‘Monarch’: ator propõe spinoff de comédia inspirado em ‘Workaholics’

Anders Holm, de ‘Workaholics’, propôs um spinoff de comédia focado nos funcionários “invisíveis” da Monarch. Analisamos se a ideia — inspirada em ‘Star Trek: Lower Decks’ — funcionaria no Monsterverse ou diluiria sua identidade.

Anders Holm acabou de propor algo que, confesso, eu não sabia que queria até ouvir: um spinoff de Monarch: Legado de Monstros focado não em titãs gigantes destruindo cidades, mas em chefs e mecânicos passando raiva no dia a dia da organização. E quanto mais penso sobre isso, mais faz sentido.

A ideia surgiu durante o tapete vermelho da premiere da segunda temporada, em entrevista ao ScreenRant. Holm, que interpreta o jovem Bill Randa na série da Apple TV+, sugeriu uma abordagem que lembra Star Trek: Lower Decks — aquela animação que troca a grandiosidade espacial pelas agruras da equipe subalterna. A diferença? Em vez de nave estelar, temos uma organização que lida com Godzilla e Kong enquanto cozinheiros tentam preparar o jantar.

A proposta inverte a lógica do Monsterverse

A proposta inverte a lógica do Monsterverse

O ator descreveu o conceito com precisão: mecânicos trabalhando no barco da Monarch, ou talvez chefs na cozinha. Um deles traz dois amigos — “stoners que só querem se divertir” — porque está solitário e ninguém gosta dele. É uma premissa que soa absurda num universo construído sobre escala e destruição. Mas é exatamente isso que a torna intrigante.

Todo filme do Monsterverse nos condicionou a esperar cataclismos. Godzilla emergindo do oceano. Kong atravessando a Terra Oca. Titãs colidindo em batalhas que redefinem geopolítica global. E agora alguém sugere olhar para… a equipe de manutenção? Os caras que consertam os geradores depois de um ataque? A cozinheira que precisa alimentar 200 cientistas apavorados enquanto um monstro passa do lado de fora?

Isso é exatamente o tipo de expansão de universo que costuma falhar — ou soar como piada. Mas Holm não está propondo isso por acaso.

Por que um spinoff estilo ‘Workaholics’ funcionaria

Se você conhece a carreira de Anders Holm, a proposta deixa de ser aleatória. Ele co-criou e estrelou Workaholics, sitcom que durou sete temporadas seguindo três dropouts de faculdade trabalhando como telemarketers. O programa não era sobre o trabalho em si — era sobre a amizade, a incompetência, os pequenos desastres do cotidiano.

Agora imagine transplantar essa dinâmica para uma organização secreta que monitora titãs. Os stakes são ridículos: você é um chef na cozinha da Monarch, seu colega está chapado há três horas, e do lado de fora há relatos de atividade sísmica anômala. A comédia nasce do absurdo de tentar ter uma “vida normal” num emprego que, tecnicamente, salva o mundo.

Não é uma ideia sem precedentes — Star Trek: Lower Decks já provou que funciona. Aquele show pega a pompa da Frota Estelar e a filtra pelos oficiais de menor escalão, criando algo que é simultaneamente homenagem e paródia. Um spinoff da Monarch poderia fazer o mesmo: pegar a mitologia densa do Monsterverse e olhar para ela de baixo para cima.

O risco de diluir o que torna o Monsterverse único

O risco de diluir o que torna o Monsterverse único

A proposta de Holm é criativa, mas o Monsterverse tem uma identidade muito específica — construída sobre espetáculo visual e escala. Quando você expande para comédia de trabalho, corre o risco de transformar algo majestoso em… qualquer coisa.

Por outro lado, a Marvel provou que funciona. Homem-Aranha: De Volta ao Lar é essencialmente um filme de coming-of-age que acontece num universo de deuses e alienígenas. WandaVision começou como sitcom paródica antes de revelar sua verdade. O DC também experimentou com Peacemaker, que pegou um personagem de filme de ação e o colocou numa série de humor negro.

O diferencial aqui seria o tom. Workaholics tem um humor específico — slapstick, stoner, às vezes deliberadamente idiota. Traduzir isso para o Monsterverse exigiria equilíbrio: rir da organização sem ridicularizar o que ela representa. Afinal, a Monarch existe porque Godzilla existe. Não dá para tratar isso como um escritório comum.

Contexto: a segunda temporada e o futuro da série

Enquanto Holm fazia seu pitch improvisado, a segunda temporada de Monarch: Legado de Monstros estreia em 27 de fevereiro na Apple TV+. A série continua seguindo a organização enquanto investiga atividade de titãs ao redor do mundo — incluindo Godzilla, Kong, e uma nova criatura que promete expandir o panteão.

O retorno de personagens como Cate Randa (Anna Sawai), Lee Shaw (versões Kurt Russell e Wyatt Russell) e o próprio Bill Randa de Holm sugere que a série principal manterá seu foco dramático. O spinoff de comédia permanece, por enquanto, apenas uma ideia — algo que Holm disse que “vai propor para Apple” em tom de brincadeira, mas com detalhes suficientes para parecer genuinamente pensado.

E talvez seja isso o mais interessante. Um ator olhando para um universo bilionário e perguntando: “E os caras que consertam as coisas? E os cozinheiros?”. É uma perspectiva que a maioria dos blockbusters ignora completamente.

Veredito: genial ou desastre esperando para acontecer?

Sou cético com expansões de universo que parecem mais produto de marketing do que necessidade criativa. Mas essa proposta tem algo que me intriga — ela não tenta replicar o que já existe. Em vez de “mais Godzilla, mais destruição”, ela propõe o oposto: menos escala, mais intimidade.

Se executada com o tom certo, um spinoff focado nos funcionários “invisíveis” da Monarch poderia adicionar textura ao Monsterverse de forma que nenhum filme de ação conseguiria. Mostrar que, enquanto o mundo assiste titãs batalharem, há gente tentando fazer seu trabalho com o mínimo de dignidade possível.

A pergunta que fica não é se a ideia é boa ou ruim — é se a Apple e a Legendary teriam coragem de apostar nela. Em um cenário de streaming onde todo universo precisa expandir constantemente, a proposta de Holm é ousada justamente por ser pequena.

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Perguntas Frequentes sobre Monarch: Legado de Monstros

Quem é Anders Holm em Monarch: Legado de Monstros?

Anders Holm interpreta o jovem Bill Randa na série. Bill Randa é um dos fundadores da organização Monarch, e na primeira temporada aparece tanto em timeline presente (interpretado por John Goodman) quanto em flashbacks dos anos 1950 (interpretado por Holm).

Onde assistir Monarch: Legado de Monstros?

A série é exclusiva da Apple TV+. A primeira temporada completa está disponível, e a segunda temporada estreia em 27 de fevereiro de 2026.

O spinoff de comédia foi confirmado?

Não. Por enquanto é apenas uma ideia proposta por Anders Holm em entrevista. O ator mencionou que pretende sugerir o projeto para a Apple, mas não há anúncio oficial de desenvolvimento.

O que é ‘Workaholics’ e por que importa?

‘Workaholics’ é uma sitcom criada e estrelada por Anders Holm que durou sete temporadas (2011-2017) no Comedy Central. O programa segue três amigos trabalhando como telemarketers, com humor stoner e foco na amizade mais do que no trabalho em si. O estilo de Holm seria a base tonal do possível spinoff.

Preciso ver os filmes do Monsterverse para entender a série?

Não obrigatoriamente, mas ajuda. A série funciona de forma relativamente independente, expandindo a mitologia da organização Monarch. Conhecer filmes como ‘Godzilla’ (2014), ‘Kong: A Ilha da Caveira’ e ‘Godzilla vs. Kong’ enriquece o contexto, mas não é essencial.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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