Matthew Lillard em ‘Detetive Alex Cross’: de ícone cult a bilionário complexo

Por que Ben Watkins escalou Matthew Lillard em ‘Detetive Alex Cross’ — e como um chemistry read com Aldis Hodge fez o ícone pop “sumir” para nascer o bilionário Lance Durand. Entenda o risco do casting e a promessa de um papel mais nuançado do que o público espera.

Algumas escolhas de casting parecem óbvias no papel. Outras, no entanto, exigem um olhar mais atento para entender a lógica por trás da decisão — e é justamente aí que moram as mais interessantes. Quando Matthew Lillard foi confirmado para a segunda temporada de ‘Detetive Alex Cross’, na Prime Video, muita gente reagiu com a mesma pergunta: como o eterno Stu Macher de ‘Pânico’ e o Shaggy de ‘Scooby-Doo: O Filme’ se encaixariam num procedural sombrio? A resposta do criador Ben Watkins é menos sobre “escalação inesperada” e mais sobre uma competência rara: Lillard tem a capacidade de fazer o público esquecer o ícone pop e enxergar, enfim, o personagem.

É daí que nasce Lance Durand — um bilionário acostumado ao controle, agora forçado a encarar o medo como rotina. Um papel que pede nuance, chão emocional e um tipo de gravidade que a carreira de Lillard sempre teve em lampejos, mas nem sempre em vitrine.

O que Ben Watkins viu em Matthew Lillard (e por que isso podia dar errado)

O que Ben Watkins viu em Matthew Lillard (e por que isso podia dar errado)

Em entrevista, Watkins admite que a primeira reação foi de curiosidade com um pé no freio. Ele conhece Lillard “literalmente a vida inteira”, como público — e esse detalhe é central para entender o risco. Matthew Lillard virou um “culto de personalidade”: a voz, o corpo em cena, a energia nervosa e expansiva… tudo é reconhecível em segundos. Num thriller policial, esse reconhecimento pode virar ruído.

O problema, como Watkins descreve (e como qualquer espectador sente), é o curto-circuito: você vê “Matthew Lillard” antes de ver “Lance Durand”. Só que Durand precisa existir como pessoa — um homem com dinheiro o bastante para comprar segurança, mas sem poder comprar paz. Se o personagem entra como meme, nostalgia ou piscadela meta, a tensão do caso desaba.

O chemistry read com Aldis Hodge: o momento em que o ícone sumiu

Foi no chemistry read com Aldis Hodge (Alex Cross) que o argumento deixou de ser teórico. Watkins descreve a virada com precisão: ele entrou no teste “geekando”, pensando no ator e no catálogo afetivo que ele carrega — e, em algum ponto, parou de pensar em Matthew Lillard. Estava vendo Lance Durand.

Esse é o termômetro mais honesto do casting: quando a presença pública do ator deixa de ser o assunto. Com Lillard, isso é ainda mais significativo porque a filmografia atravessa públicos muito diferentes — do choque adolescente de ‘Pânico’ ao apelo familiar de ‘Scooby-Doo’, passando pelo horror recente de ‘Five Nights at Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim’. A série não precisava só de um “nome”; precisava de alguém que fosse crível em silêncio, em subtexto e em medo contido.

Watkins define o que viu com uma frase que diz mais do que parece: Lillard tem “algo muito verdadeiro” e é “muito comprometido com o jogo”. Traduzindo: ele não entra para repetir tiques; entra para sustentar cena. E Durand, especificamente, exige isso — “muita nuance”, “grounding” e a disposição de entregar algo que o público “não viu muito dele”.

Lance Durand: bilionário em perigo, sem caricatura

Lance Durand: bilionário em perigo, sem caricatura

Lance Durand poderia ser um estereótipo fácil: o bilionário arrogante, a pose de invencível, o humor cínico para aliviar tensão. Pelo que Watkins sugere, a ideia vai na direção oposta. Durand é um homem acostumado a controlar ambientes — e, de repente, percebendo que existe uma ameaça que atravessa sua blindagem social.

É aí que a escolha do Lillard ganha sentido dramático. Quando você escala um rosto conhecido por uma energia “maior do que a vida”, você pode usar essa expectativa como máscara — e depois puxar o tapete. Durand precisa projetar poder e status, mas também deixar escapar fissuras: um cálculo frio que não impede o pânico de aparecer, e uma vulnerabilidade que não vira melodrama.

Watkins diz que Lillard “correu de cabeça” e “acertou”. Também comenta a energia dele no set: alguém que, mesmo com décadas de estrada, ainda chega como se fosse “Dia de Natal”. Isso importa porque ‘Detetive Alex Cross’ é uma série de dinâmica de dupla e pressão constante: elenco que entra com fome de cena costuma elevar o conjunto.

Onde Durand entra na 2ª temporada de ‘Detetive Alex Cross’ (e por que ele complica o caso)

A segunda temporada amplia o tabuleiro com novos nomes: Rebecca Luz (Jeanine Mason), uma vigilante misteriosa, e Lincoln Esteban (Rene Moran), descrito como um “coringa”. Mas Durand parece ser o motor de uma tensão bem específica: Cross e Kayla Craig precisam proteger um homem que, teoricamente, poderia se proteger sozinho — e, ao mesmo tempo, lidar com um assassino que já eliminou outros bilionários.

Essa premissa mexe com o coração do procedural: o atrito entre dever e desprezo, empatia e julgamento. Watkins sinaliza que a “competição normalmente amigável” entre Cross e Kayla fica mais áspera — e a presença de um cliente/alvo como Durand é o tipo de elemento que empurra parceiros para lados diferentes do mesmo dilema.

Para Lillard, Durand é uma chance de jogar fora a muleta que muita gente associa a ele: o excesso, a excentricidade, o alívio cômico. Aqui, o texto pede o contrário: silêncio pesado, leitura de ambiente, escolhas mínimas. A antítese do caos de Stu Macher — e justamente por isso um salto que pode redefinir como o público o lê.

De ícone cult a “ator de prestígio”: o que esse casting realmente diz

Lillard sempre foi mais versátil do que o arquivo mental coletivo permite. Ele já circulou por drama e TV de prestígio, e continua aparecendo em projetos de gêneros diferentes sem virar peça de museu. O que Watkins enxerga, e verbaliza com clareza, é a raridade de uma carreira que atravessa gerações com conexão afetiva real — e ainda assim mantém margem para reinvenção.

Quando um showrunner diz que “esqueceu” o ator no teste, não é elogio genérico: é a descrição do instante em que a mitologia pública perde para a verdade cênica. Se Lance Durand cumprir essa promessa, ‘Detetive Alex Cross’ não apenas ganha um personagem útil para o mistério — ganha um trunfo de escalação que reposiciona Matthew Lillard como o que ele sempre foi quando o material permitiu: um intérprete capaz de gravidade, não só de culto.

E, se você ainda pensa em Matthew Lillard como “aquele cara de ‘Pânico’”, a segunda temporada está desenhada para mexer exatamente nessa certeza.

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Perguntas Frequentes sobre Matthew Lillard em ‘Detetive Alex Cross’

Matthew Lillard está em qual temporada de ‘Detetive Alex Cross’?

Matthew Lillard foi confirmado para a 2ª temporada de ‘Detetive Alex Cross’, da Prime Video, interpretando Lance Durand.

Quem é Lance Durand em ‘Detetive Alex Cross’?

Lance Durand é um bilionário ameaçado de morte que vira peça central de uma investigação na 2ª temporada, colocando Alex Cross e Kayla Craig sob pressão para protegê-lo enquanto o caso se complica.

Onde assistir ‘Detetive Alex Cross’ no Brasil?

‘Detetive Alex Cross’ é uma série da Prime Video e, em geral, fica disponível para assinantes do serviço no Brasil. A disponibilidade pode variar por região e data, então vale checar diretamente no app.

Matthew Lillard é o mesmo ator de ‘Pânico’ e ‘Scooby-Doo’?

Sim. Ele interpretou Stu Macher em ‘Pânico’ (1996) e viveu Shaggy em ‘Scooby-Doo: O Filme’ (2002), além de ter papéis em séries e filmes mais recentes.

Preciso assistir a 1ª temporada para entender a 2ª de ‘Detetive Alex Cross’?

Para acompanhar o arco dos personagens e a dinâmica entre Alex Cross e Kayla Craig, a 1ª temporada ajuda bastante. Ainda assim, procedurais costumam introduzir o novo caso de forma acessível no início da temporada.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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