‘King Conan’: Schwarzenegger detalha enredo e como o filme abordará sua idade

Arnold Schwarzenegger confirmou que ‘King Conan’ está em desenvolvimento com Christopher McQuarrie, revelando como o roteiro integrará seus quase 80 anos na trama de um rei deposto que precisa reconquistar seu reino — uma abordagem rara em Hollywood.

Trinta e quatro anos depois de vestir a coroa pela última vez nas telas, Conan finalmente vai voltar a reinar. Arnold Schwarzenegger confirmou no Arnold Sports Festival que ‘King Conan’ está em desenvolvimento com Christopher McQuarrie na direção e roteiro — e, mais importante, revelou como o projeto pretende lidar com algo que franquias de ação costumam ignorar: o tempo.

A notícia é um alento para quem acompanha a saga tortuosa desse projeto desde os anos 90. ‘Conan, o Bárbaro’ de 1982 não era apenas um veículo para o físico impressionante de Schwarzenegger — era um filme de espada e feitiçaria com atmosfera densa, violência brutal e uma narrativa mítica que John Milius construiu com seriedade inesperada. A sequência, ‘Conan, o Destruidor’ (1984), suavizou tudo que funcionava no original em nome de um público mais jovem, e o resultado foi um filme esquecível que praticamente matou a franquia. O reboot de 2011 com Jason Momoa tentou ressuscitar o personagem, mas era um produto genérico que nem o carisma do ator conseguia salvar.

McQuarrie e a arte de fazer ação com consequências

McQuarrie e a arte de fazer ação com consequências

A escolha de Christopher McQuarrie não é um detalhe menor — é a diferença entre mais um produto nostálgico e algo que pode ter peso real. O cara não é um mercenário de blockbuster; ele construiu uma filmografia que combina espetáculo com inteligência. Escreveu ‘No Limite do Amanhã’ (2014), aquele filme de ficção científica que faz você pensar depois dos créditos. Dirigiu e escreveu os últimos quatro filmes de ‘Missão Impossível’, transformando uma franquia que poderia ser apenas perseguições de carro em algo com stakes emocionais genuínos — vide o arco de Ethan Hunt em ‘Fallout’, onde cada decisão tem peso físico e moral. Co-escreveu ‘Top Gun: Maverick’, provando que consegue respeitar legados sem ser refém deles.

Se alguém pode fazer um ‘King Conan’ que não seja apenas ‘Schwarzenegger com espada de novo’, é esse cara. A experiência dele em construir sequências que expandem em vez de repetir é exatamente o que Conan precisa após décadas de limbo.

A idade como narrativa, não como obstáculo

O detalhe mais revelador das declarações de Schwarzenegger é a abordagem da idade. ‘Eles não escrevem como se eu tivesse quarenta anos’, explicou. ‘Escrevem de forma apropriada para a idade. Ainda vou lá e chutar algumas bundas, mas será diferente.’

Isso é raro em Hollywood. A indústria de ação tem um relacionamento patativo com o envelhecimento de seus ícones — ou esconde com CGI (lembra de ‘Indiana Jones e o Chamado do Destino’ desbotando Harrison Ford na pós-produção?), ou ignora completamente (Liam Neeson pulando cercas em ‘Taken 3’ aos 62), ou transforma em piada (‘Expendables’ inteiro é construído sobre ‘velhos fazendo coisas de jovens’). Ver um projeto que pretende integrar os quase 80 anos de Schwarzenegger na própria narrativa é refrescante.

E faz sentido para Conan: nos contos originais de Robert E. Howard publicados na revista ‘Weird Tales’ nos anos 30, o personagem envelhece, torna-se rei de Aquilônia, enfrenta as consequências de uma vida de violência. A jornada de um guerreiro que se torna governante e depois precisa lidar com a perda do poder tem peso dramático real — é material que Howard nunca explorou em vida, mas que existe no DNA do personagem.

O que Schwarzenegger descreve da trama — Conan reinou por quarenta anos, foi deposto, e precisa reconquistar seu reino — é material rico para um filme que não seja apenas espetáculo vazio. Há espaço aqui para refletir sobre legado, sobre o que resta de um guerreiro quando a força física diminui, sobre o que significa ‘conquistar’ quando você já conquistou tudo.

Por que o status do projeto importa

Por que o status do projeto importa

Aqui entra um ponto crucial: o projeto está em fase de roteiro. Schwarzenegger não deu timeline para início das filmagens, o que significa que provavelmente não rodaria antes de 2027, com lançamento em 2028 ou além. Isso é importante contextualizar porque notícias de Hollywood têm uma tendência a anunciar projetos como certezas quando ainda são intenções.

McQuarrie, especificamente, tem uma agenda carregada. ‘Mission: Impossible – The Final Reckoning’ ainda está em produção, e ele é o cérebro por trás de toda a operação. A pergunta que fica é: quando exatamente ele teria disponibilidade para escrever e dirigir um épico de fantasia?

Mas o fato de Schwarzenegger estar falando publicamente sobre detalhes de enredo no Arnold Sports Festival sugere que o projeto tem momentum real. Não é um rumor de corredor; é algo sendo desenvolvido ativamente com a Fox envolvida.

O momento certo para o retorno de Schwarzenegger

O que torna ‘King Conan’ especialmente interessante é que ele não está sozinho. Schwarzenegger mencionou que a Fox ‘redescobriu o Arnold’ e está movendo várias peças. Há conversas para ele retornar como Dutch em um novo filme de ‘O Predador’ com Dan Trachtenberg. Existe até um roteiro para ‘Comando para Matar 2’.

Isso não é nostalgia desesperada — é um momento específico da indústria. Os filmes de Trachtenberg (‘O Predador: A Caçada’ e ‘O Predador: Badlands’) provaram que dá para expandir franquias antigas com visão autoral. ‘Top Gun: Maverick’ demonstrou que sequências décadas depois podem funcionar quando tratadas com seriedade. ‘Indiana Jones e o Chamado do Destino’ mostrou o contrário: o que acontece quando você ignora a idade do protagonista em vez de integrá-la.

A diferença crucial aqui é que Schwarzenegger parece consciente de suas limitações atuais e os projetos estão sendo construídos em torno delas, não apesar delas. Isso muda tudo.

O desfecho que a franquia merece

‘Conan, o Bárbaro’ terminava com o personagem sentado em um trono, já sugerindo um futuro como rei. O filme de 1982 era, em essência, uma história de origem épica — a vingança de um órfão que se torna lenda. ‘King Conan’ tem a oportunidade de fechar o ciclo de forma tematicamente coerente: o guerreiro que conquistou tudo agora enfrenta a conquista mais difícil, que é manter — e depois reconquistar — o que construiu.

A promessa de ‘loucura, violência, magia e criaturas’ com orçamento blockbuster é o que qualquer fã de espada e feitiçaria quer ouvir. Mas o que me intriga de verdade é a possibilidade de ver McQuarrie aplicando sua abordagem de ação com consequências em um universo de fantasia. Se ele conseguir o mesmo equilíbrio de ‘Top Gun: Maverick’ — respeitar o original sem ser escravo dele, entregar espetáculo sem esvaziar o significado — ‘King Conan’ pode ser algo especial.

Para um personagem que definiu a imagem de Schwarzenegger muito antes de ‘O Exterminador’, um desfecho digno é o mínimo que Conan merece. E pela primeira vez em décadas, há motivo real para otimismo.

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Perguntas Frequentes sobre ‘King Conan’

Quando lança ‘King Conan’ com Schwarzenegger?

Não há data confirmada. O projeto está em fase de roteiro e, considerando a agenda de Christopher McQuarrie com ‘Mission: Impossible’, lançamento provável seria apenas em 2028 ou depois.

‘King Conan’ é sequência direta de ‘Conan, o Bárbaro’ de 1982?

Sim. O filme ignora o reboot de 2011 com Jason Momoa e continua a história do Conan de Schwarzenegger, mostrando o personagem décadas depois de se tornar rei.

Qual a trama de ‘King Conan’?

Segundo Schwarzenegger, Conan reinou por quarenta anos, foi deposto do trono de Aquilônia, e precisa reconquistar seu reino. A história adapta elementos dos contos originais de Robert E. Howard.

Quem vai dirigir ‘King Conan’?

Christopher McQuarrie, diretor e roteirista dos últimos filmes de ‘Missão Impossível’ e co-roteirista de ‘Top Gun: Maverick’, está confirmado para dirigir e escrever o roteiro.

Como o filme vai lidar com a idade de Schwarzenegger?

O roteiro integra os 79 anos do ator na narrativa — Conan é um rei idoso deposto que precisa reconquistar poder, não um guerreiro no auge físico. A idade vira elemento dramático, não obstáculo a ser escondido.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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