Mesmo após o final de ‘John Wick 4’, Keanu Reeves volta como John Wick em três frentes — game, animação e o possível ‘John Wick 5’. Analisamos por que a Lionsgate escolheu o “passado” como atalho e o que isso custa (ou salva) na mitologia da série.
Quando John Wick tombou naquelas escadarias em Paris, no fim de ‘John Wick 4: Baba Yaga’, a cena foi encenada como ponto-final: o corpo caindo, Winston e o Bowery King diante do túmulo, a lenda enfim em silêncio. E, ainda assim, o assunto não morreu. Porque a pergunta real nunca foi “como ele sobreviveu?”, e sim: a franquia consegue existir sem Keanu Reeves?
Pelos sinais mais recentes, a resposta é desconfortavelmente simples: não por muito tempo. A Lionsgate até tenta empurrar o universo para fora da sombra do protagonista — mas, quando precisa garantir atenção (e bilheteria), recorre ao mesmo antídoto: Keanu Reeves John Wick. O “retorno”, agora, não é um único anúncio sensacionalista: é uma estratégia em três frentes que evita o problema da morte no presente usando passado, mídia alternativa e — no limite — uma possível reescrita do próprio final.
Os 3 projetos em que Keanu Reeves volta a ser John Wick (e o que cada um resolve)
1) Um jogo de videogame (prequela)
O primeiro retorno é um game ainda sem título, concebido como prequela — isto é, antes do primeiro ‘John Wick’. A lógica é clara: se o personagem “morreu” no quarto filme, a forma mais limpa de trazê-lo de volta é contar histórias quando ele ainda estava no auge. Reeves, aqui, não é um selo decorativo; o projeto vem sendo divulgado como algo com envolvimento direto do núcleo criativo ligado ao “jeito John Wick” de fazer ação, com Chad Stahelski orbitando a produção da franquia. É também a tentativa mais delicada, porque o jogo não pode ser apenas “mais do mesmo”: precisa traduzir para gameplay aquilo que os filmes têm de mais reconhecível — coreografias legíveis, sensação de impacto e ritmo de execução.
2) Um filme animado sobre a “tarefa impossível”
O segundo retorno é um longa animado, também sem título, anunciado como a chance de finalmente mostrar o grande feito que os filmes citaram desde o começo: a “tarefa impossível” que libertou John de sua vida anterior. Esta é, de longe, a premissa mais cinéfila do pacote — porque pega uma lacuna mítica da franquia (um evento que existe mais como lenda do que como plot) e transforma isso em história. Com Shannon Tindle na direção e Vanessa Taylor no roteiro, e Stahelski na produção, a animação pode fazer o que o live-action evita por limites físicos e logísticos: exagerar escala, desenhar movimentos “impossíveis” sem perder clareza e explorar o lado quase folclórico do Baba Yaga. Reeves dublando John é menos nostalgia e mais coerência: é a voz que ancora a mitologia.
3) ‘John Wick 5’ (o retorno que muda o sentido do final)
O terceiro projeto é o mais importante justamente por ser o mais espinhoso: ‘John Wick 5’. Ele existe como desenvolvimento, conversa e intenção — mas sem cronograma fechado. E isso importa, porque um quinto filme com Reeves não é só “mais um capítulo”: é uma decisão editorial sobre o próprio legado do quarto longa. Se ‘John Wick 4’ foi construído para encerrar com dignidade (e foi), voltar ao presente exigiria uma escolha: preservar a ambiguidade do túmulo (morte “cinematográfica”, espaço para dúvida) ou assumir abertamente que o final foi reversível. A franquia pode até conseguir fazer isso com estilo, mas o custo é claro: a morte deixa de ser conclusão e vira pausa.
Por que o “mundo de John Wick” ainda depende tanto do rosto de Keanu Reeves
O universo tem Continental, Alta Cúpula, moedas, regras, rituais — um folclore inteiro pronto para spin-offs. Só que o motor emocional sempre foi um homem que fala pouco e carrega muito. Reeves não vende John Wick como “super-herói”; vende como corpo em desgaste, luto em silêncio, disciplina como sobrevivência. Mesmo nos exageros operísticos do quarto filme, a franquia faz questão de manter uma gramática que dá peso a cada golpe: quedas longas, respirações audíveis, pausas entre explosões de violência.
É por isso que, quando a Lionsgate expande sem ele, a reação natural do público é perguntar “onde está John?”. Não é só carisma. É continuidade de linguagem. Stahelski e Reeves viraram, juntos, uma assinatura: câmera que quer mostrar o movimento (e não escondê-lo), montagem que prioriza legibilidade, e uma presença central que convence até o absurdo mais coreografado.
O que essa estratégia em 3 frentes revela sobre o futuro da franquia
Os três projetos desenham um recado: a franquia quer crescer sem trair o final — mas está preparando rotas de fuga caso precise. Prequelas (game e animação) são o caminho “limpo”: entregam John Wick de volta sem ressuscitar ninguém. O possível quinto filme é o teste moral e comercial: até onde dá para esticar a coerência sem desmontar o que fez o quarto longa funcionar como despedida?
Como leitor e espectador que viu ‘John Wick’ sair de ação médio orçamento para fenômeno global, a sensação é ambivalente — e isso é bom sinal. O estúdio parece ter entendido que não basta “ter mais conteúdo”; é preciso ter razão narrativa. A animação tem essa razão. O jogo pode ter, se respeitar a gramática da série. Já ‘John Wick 5’ só vale se encontrar um argumento que não reduza Paris a truque.
Até lá, o túmulo segue como imagem forte — e a franquia tenta algo raro: manter o personagem “morto” no presente, mas vivo no imaginário (e no catálogo) por outras vias. Se funcionar, é expansão. Se não, vira apenas dificuldade de dizer adeus.
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Perguntas Frequentes sobre Keanu Reeves e John Wick
John Wick morreu mesmo em ‘John Wick 4: Baba Yaga’?
O filme encena a morte como final (túmulo e despedida), mas deixa ambiguidade suficiente para interpretações e continuação. Por isso, o estúdio consegue falar em ‘John Wick 5’ sem confirmar, de forma definitiva, o destino do personagem.
Quais são os 3 projetos em que Keanu Reeves retorna como John Wick?
Até o momento, fala-se em três frentes: um jogo de videogame (como prequela), um filme animado centrado na “tarefa impossível” e o desenvolvimento de ‘John Wick 5’ (ainda sem data confirmada).
O filme animado de John Wick vai mostrar a “tarefa impossível” citada nos filmes?
Sim. A premissa anunciada do longa animado é justamente dramatizar a “tarefa impossível” que os filmes mencionam como o feito que permitiu a John Wick tentar sair do submundo.
O jogo de John Wick é continuação ou prequela?
A proposta divulgada é de prequela, situada antes do primeiro filme. Isso permite usar John Wick em seu auge sem precisar “desfazer” o desfecho do quarto longa.
Preciso assistir aos filmes para entender os novos projetos de John Wick?
Para game e animação (ambos com premissa de prequela), dá para acompanhar com menos bagagem, mas os filmes ajudam porque estabelecem regras, personagens e o peso da “tarefa impossível”. Já um eventual ‘John Wick 5’ provavelmente exigiria conhecer o final do quarto filme.

