‘Kohrra’: o thriller indiano que merece sua atenção antes da 2ª temporada

Com 100% de aprovação, ‘Kohrra’ na Netflix redefine o noir indiano ao trocar o glamour pelo realismo visceral do Punjab. Analisamos como este thriller policial utiliza o mistério para dissecar segredos familiares e masculinidade tóxica antes da estreia da 2ª temporada em 2026.

Se você vasculha o catálogo de streaming em busca de algo que fuja do óbvio, já conhece a frustração de encontrar produções genéricas que seguem a mesma fórmula exaustiva. No entanto, ‘Kohrra’, na Netflix, surgiu como um ponto fora da curva: uma série que ostenta raríssimos 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e que, mesmo assim, opera em um radar quase secreto fora da Índia. Com a segunda temporada confirmada para 11 de fevereiro de 2026, ignorar esta obra não é mais uma opção para quem busca suspense de alta densidade.

A neblina como barreira moral: por que ‘Kohrra’ não é apenas um procedural

O título, que em punjabi significa ‘neblina’, é a metáfora central que o diretor Randeep Jha utiliza com precisão cirúrgica. Diferente dos thrillers que buscam o choque rápido com reviravoltas artificiais, ‘Kohrra’ prefere o desconforto da incerteza. A trama parte da descoberta do corpo de um noivo britânico-indiano em um campo de Punjab, às vésperas de seu casamento. O que se segue não é apenas uma caçada ao assassino, mas uma autópsia social de uma região onde a tradição e a modernidade colidem de forma violenta.

O grande trunfo da série é transformar o ‘whodunit’ em um estudo de personagem. Enquanto os detetives Balbir Singh e Amarpal Garundi mergulham na investigação, a série nos obriga a encarar as feridas abertas do Punjab contemporâneo: o patriarcado sufocante, a obsessão pelo status de imigrante e uma homofobia sistêmica que molda as ações de todos os envolvidos. É cinema policial com alma de drama visceral.

Atuações que subvertem o padrão de Bollywood

Esqueça as cores vibrantes ou o melodrama que muitos ainda associam erroneamente a toda produção indiana. ‘Kohrra’ é gélido, sujo e melancólico. As atuações de Suvinder Vicky (Balbir) e Barun Sobti (Garundi) são o alicerce emocional da narrativa. Balbir é o veterano exausto, cuja vida pessoal é tão caótica quanto o crime que tenta resolver; Garundi é o parceiro mais jovem, tentando equilibrar lealdade e suas próprias ambições em um sistema inerentemente corrompido.

A dinâmica entre eles evita o clichê de ‘policial bom e policial mau’. Ambos são profundamente falhos. Em uma das cenas mais potentes da temporada, quando Balbir confronta sua própria filha sobre erros do passado, fica claro que o crime central é apenas o catalisador para uma história maior sobre arrependimento e a impossibilidade de apagar o que já foi feito. A câmera de Jha é voyeurística, focando nos silêncios e nas reações de quem está ao redor, revelando que, no Punjab de ‘Kohrra’, o que não é dito é sempre mais perigoso.

Por que a 2ª temporada é um dos eventos mais aguardados de 2026

A renovação de ‘Kohrra Netflix’ não foi apenas uma decisão comercial, mas um reconhecimento ao status de cult que a série adquiriu. O hiato de quase três anos entre as temporadas sugere que os criadores Gunjit Chopra e Diggi Sisodia priorizaram a densidade do roteiro em vez de uma entrega apressada. Para quem ainda não assistiu, o timing é ideal por três motivos técnicos:

  • Autenticidade Regional: A série utiliza o dialeto punjabi e locações reais, oferecendo uma imersão cultural que foge dos filtros turísticos.
  • Estética Noir: A fotografia utiliza a neblina natural da região para criar uma atmosfera sufocante, onde a visibilidade limitada reflete a cegueira moral dos personagens.
  • Impacto Emocional: O desfecho da primeira temporada é logicamente devastador, provando que a série não tem medo de finais amargos que respeitam a inteligência do espectador.

O veredito: vale a maratona?

Se você aprecia obras como ‘Mare of Easttown’ ou o noir escandinavo (como ‘The Bridge’), ‘Kohrra’ vai ressoar fortemente com seu gosto. É uma obra que exige atenção aos detalhes e paciência com seu ritmo deliberadamente lento, mas que recompensa com uma profundidade rara no gênero policial moderno. ‘Kohrra’ entende que, na vida real, a neblina raramente se dissipa por completo — ela apenas muda de lugar. Prepare-se para a segunda temporada mergulhando em um dos melhores thrillers desta década.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Kohrra’ (Netflix)

Quando estreia a 2ª temporada de ‘Kohrra’?

A segunda temporada de ‘Kohrra’ está programada para estrear na Netflix em 11 de fevereiro de 2026, mantendo o foco em investigações criminais com forte peso social.

‘Kohrra’ é baseada em uma história real?

Não é baseada em um crime específico, mas os criadores afirmam que a série é inspirada em diversas realidades sociais e conflitos familiares comuns na região do Punjab, na Índia.

Onde a série ‘Kohrra’ foi filmada?

A série foi filmada inteiramente no estado de Punjab, na Índia, utilizando a neblina característica do inverno da região como elemento narrativo e visual central.

Quantos episódios tem a primeira temporada?

A primeira temporada conta com 6 episódios, cada um com cerca de 45 a 50 minutos de duração, ideais para uma maratona de fim de semana.

Qual é a classificação indicativa de ‘Kohrra’?

A série é recomendada para maiores de 16 ou 18 anos (dependendo da região), devido a temas sensíveis, violência e linguagem forte.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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