‘Memory of a Killer’: a premissa intrigante que Patrick Dempsey não salvou

Analisamos por que ‘Memory of a Killer’ falhou em transformar sua premissa brilhante em um thriller de peso. Descubra como a Fox desperdiçou o talento de Patrick Dempsey e Michael Imperioli ao transformar um conceito visceral em um procedural genérico e esquecível.

Há premissas que parecem à prova de falhas: um assassino de aluguel diagnosticado com Alzheimer precoce. O potencial dramático é imenso — a perda da identidade colidindo com a necessidade de precisão letal. ‘Memory of a Killer’ Patrick Dempsey tinha tudo para ser o thriller psicológico definitivo da temporada na Fox, mas o resultado é um lembrete amargo de que uma ideia brilhante, sem coragem na execução, é apenas desperdício de tempo.

A ‘higienização’ de uma ideia visceral

A 'higienização' de uma ideia visceral

Com uma recepção gélida de apenas 20% no Rotten Tomatoes, a série não falha por ser tecnicamente malfeita, mas por ser covarde. O material de origem é o excelente filme belga ‘The Alzheimer Case’ (2003), uma obra que mergulha na sujeira e na decadência mental sem pedir desculpas. Na versão americana, essa visceralidade foi substituída por uma estética limpa demais, típica das produções de rede aberta.

Em vez de focar na desorientação sensorial de Angelo Doyle (Dempsey), a direção opta por clichês visuais de ‘memória falhando’ que já vimos em dezenas de outros procedurais. Onde deveria haver tensão psicológica, há apenas mais um caso da semana com um tempero de drama médico.

Dempsey e o esforço para fugir do estigma de galã

É frustrante observar Patrick Dempsey em cena. Claramente buscando se distanciar de décadas como o ‘McDreamy’ de ‘Grey’s Anatomy’ e consolidar sua nova fase após ‘Dexter: Pecado Original’, o ator entrega uma performance carregada de micro-expressões de pânico. Em uma cena específica no segundo episódio, onde Doyle esquece o código de um cofre no meio de uma invasão, Dempsey transmite uma vulnerabilidade genuína que o roteiro insiste em ignorar nos minutos seguintes.

O elenco de apoio, que conta com nomes de peso como Michael Imperioli e Richard Harmon, sofre do mesmo mal: são talentos subutilizados em diálogos que soam como exposição pura. Imperioli, em particular, parece estar em piloto automático, entregando falas que qualquer ator de terceira categoria poderia dizer sem prejuízo à trama.

Por que roteiristas experientes entregaram algo tão genérico?

Por que roteiristas experientes entregaram algo tão genérico?

O que mais intriga é o pedigree por trás das câmeras. Ed Whitmore e Tracey Malone têm currículos sólidos em dramas criminais britânicos densos, como ‘Identity’ e ‘Born to Kill’. No entanto, em ‘Memory of a Killer’, parece ter havido uma interferência editorial massiva para tornar o show ‘acessível’.

O resultado é um híbrido confuso. Não é sombrio o suficiente para satisfazer os fãs de ‘True Detective’, nem ágil o suficiente para o público de ‘9-1-1’. Ao tentar agradar a todos, a Fox entregou uma série que não tem identidade própria. A fotografia de tons azulados e cinzas tenta mimetizar o cinema noir moderno, mas a montagem picotada tira qualquer peso das sequências de ação.

O veredito: vale o seu tempo?

Se você é fã incondicional de Patrick Dempsey, talvez encontre algum valor em ver o ator testando novos limites dramáticos. Fora isso, ‘Memory of a Killer’ é uma oportunidade perdida. É uma série que prefere o conforto do procedural à exploração real da tragédia humana que sua premissa sugeria.

Para quem busca algo realmente impactante sobre o tema, o filme belga original continua sendo a melhor opção. Na TV americana, ‘Memory of a Killer’ corre o risco de ser exatamente o que seu protagonista teme: algo que ninguém conseguirá lembrar daqui a algumas semanas.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Memory of a Killer’

Onde assistir a série ‘Memory of a Killer’ com Patrick Dempsey?

A série é uma produção original da Fox nos Estados Unidos. No Brasil, a distribuição geralmente ocorre via plataformas de streaming parceiras da Disney/Star, mas a data oficial de estreia no streaming nacional ainda não foi confirmada.

‘Memory of a Killer’ é baseada em um livro ou filme?

Sim, a série é uma adaptação do aclamado filme belga ‘The Alzheimer Case’ (2003), que por sua vez é baseado no romance de Jef Geeraerts. Existe também um remake americano anterior chamado ‘Assassino Sem Rastro’ (Memory), de 2022, estrelado por Liam Neeson.

Por que a série recebeu notas tão baixas no Rotten Tomatoes?

O consenso crítico indica que, apesar da boa atuação de Patrick Dempsey, a série sofre com um roteiro genérico e uma execução que ignora a profundidade psicológica da premissa em favor de uma estrutura policial comum.

Quantos episódios tem a primeira temporada?

A primeira temporada de ‘Memory of a Killer’ foi planejada com 10 episódios, exibidos semanalmente.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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