‘Marshals’ estreia com 60% no Rotten Tomatoes, a pior avaliação do universo Yellowstone. Analisamos por que a mudança para um procedural pode ter diluído a fórmula que fez ‘1883’ e ‘1923’ funcionarem — e se a franquia de $3 bilhões está perdendo fôlego.
Quando Taylor Sheridan lançou ‘1883’ e depois ‘1923’, estabeleceu um padrão de qualidade que parecia inabalável. Agora, ‘Marshals’ chega com 60% de aprovação no Rotten Tomatoes — o número mais baixo do universo Yellowstone até hoje. Para uma saga que acostumou seus fãs a médias entre 83% e 94%, a queda é significativa. Mas o que esses números realmente significam?
A comparação é inevitável. ‘Yellowstone’ original estreou com 83% e se manteve relevante por cinco temporadas. ‘1883’ alcançou 89% ao transformar a jornada de imigrantes em um western clássico reimaginado para o streaming. ‘1923’ elevou a barra ainda mais, chegando a 94% com Harrison Ford e Helen Mirren carregando uma narrativa sobre sobrevivência durante a Grande Depressão. Esse histórico torna o 60% de ‘Marshals’ um sinal de alerta — não um veredito final, mas um indicador de que algo mudou.
Por que Kayce Dutton em um procedural pode ter sido erro estratégico
A série acompanha Kayce Dutton (Luke Grimes) após o arco que ele viveu em ‘Yellowstone’. Com a morte do pai, John III (Kevin Costner), o personagem encontra uma nova função: integrar uma unidade de elite de U.S. Marshals. A premissa faz sentido dentro do universo — Kayce sempre foi o filho que equilibrou o código moral do pai com sua própria consciência, e sua formação como Navy SEAL oferece uma justificativa plausível para essa transição.
O elenco de apoio traz nomes relevantes: Logan Marshall-Green como Pete Calvin, Arielle Kebbel como Belle Skinner, Ash Santos como Andrea Cruz e Tatanka Means como Miles Kittle. O problema pode não estar no casting, mas na própria mecânica da série. Sheridan construiu sua reputação em dramas familiares com tensão constante — a mudança para um procedural de ação pode ter diluído o que faz suas obras funcionarem. Em ‘Yellowstone’, o conflito nunca era apenas externo; era sobre legado, família, terra. Em ‘Marshals’, correr atrás de criminosos semana após semana corre o risco de se tornar… apenas outro procedural.
O que 60% significa para uma franquia avaliada em $3 bilhões
Avaliações da crítica no Rotten Tomatoes não definem o sucesso de uma série, mas servem como termômetro de recepção antes da estreia. ‘Yellowstone’ sempre teve uma divisão curiosa: crítica moderada, audiência massiva. ‘Marshals’ pode seguir o mesmo caminho — especialmente considerando que a base de fãs da franquia está entre as mais fiéis do streaming atual.
O contexto maior, porém, é relevante. Sheridan anunciou sua saída da Paramount por divergências criativas com a nova liderança do estúdio. Ele assinou um contrato de cinco anos com a NBCUniversal que começa em 2029. Suas séries existentes — incluindo ‘Marshals’ e ‘Landman’ — permanecem na Paramount+, mas a pergunta que fica é: quanto do DNA que fez a franquia valer mais de $3 bilhões depende da visão de um único criador?
Expansão rápida e o risco de fadiga de franquia
Entre a série principal, prequelas, spin-offs e agora um procedural derivado, o universo criado por Sheridan está se expandindo de forma agressiva. A história do entretenimento mostra que expansão rápida quase sempre vem acompanhada de queda de qualidade. A Marvel enfrentou isso quando passou de dois filmes anuais para seis séries em dois anos — a diluição foi inevitável. O Star Wars viveu algo similar quando produziu spin-offs que ninguém pediu. O universo Yellowstone pode estar no mesmo caminho.
Não é coincidência que as melhores obras de Sheridan sejam as mais focadas: ‘1883’ contava uma história específica com começo, meio e fim. ‘1923’ faz o mesmo. ‘Marshals’, por sua natureza procedural, pode cair na armadilha de esticar uma premissa além do que ela suporta.
Deveria assistir?
Se você é fã de longa data do universo Yellowstone, a resposta é sim — mas com expectativas ajustadas. ‘Marshals’ provavelmente não vai entregar a densidade emocional de ‘1923’ ou a aventura épica de ‘1883’. O formato procedural tem suas vantagens (episódios mais fechados, menos compromisso de memória), mas também suas limitações (menor profundidade de arcos, repetição de fórmulas).
Os seis episódios da primeira temporada, que estreiam em 1º de março na Paramount+, vão determinar se o pior índice de aprovação da franquia foi um sinal de alerta ou apenas um tropeço inicial. Eu vou assistir — não porque espero uma obra-prima, mas porque Kayce Dutton merece o benefício da dúvida. Depois de cinco temporadas vendo Luke Grimes construir esse personagem com silêncios e olhares, quero ver para onde Sheridan o levou.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Marshals’
Onde assistir ‘Marshals’?
‘Marshals’ estreia dia 1º de março de 2026 exclusivamente na Paramount+. Todos os seis episódios da primeira temporada serão lançados na plataforma.
Precisa ver ‘Yellowstone’ para entender ‘Marshals’?
Sim. ‘Marshals’ é um spin-off direto focado em Kayce Dutton, personagem central de ‘Yellowstone’. A série parte do desfecho do arco dele na série principal, incluindo a morte de seu pai John Dutton III. Sem esse contexto, a motivação do protagonista e referências ao passado ficam perdidas.
Quantos episódios tem a primeira temporada de ‘Marshals’?
A primeira temporada de ‘Marshals’ tem seis episódios. Todos serão lançados simultaneamente na Paramount+ em 1º de março de 2026.
Por que Kevin Costner não está em ‘Marshals’?
O personagem de Kevin Costner, John Dutton III, morreu na série principal ‘Yellowstone’. Como ‘Marshals’ se passa após esses eventos, o personagem não aparece. A saída de Costner da franquia também foi marcada por conflitos contratuais e divergências criativas com Taylor Sheridan.
Qual é a diferença entre ‘Marshals’ e as outras séries do universo Yellowstone?
‘Marshals’ é um procedural de ação focado em casos semanais de U.S. Marshals, diferente de ‘1883’ e ‘1923’, que são dramas históricos com arcos narrativos fechados. ‘Yellowstone’ original é um drama familiar sobre disputa de terras. ‘Marshals’ abandona o conflito central da franquia (família vs. terra) em favor de um formato mais tradicional de série policial.

