lincoln.
Se você busca uma maratona de fim de semana que exija atenção mas não exaustão mental, as três temporadas anteriores são o ponto de entrada ideal. É um entretenimento de alta competência técnica que preenche o vazio deixado por ‘Better Call Saul’, ainda que com menos ambição artística.
Matty Matheson e a ‘comfort food’ caótica de ‘Just a Dash’
Para quem conhece Matty Matheson apenas como o Neil Fak de ‘O Urso’ (The Bear), a chegada de ‘Just a Dash’ na terça-feira será um choque térmico. A série documental, que agora ganha casa nova no streaming, é o oposto da cozinha ultra-organizada de Carmy Berzatto. Matheson é uma força da natureza: tatuado, barulhento e genuinamente brilhante na cozinha.
O programa funciona como um antídoto para a gourmetização excessiva da TV gastronômica. A presença de Ricky Staffieri (o Theodore Fak na ficção) reforça a sensação de que estamos assistindo a um spin-off espiritual de ‘O Urso’. É o tipo de conteúdo para assistir quando você precisa de algo leve, mas com personalidade real.
Cronômetro ligado: A saída de ‘Prison Break’
Um lembrete de utilidade pública: ‘Prison Break: Em Busca da Verdade’ deixa o catálogo em 30 de janeiro. Embora a série tenha sofrido com a queda de qualidade após a segunda temporada, o primeiro ano continua sendo um dos roteiros mais bem amarrados da televisão aberta americana dos anos 2000. O uso da arquitetura prisional como elemento de suspense é um marco que poucas séries carcerárias conseguiram replicar com o mesmo sucesso comercial.
Veredito Editorial: Onde investir seu tempo
Se você tem pouco tempo, priorize ‘Southland’. É uma série que define um gênero e que raramente recebe o reconhecimento técnico que merece pela sua fotografia crua. Para quem busca fechamento emocional, os episódios finais de ‘Queer Eye’ são obrigatórios. Deixe ‘O Poder e a Lei’ para as noites de preguiça e corra com ‘Prison Break’ apenas se você nunca experimentou a tensão claustrofóbica da primeira temporada em Fox River.
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Perguntas Frequentes sobre o que assistir na Netflix (Janeiro/2026)
Quando estreia a última temporada de ‘Queer Eye’?
A 10ª e última temporada de ‘Queer Eye’, ambientada em Washington, D.C., estreia na Netflix em 21 de janeiro de 2026.
‘Southland: Cidade do Crime’ é baseada em fatos reais?
Embora não adapte um crime específico, a série é famosa pelo seu realismo extremo, utilizando consultores policiais reais e filmando em locações autênticas de Los Angeles para replicar o cotidiano da LAPD.
Por que ‘Prison Break’ está saindo da Netflix?
A saída de ‘Prison Break’ em 30 de janeiro deve-se ao fim do contrato de licenciamento entre a Netflix e a Disney (detentora dos direitos da série via 20th Century Studios). A série deve permanecer disponível no Disney+ ou Star+.
Quando sai a 4ª temporada de ‘O Poder e a Lei’?
A quarta temporada de ‘O Poder e a Lei’ (The Lincoln Lawyer) tem estreia confirmada para o dia 5 de fevereiro de 2026 na Netflix.
A série de Matty Matheson tem relação com ‘O Urso’?
Não diretamente na trama, mas Matty Matheson é um chef real que atua em ‘O Urso’. Sua série ‘Just a Dash’ mostra sua personalidade real na cozinha e conta com participações de outros atores da série da FX/Hulu.

