Monarch Temporada 2 entrega espetáculo em Skull Island com Titans convincentes e design de som que funciona como narrador, mas tropeça em drama humano fabricado. A queda de 87% para 70% no Rotten Tomatoes reflete uma série que ainda não sabe equilibrar seus pontos fortes.
Existe um tipo de série que parece feita sob medida para gerar frustração: aquela que tem todos os recursos do mundo — orçamento blockbuster, efeitos visuais de ponta, um universo narrativo rico para explorar — e mesmo assim tropeça no que deveria ser o mais simples. Monarch Temporada 2 é exatamente isso: uma produção que entrega o espetáculo que fãs de kaiju pedem, mas que insiste em prender o espectador em dramas humanos que ninguém pediu.
A queda de 87% para 70% no Rotten Tomatoes entre a primeira e a segunda temporada não é coincidência. É um sintoma claro de uma série que ainda não sabe equilibrar o que faz de melhor com o que insistem que ela “deveria” fazer. A pergunta que fica: Skull Island e seus Titans valem a pena mesmo quando o resto do show parece rodar em neutro?
O que funciona: Skull Island finalmente respira
Se você chegou até a segunda temporada de ‘Monarch – Legado de Monstros’ esperando mais monstros, a boa notícia é que a série escutou. A ação se desloca para Skull Island, aquele território que o cinema do Monsterverse mal arranhou — e a diferença é imediata. Há uma sensação de escala aqui que a primeira temporada só alcançava em seus momentos finais.
O CGI melhorou consideravelmente. Não estamos mais falando daquele efeito “bom o suficiente para TV” que perdia feio para os filmes teatrais do universo. As sequências com Titans agora têm peso, textura, uma presença física que antes parecia etérea. A integração de luz ambiente com os modelos digitais é particularmente impressionante — há momentos em que a névoa densa de Skull Island envolve os monstros de forma convincente, algo que orçamentos de TV costumam sacrificar.
A ameaça do misterioso Titan X — mantida em sigilo pelos roteiristas com competência — carrega uma tensão genuína. A série constrói esse mistério através de pistas sonoras tanto quanto visuais: ruídos graves que ecoam pela ilha, silêncios súbitos na fauna local, o design de som funciona como narrador invisível. Você sente que algo grande está por vir, e pela primeira vez na série, isso não parece promessa vazia.
A Apex Cybernetics, aquela corporação que já serviu de vilão em ‘Godzilla vs. Kong’, ganha mais espaço aqui. Ver a empresa operando em Skull Island adiciona uma camada de conspiração que funciona — não é profundo, mas é eficiente. O problema é quando a série decide que precisamos acompanhar as disputas internas desses personagens como se fossem o centro da narrativa.
O drama humano que ninguém pediu
Aqui está onde ‘Monarch’ perde terreno. Os críticos apontaram, e vou reforçar: os conflitos interpessoais desta temporada sofrem de um problema crônico de sobredramatização. Personagens batem cabeça por razões que parecem fabricadas para gerar tensão onde não deveria existir — segredos familiares revelados no momento mais conveniente para o enredo, disputas de poder corporativo que poderiam ser resolvidas com uma conversa honesta, lealdades que mudam conforme o roteiro precisa de um choque emocional.
É como se os roteiristas tivessem medo de que uma série sobre monstros gigantes não fosse “séria o suficiente” sem melancia humana constante. O resultado é o oposto: quanto mais a série tenta ser séria com seus personagens, mais ela soa artificial.
A segunda metade da temporada é particularmente culpada disso. O ritmo desacelera drasticamente para fazer setup de uma possível terceira temporada, e o que deveria ser construção de expectativa vira teste de paciência. Há uma diferença entre deixar o público querendo mais e deixá-lo olhando para o relógio.
Não ajuda que os personagens centrais ainda pareçam mais veículos para exposição do que pessoas de verdade. A primeira temporada já tinha esse problema, e a segunda não resolve — apenas o disfarça com mais ação ao redor. Funciona nos momentos de espetáculo, mas desmorona quando a câmera se volta para os humanos.
Monarch Temporada 2 e o futuro do Monsterverse na TV
O que salva a série, em última análise, é seu contexto maior. ‘Monarch – Legado de Monstros’ foi a primeira incursão do Monsterverse na televisão, e a Apple TV já tem planos para expandir isso. Uma série prequela sobre o jovem Lee Shaw — o personagem de Wyatt Russell — investigando um Titan durante a Guerra Fria está no forno. Outras produções virão.
Isso importa porque demonstra compromisso. A franquia não está tratando TV como apêndice dos filmes, mas como extensão legítima do universo. ‘Godzilla x Kong: Supernova’, o sexto filme da série, chega aos cinemas em março de 2027, e embora não esteja claro se haverá conexões diretas com a segunda temporada de ‘Monarch’, a promessa de mais Titan action é mantida.
Para fãs do gênero kaiju, isso é relevante. A série oferece algo que os filmes de duas horas mal conseguem: tempo para explorar os cantos desse mundo. Skull Island sempre foi promessa no cinema — aqui, ela finalmente ganha espaço para existir. O problema é que esse espaço é compartilhado com drama que não justifica sua existência.
Veredito: para quem vale a pena
Vou ser direto: se você está aqui pelos monstros, vai ter seu prato servido. A escala cinematográfica da segunda temporada honra o que o Monsterverse construiu nos cinemas. Há momentos de kaiju action genuinamente memoráveis, e a melhoria técnica técnica é visível — especialmente no design de som e na integração de CGI com ambientes práticos. O mistério do Titan X funciona como gancho narrativo.
Agora, se você espera drama humano à altura do espetáculo ao redor, vai sair decepcionado. Os 70% do Rotten Tomatoes refletem bem isso: reconhecimento do que funciona, frustração com o que não funciona. A queda em relação aos 87% da primeira temporada é justa — a série não evoluiu onde mais precisava.
‘Monarch Temporada 2’ estreia dia 27 de fevereiro na Apple TV+. Minha recomendação: vá preparado para ignorar alguns subplots, mas não desligue. O que a série faz bem, ela faz melhor do que a maioria das produções de TV ousaria tentar. É uma pena que ela insista em atrapalhar a si mesma.
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Perguntas Frequentes sobre Monarch Temporada 2
Onde assistir Monarch Temporada 2?
Monarch Temporada 2 está disponível exclusivamente na Apple TV+ desde 27 de fevereiro de 2026. É uma produção original da plataforma.
Precisa ver a primeira temporada para entender a segunda?
Sim. A segunda temporada continua diretamente os eventos da primeira, incluindo arcos de personagens e mistérios estabelecidos anteriormente. Ver a primeira temporada é essencial para acompanhar a narrativa.
Qual a diferença entre as temporadas 1 e 2 de Monarch?
A segunda temporada se desloca para Skull Island com mais foco em Titans, CGI melhorado e design de som mais elaborado. Por outro lado, o drama humano se torna mais arrastado, resultando na queda de aprovação no Rotten Tomatoes de 87% para 70%.
Monarch Temporada 2 tem conexão com os filmes do Monsterverse?
Sim. A série faz parte do mesmo universo dos filmes Godzilla e Kong. A Apex Cybernetics, vilã em ‘Godzilla vs. Kong’, aparece na segunda temporada. O filme ‘Godzilla x Kong: Supernova’ chega em março de 2027, mas conexões diretas com a série ainda não foram confirmadas.
Para quem é recomendado Monarch Temporada 2?
Para fãs de kaiju e do Monsterverse que querem ver Titans em escala cinematográfica na TV. Não é recomendado para quem busca drama humano de qualidade ou não tem paciência para subplots arrastados.

