A Netflix confirmou exibição dos dois primeiros episódios de ‘One Piece’ temporada 2 em cinemas selecionados em 10 de março, seguindo estratégia testada com ‘Stranger Things’. Analisamos por que a obra de Oda é candidata perfeita para telonas e o que isso significa para o futuro do cinema.
A Netflix acabou de confirmar algo que há cinco anos seria impensável: os dois primeiros episódios da nova temporada de ‘One Piece’ chegarão ao cinema. A exibição de One Piece temporada 2 cinema acontece em 10 de março, em 200 salas selecionadas entre Estados Unidos, Canadá e Japão — não é um movimento isolado, mas a consolidação de uma estratégia que começou com ‘Stranger Things’ e pode redefinir como consumimos séries de alto orçamento.
O anúncio chega duas semanas antes da estreia da temporada, com ingressos à venda a partir de 26 de fevereiro (8h no horário do Pacífico) através do site oficial da Netflix e dos cinemas participantes. Mas o que realmente importa aqui não é a logística — é o sinal que a plataforma está enviando. Depois de décadas tratando cinema e streaming como territórios inimigos, a Netflix descobriu que eles podem ser aliados. E ‘One Piece’ é o cavalo de batalha perfeito para essa nova ofensiva.
Como ‘Stranger Things’ provou que o modelo funciona
A decisão não foi um chute no escuro. Em dezembro, a Netflix levou o final da quinta temporada de ‘Stranger Things’ aos cinemas simultaneamente ao streaming. Os números falam por si: mais de 620 salas participantes, 1,1 milhão de reservas antes da estreia, e cerca de US$ 25 milhões gerados apenas em vendas de concessões. Isso para um conteúdo que estava disponível de graça na plataforma.
O que ‘Stranger Things’ provou é algo que os estúdios demoraram a aceitar: existe uma audiência disposta a pagar pela experiência de ver TV no cinema. Não pelo conteúdo em si — que já está em casa — mas pelo ritual. Pelo evento. Pela sensação de que aquela noite é especial. É a mesma lógica que faz pessoas pagarem ingressos para shows de bandas cujas músicas elas já têm no Spotify.
Vi isso acontecer de perto. Quando ‘Stranger Things’ chegou aos cinemas, a reação nas redes sociais não foi “por que pagar pelo que tenho em casa?” — foi “preciso estar lá”. A Netflix entendeu que está vendendo comunidade, não conteúdo. E ‘One Piece’, com uma das fanbases mais apaixonadas do planeta, é o próximo candidato natural a esse tratamento.
Por que ‘One Piece’ é a escolha perfeita para exibição cinematográfica
Falei de ‘Stranger Things’, mas ‘One Piece’ tem algo que a série dos irmãos Duffer não tem: meio século de história construída. O mangá de Eiichiro Oda vendeu mais de 500 milhões de cópias ao redor do mundo — número que coloca a obra não apenas como o mangá mais vendido da história, mas como uma das séries de ficção mais consumidas de todos os tempos, competindo com franquias como Harry Potter e Star Wars.
A primeira temporada da adaptação live-action confirmou esse potencial. Atingiu 84% de aprovação da crítica e 95% do público no Rotten Tomatoes — números raros para adaptações de anime, gênero historicamente maltratado em Hollywood. Chegou ao Top 10 em 93 países e foi #1 em 46. A Netflix sabia que tinha algo especial nas mãos quando renovou a série poucas semanas após a estreia.
Agora, a temporada 2 tem como subtítulo “Into the Grand Line” — a entrada na Grand Line, o trecho de mar mais perigoso e imprevisível do mundo de ‘One Piece’. É o momento em que a série deixa de ser introdução e vira aventura de verdade. Para fãs do mangá, é como ver a abertura do segundo ato de uma ópera épica. Para novos espectadores, é a promessa de que as coisas vão ficar muito maiores.
O que esperar da experiência no cinema
Os dois primeiros episódios serão exibidos em sessões marcadas para 18h no horário local de cada cidade (nos EUA e Canadá). No Japão, berço da obra, a expectativa é de casas lotadas — o país trata ‘One Piece’ como patrimônio cultural, e não é exagero. Luffy, o protagonista pirata interpretado por Iñaki Godoy, é tão reconhecível lá quanto Mickey Mouse.
O elenco principal retorna completo: Mackenyu como Zoro, Emily Rudd como Nami, Jacob Romero como Usopp e Taz Skylar como Sanji. A temporada promete ilhas bizarras, novos aliados e inimigos formidáveis — exatamente o tipo de conteúdo que ganha outra dimensão numa tela grande. A fotografia da primeira temporada já demonstrava ambição cinematográfica; agora, teremos a chance de ver se essa ambição se sustenta fora das telas de TV.
Se as exibições de março funcionarem — e todos os sinais apontam que vão —, a Netflix terá em mãos um novo modelo de negócio. Não é difícil imaginar temporadas futuras de ‘One Piece’ recebendo o mesmo tratamento, ou outras franquias da plataforma seguindo o mesmo caminho. O cinema deixa de ser concorrente do streaming e vira extensão dele.
Isso é bom para o cinema ou apenas para a Netflix?
Confesso: tenho sentimentos mistos sobre essa tendência. Por um lado, é inegável que trazer séries para o cinema gera movimento nas salas — algo que o setor precisa desesperadamente depois dos baques da pandemia. Os US$ 25 milhões que ‘Stranger Things’ gerou em concessões são dinheiro que permanece no ecossistema dos cinemas, não vai para os cofres da Netflix.
Por outro, há algo estranho em pagar ingresso para ver conteúdo que estará disponível em casa horas depois. A magia do cinema sempre esteve ligada à exclusividade — você vai ao cinema porque é o único lugar onde pode ver aquilo. Quando essa exclusividade desaparece, o que sobra? A experiência social? A qualidade técnica? Para alguns, isso basta. Para outros, pode parecer um cash grab disfarçado de evento.
Mas ‘One Piece’ tem um argumento extra a seu favor: a escala. A obra foi desenhada para ser épica — ilhas gigantes, batalhas navais, poderes que desafiam a física. Ver isso numa tela de cinema não é apenas marketing; é a possibilidade de experimentar a obra como ela merece ser vista. Pelo menos é o que espero quando estiver naquela sala em março.
Se você é fã da obra de Oda ou apenas curioso sobre essa nova era híbrida entre streaming e cinema, vale marcar na agenda: 10 de março, cinemas selecionados. A Netflix está apostando alto que você vai querer ver Luffy zarpar numa tela grande. E pela primeira vez em muito tempo, essa aposta parece segura.
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Perguntas Frequentes sobre One Piece temporada 2 no cinema
Onde assistir One Piece temporada 2 no cinema?
A exibição acontece em 200 cinemas selecionados nos Estados Unidos, Canadá e Japão. A sessão única está marcada para 10 de março, às 18h no horário local de cada cidade.
Como comprar ingressos para One Piece no cinema?
Os ingressos ficam disponíveis a partir de 26 de fevereiro, às 8h no horário do Pacífico, através do site oficial da Netflix e dos sites dos cinemas participantes.
Quais episódios de One Piece serão exibidos no cinema?
Apenas os dois primeiros episódios da temporada 2 serão exibidos nas salas de cinema. O restante da temporada estará disponível exclusivamente na Netflix.
One Piece temporada 2 estreia quando na Netflix?
A temporada 2 de ‘One Piece’ estreia na Netflix em abril de 2026, duas semanas após a exibição cinematográfica dos episódios iniciais.
One Piece temporada 2 terá exibição no Brasil?
Até o momento, a Netflix confirmou exibição apenas para Estados Unidos, Canadá e Japão. Não há anúncio oficial sobre expansão para outros países, incluindo o Brasil.

