‘Landman’: 2ª temporada melhora, mas precisa resolver problema no drama familiar

A Landman 2ª temporada evoluiu nas tramas corporativas com Billy Bob Thornton mais seguro no personagem, mas o drama familiar continua sendo seu calcanhar de Aquiles. Analisamos por que a queda de audiência enquanto a crítica melhorou revela o problema central da série de Taylor Sheridan.

Taylor Sheridan construiu um império televisivo com uma fórmula clara: conflitos de poder, diálogos afiados e homens difíceis em mundos implacáveis. ‘Yellowstone’ provou que isso funciona quando há coesão emocional. ‘Landman’ prova que, sem ela, até uma boa premissa pode naufragar pela metade. A Landman 2ª temporada representa uma melhoria tangível em relação à primeira — mas o salto de qualidade que a série precisa dar ainda não aconteceu.

O problema central persiste: quando Billy Bob Thornton está nos campos de petróleo ou nas salas de reunião onde decisões de milhões são tomadas, Sheridan está em seu elemento. Quando Thornton volta para casa para interpretar o “pai de família”, a série desanda. Não é um problema menor — é um abismo de qualidade que torna ‘Landman’ uma experiência fragmentada.

Thornton encontrou o personagem — e Sheridan, seu universo

Thornton encontrou o personagem — e Sheridan, seu universo

Na primeira temporada, Thornton oscilava entre a naturalidade que o consagrou e momentos de caricatura — como se ainda estivesse calibrando Tommy Norris. Na segunda temporada, isso desapareceu. O ator agora habita o personagem com uma segurança que torna cada negociação corporativa convincente. Aquele jeito de Tommy falar com funcionários, lidar com a burocracia do petróleo e navegar a política interna das empresas soa orgânico.

Sheridan sabe escrever homens em mundos difíceis. É onde ele vive melhor como dramaturgo. Os conflitos de negócios, as negociações tensas, a hierarquia brutal das empresas de petróleo — tudo flui com a competência que quem acompanha ‘Yellowstone’ reconhece. A diferença é que aqui Sheridan troca o neo-Western rural por um universo industrial moderno, e a transição funciona quando o foco está no trabalho. A fotografia de David Bjerre retrata os campos de extração com uma beleza árida que remete ao Western clássico — apenas trocando cavalos por torres de perfuração.

Os números refletem essa melhoria: saltamos de 78% para 83% no Rotten Tomatoes entre as temporadas. Thornton carregando a série nas costas e Sheridan refinando o tom corporativo explicam boa parte desse crescimento.

O paradoxo dos números: crítica subiu, audiência caiu

Enquanto a nota dos críticos subiu, a audiência caiu de 66% para 46% no mesmo agregador. Isso não é coincidência — é sintoma de desconexão. Críticos tendem a valorizar competência técnica e evolução narrativa. O público, por outro lado, está reagindo a algo que a crítica profissional às vezes normaliza: a inconsistência emocional.

Quando uma série te entrega cenas de trabalho envolventes e te obriga a atravessar subtramas familiares que não funcionam, você sente na maratona. Não é algo que aparece em review formal, mas afeta a experiência de assistir. O espectador comum não está analisando roteiro — está tentando se importar. E é difícil se importar com a família Norris quando ela parece existir em outra série, com outro nível de qualidade.

O drama familiar: um problema que Sheridan não consegue resolver

O drama familiar: um problema que Sheridan não consegue resolver

As cenas domésticas de ‘Landman’ funcionam como peso morto narrativo. Sheridan tenta construir Tommy como um homem dividido entre a brutalidade do negócio e a responsabilidade familiar, mas nunca encontra uma gramática emocional para isso. A família Norris não tem densidade, conflitos interessantes ou razão para existir além de “humanizar” o protagonista — algo que, paradoxalmente, consegue o oposto.

Isso não é novo no universo Sheridan. A crítica recorrente de que suas personagens femininas são subdesenvolvidas se aplica aqui com força total. A segunda temporada tenta amenizar o problema, mas a disparidade entre personagens masculinos e femininos permanece gritante. Quando você tem um elenco feminino que parece funcionar em outra frequência dramática que o masculino, a série inteira perde coesão.

O mais frustrante é que Sheridan já demonstrou saber fazer isso. Em ‘Yellowstone’, a família Dutton — com todos os seus problemas — funciona como unidade dramática. As mulheres têm agência, os conflitos domésticos têm peso. Em ‘Landman’, parece que Sheridan está tentando replicar uma fórmula sem entender o que a fazia funcionar: a família Dutton é central para o conflito de terra; a família Norris parece um apêndice que o roteiro carrega por obrigação.

O que a terceira temporada precisa resolver

Com a terceira temporada em produção e estreia provável em novembro de 2026, Sheridan tem uma decisão a tomar: ou ele aprende a escrever família no contexto de ‘Landman’, ou ele abandona essa pretensão e foca no que a série faz bem. Não há meio termo. A queda brusca na audiência sugere que os espectadores estão perdendo paciência com a fragmentação.

O caminho mais honesto seria assumir que Tommy Norris funciona como um homem de negócios cercado de conflitos corporativos, não como um pai em drama familiar. Reduzir o tempo de tela doméstico ou reformular completamente essas dinâmicas seria um ato de misericórdia narrativa. Tentar consertar o que não funciona há duas temporadas é insistir no erro.

‘Landman’ tem potencial para ser algo especial no cânone Sheridan — uma ponte entre o Western clássico e o thriller corporativo moderno. Mas para isso, precisa parar de tentar ser duas séries ao mesmo tempo. Escolha um caminho e siga com competência. É o mínimo que uma produção dessa envergadura merece.

Veredito: para quem vale a pena

Se você gosta do estilo Sheridan — diálogos tensos, homens difíceis, negociações de alta pressão — a segunda temporada de ‘Landman’ entrega isso com mais competência que a primeira. Thornton está em forma, o universo do petróleo é fascinante, e há material suficiente para quem quer maratonar algo que funciona nos momentos certos. Mas vá sabendo: você terá que atravessar trechos que testam a paciência. Se você exige coesão emocional e personagens femininos bem construídos, talvez ‘Landman’ não seja sua melhor aposta no estado atual. A melhoria é real, mas o problema fundamental permanece sem solução.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Landman’

Onde assistir ‘Landman’?

‘Landman’ é uma série original da Paramount+, disponível exclusivamente na plataforma. As duas temporadas estão disponíveis para assinantes.

‘Landman’ tem 3ª temporada confirmada?

Sim, a terceira temporada de ‘Landman’ está em produção com estreia prevista para novembro de 2026. A renovação foi confirmada pela Paramount+.

Preciso assistir a 1ª temporada para entender a 2ª?

Sim. ‘Landman’ é uma série serializada com continuidade narrativa entre temporadas. Os arcos de personagem e os conflitos corporativos dependem do estabelecido na primeira temporada.

Para quem ‘Landman’ é recomendado?

Fãs de Taylor Sheridan (‘Yellowstone’, ‘Tulsa King’) e quem aprecia dramas corporativos com tensão e diálogos afiados vão encontrar material de qualidade. Quem busca coesão emocional e personagens femininos bem desenvolvidos pode se frustrar.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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