‘Me Conte Mentiras’: por que o drama tóxico desbancou ‘Percy Jackson’?

Analisamos o fenômeno de ‘Me Conte Mentiras’ no Disney+, o drama psicológico que superou grandes franquias ao explorar a anatomia de um relacionamento tóxico. Entenda por que a química real entre Jackson White e Grace Van Patten e o roteiro implacável tornaram esta série um marco do ‘hate-watching’ moderno.

Existe um subgênero de televisão que prospera no desconforto: o hate-watching. ‘Me Conte Mentiras’ no Disney+ (originalmente uma produção Hulu/Star+) é o ápice dessa tendência. O drama psicológico, baseado no best-seller de Carola Lovering, realizou um feito estatístico improvável ao desbancar ‘Percy Jackson e os Olimpianos’ do topo do ranking de audiência. Isso sinaliza uma mudança interessante no perfil do assinante do streaming, que parece trocar a jornada do herói clássica pelo labirinto moral de um relacionamento abusivo.

A química perigosa de Stephen e Lucy

A trama acompanha Stephen DeMarco (Jackson White) e Lucy Albright (Grace Van Patten) ao longo de oito anos, começando em seus dias na Universidade de Baird. O que torna a série viciante não é o romance, mas a anatomia de uma obsessão. Stephen não é o vilão de caricatura; ele é o mestre do gaslighting sutil, aquele que distorce a realidade de Lucy até que ela não confie nos próprios instintos.

Um detalhe que eleva a experiência (e fortalece o E-E-A-T da produção) é a química inegável entre os protagonistas, que são um casal na vida real. Isso transparece em cenas de silêncio carregado, onde a tensão física mascara a toxicidade emocional. Em uma sequência específica da segunda temporada, um simples olhar de Stephen durante uma festa de faculdade comunica mais ameaça e controle do que qualquer diálogo expositivo poderia fazer.

Por que o público escolheu o caos em vez da mitologia?

A ascensão de ‘Me Conte Mentiras’ sobre uma franquia de peso como ‘Percy Jackson’ revela um cansaço do público com fórmulas previsíveis. Enquanto a série de Rick Riordan oferece conforto, regras claras e uma distinção nítida entre bem e mal, a obra de Meaghan Oppenheimer (showrunner da série) mergulha no cinismo.

A série não tenta redimir Stephen. Ela nos força a ser voyeurs de uma degradação emocional. No contexto do Disney+ de 2026, que agora integra conteúdos muito mais maduros sob o selo Star, essa série se tornou o ‘Euphoria’ dos millennials: menos visualmente frenética, mas psicologicamente mais exaustiva. O público não está apenas assistindo a uma história; está processando traumas geracionais e dinâmicas de poder que são, infelizmente, muito familiares na vida real.

O ritmo como ferramenta de claustrofobia

O ritmo como ferramenta de claustrofobia

Uma crítica recorrente é o ritmo deliberadamente lento. No entanto, tecnicamente, essa lentidão é uma escolha de direção brilhante. A fotografia usa frequentemente planos fechados e profundidade de campo reduzida, isolando os personagens mesmo quando estão em multidões. Isso mimetiza o ‘túnel’ que se forma em relacionamentos narcisistas, onde o mundo exterior desaparece e apenas a validação do parceiro importa.

A trilha sonora, muitas vezes composta por batidas abafadas e sintetizadores melancólicos, pontua a sensação de que algo está prestes a quebrar. Para quem busca ação, ‘Me Conte Mentiras’ é um teste de paciência; para quem busca estudo de personagem, é uma aula de contenção.

A evolução para a terceira temporada e o veredito

Com a terceira temporada explorando as consequências de longo prazo das mentiras de Baird College, a série se consolida como um drama essencial para entender a ‘cultura do abuso’ na TV contemporânea. Ela evita os tropos de ‘garota salva garoto mau’ e entrega algo muito mais honesto: o retrato de como pessoas inteligentes podem se perder em narrativas falsas.

Vale o seu tempo? Se você busca escapismo, a resposta é não. Mas se você quer uma obra que desafie sua percepção sobre lealdade, trauma e a linha tênue entre amor e controle, ‘Me Conte Mentiras’ é, talvez, a série mais corajosa do catálogo atual do Disney+.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Me Conte Mentiras’

Onde posso assistir ‘Me Conte Mentiras’?

A série está disponível exclusivamente no Disney+ (dentro da seção Star/Hulu, dependendo da sua região). Todas as temporadas lançadas até agora estão no catálogo.

‘Me Conte Mentiras’ é baseada em uma história real?

Não diretamente. A série é uma adaptação do livro homônimo de Carola Lovering. Embora seja ficção, a autora afirmou que se inspirou em suas próprias experiências com relacionamentos disfuncionais para criar a dinâmica de Stephen e Lucy.

Qual a classificação indicativa da série?

A série tem classificação indicativa para maiores de 18 anos devido a cenas de sexo explícito, uso de drogas e temas psicológicos pesados como abuso emocional.

Os protagonistas de ‘Me Conte Mentiras’ namoram na vida real?

Sim. Grace Van Patten (Lucy) e Jackson White (Stephen) confirmaram o relacionamento fora das telas pouco depois da estreia da primeira temporada, o que muitos fãs acreditam que contribui para a química intensa da série.

A série terá uma 4ª temporada?

Até o momento, a renovação para uma quarta temporada depende da audiência da terceira. Dado o sucesso recente no Disney+, as chances de continuidade são altas.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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