‘Lanterns’: como James Gunn vai redimir a maior promessa vazia de ‘Arrow’

A série ‘Lanterns’ no DCU promete redimir anos de ‘teases’ frustrantes com John Diggle no Arrowverse. Analisamos como a nova abordagem noir da HBO, com Kyle Chandler e Aaron Pierre, finalmente entregará a profundidade que a DC deve aos fãs desde 2011.

Existe uma piada recorrente entre fãs do finado Arrowverse que resume quase uma década de frustração: ‘John Diggle vai virar Lanterna Verde… qualquer dia desses’. O que começou como um easter egg divertido em ‘Arrow’ transformou-se em uma das maiores promessas vazias da história da TV de super-heróis. Agora, com a série Lanterns DCU sob o comando de James Gunn, a DC tem a chance de finalmente entregar o que a CW apenas sinalizou por oito temporadas.

A anatomia de um ‘bait’ de oito anos: O trauma de John Diggle

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O Arrowverse não apenas flertou com a mitologia dos Lanternas; ele construiu uma expectativa sistemática. Desde a jaqueta de aviador com o nome ‘Jordan’ em Coast City até as constantes menções à Ferris Air em ‘The Flash’, o terreno estava sendo preparado. O ápice dessa tortura narrativa foi John Diggle (David Ramsey).

Construído como um espelho de John Stewart — veterano militar, retidão moral inabalável e até a revelação de que seu padrasto se chamava Roy Stewart —, Diggle era o Lanterna perfeito para a TV. No crossover ‘Elseworlds’, o Flash da Terra-90 chegou a perguntar por que ele não estava usando seu anel. No episódio final de ‘Arrow’, ele literalmente encontra uma caixa caída do céu emanando uma luz esmeralda. E então? O vácuo. O que se seguiu foram anos de participações especiais em que Diggle ‘rejeitava o chamado’, um balde de água fria em quem esperava ver a Tropa em ação.

Bastidores e burocracia: Por que o anel nunca brilhou na CW

David Ramsey foi transparente sobre o que impediu o brilho verde: a política interna da Warner Bros. Enquanto a CW tentava expandir, o regime anterior da DC Films bloqueava o uso de personagens do ‘primeiro escalão’ na TV para não ‘confundir o público’ ou competir com projetos cinematográficos que, ironicamente, nunca saíram do papel.

O projeto de Greg Berlanti para a HBO Max, que teria um orçamento astronômico, acabou sendo engolido pelas reestruturações da Warner Bros. Discovery. Como o próprio Ramsey admitiu na San Diego Comic-Con, o caos criativo impediu que qualquer versão do Lanterna Verde tivesse a dignidade que a propriedade exige. ‘Está nas mãos certas agora’, afirmou o ator, referindo-se à transição para o DCU de Gunn e Peter Safran.

O ‘fator HBO’: Por que o DCU joga em outra liga

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A grande diferença entre o que a CW tentou e o que a série Lanterns DCU propõe reside na infraestrutura criativa. O formato da rede CW, com 22 episódios por temporada e orçamentos limitados, fatalmente entregaria um Lanterna Verde com efeitos visuais datados e tramas diluídas em dramas adolescentes.

Na HBO, sob a tutela de Chris Mundy (Ozark) como showrunner e Tom King (um dos maiores roteiristas de quadrinhos da atualidade) na sala de roteiro, o tom muda drasticamente. James Gunn descreveu a série como um ‘True Detective com super-heróis’. É uma abordagem noir, focada em uma investigação terrestre que serve como porta de entrada para uma conspiração cósmica maior. Aqui, o CGI não é um obstáculo para preencher tempo, mas uma ferramenta para pontuar o épico.

Hal Jordan e John Stewart: A redenção que a DC deve aos fãs

A escalação de Kyle Chandler como um Hal Jordan veterano e Aaron Pierre como o jovem John Stewart sinaliza que a DC finalmente entendeu o valor da dinâmica entre esses dois pilares. Não se trata apenas de mostrar anéis brilhantes, mas de explorar o contraste entre a experiência cínica de Jordan e o idealismo militar de Stewart.

Desde o desastroso filme de 2011, a marca Lanterna Verde carrega um estigma de fracasso comercial e promessas não cumpridas. ‘Lanterns’ não é apenas mais uma peça no tabuleiro de James Gunn; é um pedido de desculpas formal. Para quem acompanhou Diggle olhando para aquela caixa verde em 2020, a espera de seis anos pode finalmente valer a pena se a série entregar a profundidade investigativa e o peso mitológico que o Arrowverse, por limitações de contrato e orçamento, nunca pôde alcançar.

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Perguntas Frequentes sobre a série Lanterns DCU

A série Lanterns é uma continuação de Arrow?

Não. ‘Lanterns’ faz parte do novo DCU de James Gunn e não tem conexão narrativa com o Arrowverse ou com a história de John Diggle iniciada na série ‘Arrow’.

Quem são os protagonistas de Lanterns no DCU?

A série será protagonizada por Kyle Chandler no papel de um Hal Jordan veterano e Aaron Pierre como o Lanterna Verde John Stewart.

Qual é o tom da nova série dos Lanternas Verdes?

James Gunn descreveu a série como um thriller de investigação noir, comparando-a ao estilo de ‘True Detective’, focada em um mistério terrestre com implicações cósmicas.

Onde poderei assistir à série Lanterns?

A série é uma produção original da HBO e estará disponível no serviço de streaming Max.

Chris Mundy e Tom King estão envolvidos na série?

Sim. Chris Mundy (showrunner de Ozark) atua como showrunner, enquanto o premiado autor de quadrinhos Tom King faz parte da equipe de roteiristas e produtores executivos.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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