Michael Chiklis defende 3º filme do ‘Quarteto Fantástico’ original e lamenta reboot

Michael Chiklis revelou que o elenco de ‘Quarteto Fantástico’ esperava um terceiro filme após duas produções que lucraram 400 milhões. O ator critica o reboot de 2015, que perdeu 100 milhões, e aponta a falta de respeito do estúdio com o elenco original.

Existe uma lógica em Hollywood que desafia qualquer entendimento racional: cancelar uma franquia que lucrava para apostar em um reboot que perdeu 100 milhões de dólares. Michael Chiklis carrega essa frustração há quase duas décadas — e finalmente quebrou o silêncio sobre uma das decisões mais questionáveis da história recente dos filmes de super-heróis.

Em painel na C2E2, o ator que encarnou o Coisa nos filmes de 2005 e 2007 foi direto: o elenco original esperava fazer um terceiro filme. Estavam prontos. O estúdio tinha todo motivo financeiro para continuar. Então simplesmente pararam. Sem explicação. E o que veio depois foi um desastre que Chiklis não consegue ignorar.

Os números que justificavam uma sequência

Os números que justificavam uma sequência

Chiklis não fala de nostalgia. Fala de matemática elementar. “Corrija-me se eu estiver errado, mas aqueles filmes fizeram três quartos de bilhão de dólares”, disse no painel. E os números confirmam.

O primeiro ‘Quarteto Fantástico’ custou 100 milhões e arrecadou 330 milhões mundialmente. A sequência, ‘Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado’, teve orçamento de 130 milhões e trouxe 301 milhões. Juntas, as duas produções lucraram cerca de 400 milhões — números que qualquer estúdio consideraria motivo para continuar.

Não eram obras-primas. Chiklis admite isso abertamente. Mas eram produtos comerciais funcionais que encontraram seu público. Em uma indústria que venera resultados financeiros, abandonar uma franquia lucrativa para apostar em algo completamente novo foi, no mínimo, questionável.

O reboot de 2015: tudo que podia dar errado

A ironia se tornou cruel. O reboot de 2015 chegou com promessas de “reimaginar” a equipe para uma nova geração. O resultado: 9% no Rotten Tomatoes, perda reportada de 100 milhões, e um filme tão problemático que se tornou caso de estudo em como não adaptar quadrinhos.

O problema não foi apenas a recepção crítica. Foi a produção inteira: reshoots extensivos que desfiguraram o terceiro ato, tom sombrio que contradizia a essência familiar do Quarteto, e um Doutor Destino reduzido a um programador hacker. Enquanto os filmes de Tim Story erraram em detalhes (a nuvem cósmica que substituiu Galactus permanece controversa), acertaram no essencial: a dinâmica familiar que define a equipe nos quadrinhos. O reboot perdeu isso em nome de um “tom mais sério” que nunca encontrou propósito.

Se o estúdio tivesse continuado com o elenco original, investindo o orçamento de um terceiro filme em vez de um reboot arriscado, a história da franquia seria diferente. Provavelmente mais lucrativa. Certamente menos constrangedora.

O silêncio que pesa mais que o cancelamento

O silêncio que pesa mais que o cancelamento

O que mais incomoda Chiklis não é o cancelamento em si — é a ausência de respeito. “Nunca ficou claro para nós o porquê”, revelou. O elenco, que entregou resultados, foi deixado no vácuo. Nenhuma conversa de encerramento. Nenhum “obrigado, estamos mudando de direção”. Apenas silêncio.

Isso revela como Hollywood trata atores de franquias: descartáveis, independentemente do sucesso que ajudaram a construir. Ioan Gruffudd, Jessica Alba, Chris Evans e o próprio Chiklis deram rostos à primeira família da Marvel no cinema mainstream — algo que, em 2005, era risco considerável. O MCU não existia. O sucesso de filmes de heróis não era garantido. Eles abriram caminho. E foram recompensados com um reboot que ninguém pediu.

Classe diante do novo Coisa

Chiklis não guarda rancor. Quando perguntado sobre a nova versão da Marvel, ‘Quarteto Fantástico: Primeiros Passos’ (2025), foi generoso. Elogiou Ebon Moss-Bachrach, o novo Coisa, e desejou sucesso ao elenco. “Meu chapéu está fora para eles”, disse.

A Marvel finalmente recuperou os direitos do Quarteto Fantástico após a Disney adquirir a 20th Century Fox, e a nova produção representa a primeira vez que a equipe entra oficialmente no MCU. É um começo limpo. Mas também um lembrete de quanto tempo se perdeu em decisões equivocadas.

O que os filmes originais acertaram

Reassistindo hoje, os filmes de Tim Story têm qualidades que o tempo tornou mais evidentes. Eles entendiam algo que muitas adaptações modernas esquecem: o Quarteto Fantástico não é sobre ameaças cósmicas grandiosas — é sobre uma família disfuncional que se ama apesar de tudo.

A química entre o elenco funcionava. Chris Evans, antes de se tornar o Capitão América, mostrou carisma como o Tocha Humana — e a dinâmica de irmãos entre Johnny Storm e Ben Grimm tinha briga afetuosas que o reboot de 2015 nunca conseguiu replicar. Chiklis trouxe humanidade para um personagem que poderia ser reduzido a efeitos visuais, especialmente nas cenas onde Ben Grimm lida com a rejeição pública de sua aparência.

Não eram filmes perfeitos. O humor era excessivo em momentos. Alguns efeitos envelheceram mal. A versão de Doutor Destino, interpretada por Julian McMahon, era mais vilão de soap opera que ameaça cósmica. Mas capturaram algo essencial: eles são heróis, mas primeiro são uma família.

O argumento de Chiklis permanece válido: filmes que lucram merecem, no mínimo, uma conclusão digna. O elenco original nunca teve a chance de encerrar sua história. E o estúdio pagou caro por essa decisão — 100 milhões de dólares caros.

Os quatro filmes — os dois originais, o reboot de 2015 e a nova versão do MCU — estão disponíveis na Disney+. A maratra comparativa revela algo: às vezes, o melhor jeito de entender por que algo funcionou é ver exatamente o que aconteceu quando tentaram “consertar” o que não estava quebrado.

Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!

Perguntas Frequentes sobre o Quarteto Fantástico no cinema

Quantos filmes do Quarteto Fantástico existem?

Existem quatro filmes: ‘Quarteto Fantástico’ (2005), ‘Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado’ (2007), o reboot ‘Quarteto Fantástico’ (2015) e ‘Quarteto Fantástico: Primeiros Passos’ (2025), do MCU.

Por que o reboot de 2015 do Quarteto Fantástico fracassou?

O filme teve produção problemática com reshoots extensivos, tom sombrio que contradizia a essência familiar da equipe, e decisões criativas questionáveis como transformar Doutor Destino em um programador hacker. Resultou em 9% no Rotten Tomatoes e perda de 100 milhões.

Onde assistir os filmes do Quarteto Fantástico?

Todos os filmes do Quarteto Fantástico — os dois de 2005/2007, o reboot de 2015 e a versão do MCU de 2025 — estão disponíveis na Disney+.

Michael Chiklis voltará como o Coisa no MCU?

Não há planos para o retorno de Michael Chiklis. O papel do Coisa no MCU pertence a Ebon Moss-Bachrach em ‘Quarteto Fantástico: Primeiros Passos’ (2025). Chiklis demonstrou apoio ao novo ator.

Quem interpretou o Coisa antes de Michael Chiklis?

Antes de Chiklis, o Coisa foi interpretado por Carl Ciarfalio no filme piloto inédito de 1994, produzido pela Constantin Film apenas para manter os direitos. O filme nunca foi lançado comercialmente.

Mais lidas

Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

Veja também