‘Kennedy’: Netflix revela elenco e primeira imagem de sua ‘The Crown’ americana

A série Kennedy da Netflix chega com Michael Fassbender como Joe Kennedy Sr. e elenco de peso para ocupar o vazio deixado por ‘The Crown’. Analisamos como a produção transforma a dinastia americana em ‘realeza inventada’ — e por que isso muda fundamentalmente o tipo de drama possível.

Quando ‘The Crown’ encerrou sua sexta temporada em 2023, deixou um vácuo específico: o de drama histórico com orçamento ilimitado, elenco de peso e ambição de retratar uma família que o público acha que conhece, mas mal compreende. A Netflix parece ter encontrado sua resposta — e a série Kennedy da Netflix não está nem um pouco interessada em ser discreta sobre isso.

A primeira imagem de Michael Fassbender como Joe Kennedy Sr. — patriarca da dinastia política americana — chegou acompanhada de um elenco que beira o excesso proposital. É a Netflix olhando para o legado de ‘The Crown’ e dizendo: ‘Nós também sabemos fazer realeza. Só que a nossa não usa coroa.’

Primeira imagem: Fassbender como patriarca sombrio

Primeira imagem: Fassbender como patriarca sombrio

A foto mostra Fassbender em perfil clássico, iluminação cuidadosa, figurino de época impecável. A mensagem é clara: isto é prestígio. Mas o que salta aos olhos não é a qualidade técnica — esperada em qualquer produção Netflix desse porte — e sim a escolha do momento capturado. Joe Kennedy Sr. não era um homem de sorrisos fáceis. A imagem sugere que a série entende isso.

Fassbender construiu uma carreira interpretando homens intensamente focados, às vezes obcecados, frequentemente difíceis de gostar — de David em ‘Prometheus’ a Edwin Epps em ’12 Anos de Escravidão’. Sua versão de Steve Jobs em 2015, sob direção de Danny Boyle, foi um estudo sobre como a genialidade técnica pode coexistir com uma personalidade emocionalmente destrutiva. Joe Kennedy Sr. exige exatamente esse tipo de dualidade: um homem que construiu uma fortuna, embaixou para a Grã-Bretanha, e criou filhos destinados ao palco público — enquanto carregava controvérsias que a história preferiu suavizar.

Elenco de peso confirma aposta em ‘mitologia americana’

Sam Shaw, criador de ‘Castle Rock’ e agora showrunner de ‘Kennedy’, descreveu a história da família como ‘a coisa mais próxima que temos de mitologia americana — em algum ponto entre Shakespeare e The Bold and the Beautiful’. É uma frase que soa como elogio e advertência simultâneas. Mitologia implica grandeza, mas também construção narrativa — histórias contadas e recontadas até que a versão pública pouco tem a ver com a realidade.

O elenco reflete essa ambição de escala quase shakespeariana. Laura Donnelly, que impressionou em ‘The Nevers’ e ‘Outlander’, assume Rose Kennedy — a matriarca que manteve a fachada católica inabalável enquanto a família desmoronava publicamente. Nick Robinson e Joshuah Melnick dividem os filhos mais velhos: Joe Jr., o herdeiro que morreu antes de cumprir seu ‘destino’, e John F. Kennedy, o filho que herdou um legado nunca projetado para ele.

Imogen Poots como Gloria Swinson é um casting que chama atenção — não pela escolha da atriz, mas pelo que sugere sobre o escopo da série. Swinson foi uma das maiores estrelas de Hollywood do cinema mudo e amante declarada de Joe Kennedy Sr. durante anos. Sua presença na trama indica que ‘Kennedy’ não se limitará aos corredores políticos — a relação entre Hollywood e poder político, que Joe Kennedy ajudou a definir, parece ser parte central da narrativa.

O peso de substituir ‘The Crown’ — e a diferença crucial

O peso de substituir 'The Crown' — e a diferença crucial

A comparação com ‘The Crown’ é inevitável porque a Netflix a quer assim. Seis temporadas de drama real renderam à plataforma 21 Emmys, incluindo quatro de Melhor Série Dramática — um recorde. Mas ‘Kennedy’ tem uma vantagem e um desafio que sua antecessora britânica não enfrentava.

A monarquia inglesa é instituição imóvel por definição. Os Windsor não escolhem ser realeza; nascem nela. A tensão de ‘The Crown’ vinha desse aprisionamento — vidas individuais esmagadas pelo peso de uma função hereditária. Os Kennedy são o oposto: uma família que escolheu o destino público, que manipulou, investiu e fabricou sua própria versão de realeza. Joe Kennedy Sr. não herdou poder; ele o construiu com a mesma determinação que construiu sua fortuna no mercado de ações e, segundo rumores persistentes, no contrabando de álcool durante a Lei Seca.

Isso muda fundamentalmente o tipo de drama que ‘Kennedy’ pode ser. A tragédia não está no fardo de nascença — está na consequência de ambição. Cada queda, cada assassinato, cada escândalo, é resultado direto de escolhas que a família fez. A mitologia que Shaw menciona é, em última análise, uma história sobre o custo de querer demais.

Fassbender e a arte de interpretar homens difíceis

O centro da série, no entanto, não será JFK — pelo menos não nesta fase. Baseada na biografia de Fredrik Logevall ‘JFK: Coming of Age in the American Century, 1917-1956’, a produção começa nos anos 1930, focando na ascensão de Joe Kennedy Sr. e sua mulher Rose enquanto os nove filhos começam a chamar atenção nacional.

Fassbender é, provavelmente, o ator trabalhando hoje que melhor entende a linguagem da ambição silenciosa. Seu Magneto na franquia X-Men transformou um vilão de quadrinhos em estudo sobre trauma e radicalização. Em ‘Steve Jobs’, ele capturou um homem cuja visão de futuro exigia um presente constantemente em colapso emocional. Joe Kennedy Sr. exige algo similar: carisma suficiente para construir impérios, frieza suficiente para mantê-los de pé, e humanidade suficiente para que o público entenda por que seus filhos o amavam e temiam.

A série tem oito episódios confirmados, produção em andamento em Londres, e sem data de estreia anunciada. Mas o material de origem sugere uma narrativa que vai além da Casa Branca — focando na formação de uma dinastia antes que ela se tornasse lenda. Se Shaw conseguir equilibrar a ‘mitologia’ que promete com a nuance histórica que Logevall oferece, ‘Kennedy’ pode ser mais que um substituto para ‘The Crown’. Pode ser sua contrapartida americana — mesma ambição, mesma escala, mas com uma diferença fundamental: aqui, a realeza foi inventada, não herdada.

Para quem é ‘Kennedy’?

Para quem acompanhou ‘The Crown’ até o fim, ‘Kennedy’ chega como promessa de algo familiar por estrutura mas radicalmente diferente por natureza. Os Windsor nascem servindo. Os Kennedy escolheram servir — e pagaram por isso. Se a série tiver coragem de explorar essa diferença com a profundidade que o elenco permite, teremos algo que merece existir por seus próprios méritos, não apenas como sucessor de trono alheio.

Fãs de drama político histórico encontram aqui material rico. A dinastia Kennedy envolve poder, tragédia, escândalo e mitologia americana em doses que rivalizam qualquer ficção. A questão é se Shaw e sua equipe conseguirão navegar entre o hagiografia e o sensacionalismo — dois extremos que historicamente cercam qualquer retrato da família.

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Perguntas Frequentes sobre a série Kennedy

Quando estreia a série Kennedy na Netflix?

A Netflix ainda não anunciou data de estreia. A produção está em andamento em Londres, com oito episódios confirmados.

Quem interpreta Joe Kennedy na série da Netflix?

Michael Fassbender interpreta Joe Kennedy Sr., o patriarca da dinastia política americana. É seu primeiro papel regular em série de TV.

A série Kennedy é baseada em livro?

Sim. A série é baseada na biografia ‘JFK: Coming of Age in the American Century, 1917-1956’, do historiador Fredrik Logevall, vencedora do Pulitzer.

Quem é o criador da série Kennedy?

Sam Shaw, criador de ‘Castle Rock’ e roterista de ‘Masters of Sex’, é o showrunner. A série é produzida em parceria com a wiip, mesma produtora de ‘Mare of Easttown’.

A série Kennedy vai mostrar JFK presidente?

Não na primeira temporada. O material de origem cobre o período de 1917 a 1956, focando na formação da dinastia e na juventude de JFK, não na presidência.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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