‘Me Conte Mentiras’: criadora revela o futuro de Lucy e Stephen após o final

A criadora de ‘Me Conte Mentiras’ revelou o destino de Lucy e Stephen após o final da terceira temporada. Entenda por que o abandono brutal é, paradoxalmente, a libertação que a personagem precisava — e por que Oppenheimer acredita que Stephen nunca vai procurá-la novamente.

Existem finais que entregam o que o público quer, e existem finais que entregam o que a história precisa. O desfecho da terceira temporada de ‘Me Conte Mentiras’ pertence ao segundo grupo — e isso é exatamente o que o torna brilhante.

Depois de três temporadas na Hulu construindo um dos relacionamentos mais tóxicos da TV recente, a série poderia ter dado a Lucy (Grace Van Patten) a satisfação de ser ela a abandonar Stephen (Jackson White). Os fãs queriam isso. A narrativa parecia caminhar para isso. Mas a criadora Meaghan Oppenheimer escolheu o caminho mais desconfortável: Lucy aceita voltar, se humilha, e ainda assim é deixada em um posto de gasolina como lixo.

Doeu? Sim. Foi injusto? Para Lucy, com certeza. Mas foi a decisão narrativamente perfeita para encerrar essa história específica.

O que Oppenheimer revela sobre Lucy e Stephen

O que Oppenheimer revela sobre Lucy e Stephen

Em entrevista ao podcast oficial da série, Oppenheimer foi direta sobre o que vem depois daquela cena devastadora: ela acredita que Stephen nunca mais vai procurar Lucy. Ele “ganhou” — conseguiu a punição que queria, teve o controle final, e agora parte para sua próxima vítima.

Para Lucy, o abandono funciona como o fundo do poço que ela precisava tocar. Oppenheimer descreve como um “wake-up call”: o momento de perceber que aquele ciclo destrutivo não leva a lugar nenhum. A criadora vê Lucy crescendo a partir dessa experiência, fazendo novos amigos, construindo uma vida que não orbita em torno de Stephen.

É uma leitura otimista, mas fundamentada no arco da personagem. Lucy passou temporadas inteiras presa em padrões autodestrutivos, perdoando o imperdoável, retornando para quem a machucava. O que poderia quebrar esse ciclo senão uma humilhação completa?

Por que Stephen abandonar Lucy é mais poderoso do que o contrário

Aqui está onde a série subverte expectativas de forma magistral. Em dramas românticos tóxicos, geralmente vemos a protagonista encontrar força para sair. É a satisfação catártica que o público espera — a mulher finalmente se libertando do manipulador.

Mas ‘Me Conte Mentiras’ nunca foi sobre satisfação catártica. Foi sobre retratar, com brutalidade, como relacionamentos abusivos realmente funcionam. Na vida real, raramente a vítima tem o momento heroico de sair com dignidade. Mais vezes do que gostaríamos de admitir, a pessoa fica até ser descartada.

Stephen abandonando Lucy no posto de gasolina é cruel, mas é consistente com quem ele é. Ele não é um vilão que será redimido — é um predador emocional que conseguiu exatamente o que queria: provar que Lucy voltaria para ele mesmo depois de tudo. O abandono é o ato final de controle. Ele não precisa mais dela porque já confirmou seu poder.

E paradoxalmente, isso é libertação para Lucy. Se ela tivesse saído por conta própria, poderia sempre se perguntar “e se eu tivesse ficado?”. Ser deixada não deixa espaço para fantasias de reconciliação — é o fechamento brutal que ela nunca teria coragem de se dar.

O destino dos outros personagens: quem encontra felicidade?

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Oppenheimer também revelou o que acontece com o resto do grupo, e há uma ironia deliciosa nos resultados. Bree (Catherine Missal) e Wrigley (Spencer House) — o casal que parecia condenado pelo engajamento fracassado de Bree com Evan — são descritos como “almas gêmeas” que eventualmente encontram um jeito de ficar juntos. A criadora até escreveu na descrição do roteiro o momento em que os olhares deles se cruzam no casamento: tudo explode, mas eles têm “nada mais a perder”.

Pippa (Sonia Mena) e Diana (Alicia Crowder) saem juntas do casamento, felizes. Evan (Branden Cook) cai em um bolo, humilhado publicamente, mas agora pode recomeçar sem segredos.

Já Lucy? Oppenheimer é clara: ela provavelmente nunca mais falará com aquele grupo. O que parece punição é, na verdade, outra libertação. Aqueles amigos nunca a perdoaram completamente por seus erros, nunca a valorizaram como a “alma gentil e bem-intencionada” que Oppenheimer diz que ela é. Perder esse círculo social é doloroso, mas necessário.

A ambiguidade como escolha artística consciente

O que torna o final de ‘Me Conte Mentiras’ memorável não é o que ele responde, mas o que ele deixa em aberto. Oppenheimer fornece sua visão, mas o texto permite que cada espectador projete seu próprio desfecho.

Lucy rindo no posto de gasolina é o momento-chave. Pode ser riso de desespero, de loucura, de quebra. Mas também pode ser riso de reconhecimento — ela finalmente entende o jogo, entende que perdeu, e estranhamente, isso é liberdade. Não há mais ilusões para sustentar.

A série poderia ter amarrado tudo com laço. Mostrado Lucy anos depois, feliz, recuperada. Mas isso diminuiria o impacto do momento presente. A ambiguidade respeita a inteligência do público: você decide se acredita na visão otimista de Oppenheimer ou se vê Lucy repetindo padrões com outra pessoa.

Um final que honra a premissa da série

‘Me Conte Mentiras’ se propôs a mostrar relacionamentos tóxicos sem romantizar, sem oferecer soluções fáceis, sem transformar abusadores em heróis redimidos. O final cumpre essa promessa até a última cena.

Stephen não tem redenção — ele segue para sua próxima vítima. Lucy não tem momento heroico — ela é descartada como objeto. Mas é exatamente essa falta de satisfação que torna o final honesto. Relacionamentos como esse não terminam com a vítima saindo de cabeça erguida. Terminam com ela sendo usada até não sobrar mais utilidade.

O que acontece depois, a série deixa para nossa imaginação. Mas a mensagem está clara: às vezes, ser abandonada é o melhor que poderia acontecer. Porque pelo menos, finalmente, você está livre.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Me Conte Mentiras’

Quantas temporadas tem ‘Me Conte Mentiras’?

‘Me Conte Mentiras’ tem 3 temporadas, todas disponíveis na Hulu. A terceira temporada encerrou a história de forma conclusiva.

Onde assistir ‘Me Conte Mentiras’ no Brasil?

No Brasil, ‘Me Conte Mentiras’ está disponível na Star+, que é a plataforma da Disney para o mercado latino-americano e distribui o conteúdo original da Hulu por aqui.

‘Me Conte Mentiras’ vai ter quarta temporada?

Não. A terceira temporada é o final definitivo da série. A criadora Meaghan Oppenheimer encerrou a história de Lucy e Stephen de forma propositalmente conclusiva, sem planos de continuação.

Quem interpreta Lucy e Stephen em ‘Me Conte Mentiras’?

Lucy é interpretada por Grace Van Patten e Stephen por Jackson White. A química tensa entre os dois é um dos pontos fortes da série — os atores são casados na vida real.

‘Me Conte Mentiras’ é baseado em livro?

Sim. A série é adaptação do romance “Tell Me Lies” de Carola Lovering, publicado em 2018. O livro segue a mesma premissa, mas a série expande significativamente a narrativa e os personagens secundários.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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