‘Landman’: O destino de Cooper e o peso moral do final da 2ª temporada

Analisamos o impacto moral do final da 2ª temporada de ‘Landman’, focando na queda de Cooper e na performance visceral de Jacob Lofland. Entenda como o desfecho evita clichês de heroísmo e o que a morte de Johnny significa para o futuro da série no Paramount+.

Existe um tipo de cena que separa atores competentes daqueles que realmente compreendem o peso da tragédia humana. O confronto de Cooper no desfecho da segunda temporada de ‘Landman’ pertence ao segundo grupo — um momento que exigiu de Jacob Lofland uma vulnerabilidade que transcende a técnica. O resultado é um final da 2ª temporada de ‘Landman’ que se recusa a oferecer o conforto da justiça binária.

Em vez de resoluções fáceis, a série de Taylor Sheridan mergulha Cooper em um abismo moral. A forma como a narrativa escolhe tratar essa queda — desprovida de heroísmo barato ou vilania caricata — é o que eleva este encerramento. Não estamos diante de um drama convencional, mas de um estudo sobre as consequências irreversíveis de um impulso protetor.

Violência e fatalidade: O ponto de ruptura de Cooper

Violência e fatalidade: O ponto de ruptura de Cooper

Nos episódios finais, a tensão acumulada explode de forma brutal. Ariana, noiva de Cooper, sofre uma tentativa de estupro por Johnny. A reação de Cooper é instintiva, crua e visceral. Diferente de outras produções do gênero, a violência aqui não é coreografada para parecer estética; ela é feia, desajeitada e termina com Johnny no chão.

O ponto de virada ocorre quando o confronto físico se torna letal: Johnny sofre um ataque cardíaco e morre. Em um instante, Cooper deixa de ser apenas um homem defendendo quem ama para se tornar um suspeito de homicídio culposo. A série toma uma decisão corajosa ao não absolvê-lo imediatamente. Ele é preso, e embora Rebecca (Kayla Wallace) consiga sua liberdade temporária, o fantasma da investigação permanece. É apenas a intervenção de Tommy (Billy Bob Thornton), usando táticas de intimidação contra as autoridades, que estanca a hemorragia legal. Não é um final feliz; é um final possível dentro de um sistema corrompido.

Entre o instinto e a técnica: A entrega de Jacob Lofland

Em entrevista recente ao ScreenRant, Jacob Lofland descreveu a sequência como um dos dias mais pesados de sua trajetória. A dificuldade residia no equilíbrio: como traduzir a brutalidade do ataque a Ariana e a explosão de Cooper sem transformar o trauma em espetáculo gratuito?

Lofland revelou que a chave foi o abandono da técnica em favor da empatia. Ao se colocar no lugar de Cooper, o ator permitiu que a “reação impulsiva” guiasse seus movimentos. O que vemos na tela não é um cálculo de um herói de ação, mas o desespero de um jovem que vê seu mundo ser violado. É essa humanidade — com toda a sua feiura e falta de controle — que torna a performance tão impactante.

A agência de Ariana e o contraponto ao silêncio

A agência de Ariana e o contraponto ao silêncio

Um dos acertos mais subestimados do final da 2ª temporada de ‘Landman’ é a condução do arco de Ariana. Paulina Chávez entrega uma atuação que desafia os clichês de vítima. Sua recusa em denunciar o crime imediatamente não é um sinal de fraqueza, mas um reflexo de uma realidade sistêmica incômoda: o medo de ser desacreditada ou de reviver o trauma em um tribunal frio.

Enquanto Cooper age fisicamente, Ariana processa internamente. A série dá o mesmo peso narrativo para ambos os sofrimentos. Enquanto ele enfrenta as consequências externas e legais, ela lida com a erosão de sua segurança psíquica. Esse dualismo impede que o show se torne apenas mais um conto de vingança masculina, mantendo o foco na dor real da vítima.

O pragmatismo amoral de Tommy e o futuro da série

Billy Bob Thornton interpreta Tommy como um homem que habita as zonas cinzentas do Texas. Quando ele ameaça expor as autoridades para proteger o filho, não há um triunfo moral. É uma demonstração de como o poder e a influência funcionam na indústria do petróleo. Tommy salva Cooper, mas o método — manipulação e pressão — reforça que, no universo de Sheridan, a justiça é um recurso negociável, assim como o óleo sob o solo.

Para uma provável terceira temporada, o peso da morte de Johnny e o trauma de Ariana serão os pilares do desenvolvimento de Cooper. Ele não é mais o trabalhador ingênuo do início da série; agora ele carrega o estigma da violência. ‘Landman’ encerra seu segundo ano deixando o espectador em um limbo deliberado: Cooper está livre, mas sua inocência foi permanentemente enterrada.

As duas temporadas de ‘Landman’ estão disponíveis no catálogo do Paramount+.

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Perguntas Frequentes sobre o final de ‘Landman’

O que acontece com Cooper no final da 2ª temporada de ‘Landman’?

Cooper confronta Johnny após a tentativa de estupro contra Ariana. Johnny morre de um ataque cardíaco durante a briga. Cooper chega a ser preso, mas é solto após a intervenção de seu pai, Tommy, que pressiona as autoridades.

Onde assistir à série ‘Landman’?

A série é uma produção original da plataforma Paramount+, onde todas as temporadas estão disponíveis para streaming.

‘Landman’ é baseada em uma história real?

A série é inspirada no podcast ‘Boomtown’, que narra a realidade socioeconômica e os perigos da indústria do petróleo no Texas, embora os personagens e tramas específicas sejam ficcionais.

Haverá uma 3ª temporada de ‘Landman’?

Até o momento, a Paramount não confirmou oficialmente a renovação, mas o sucesso de audiência e o final em aberto sugerem que uma continuação é altamente provável.

Quem interpreta Cooper em ‘Landman’?

O personagem Cooper é interpretado pelo ator Jacob Lofland, conhecido por seus papéis em ‘Mud’ e na franquia ‘Maze Runner’.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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