Julia Roberts e o ‘erro’ que quase custou ‘Um Lugar Chamado Notting Hill’

Julia Roberts revela por que quase recusou ‘Um Lugar Chamado Notting Hill’ por considerar a premissa “estúpida” e autoindulgente. Analisamos como o roteiro de Richard Curtis e a direção de Roger Michell transformaram o ceticismo da atriz no papel mais icônico de sua carreira.

Existe um tipo de honestidade que só surge décadas depois, quando o sucesso já está consolidado e a necessidade de fazer média com a indústria desaparece. Julia Roberts, a eterna ‘namoradinha da América’, entregou exatamente isso ao revelar sua reação visceral ao ler o roteiro de ‘Um Lugar Chamado Notting Hill’: “Essa parece a ideia mais estúpida de qualquer filme que eu poderia fazer”.

A revelação, feita em entrevista ao Deadline, não é apenas uma anedota de bastidores; é um vislumbre de como o instinto de uma estrela pode falhar diante de um projeto que se tornaria o padrão ouro das comédias românticas. Com uma bilheteria de 363 milhões de dólares e um status de cult que atravessa gerações, o filme quase perdeu sua peça central por causa de uma resistência ao que Roberts considerava “meta demais”.

A armadilha do ‘meta’: Por que Anna Scott assustou Julia Roberts

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Em 1999, Roberts não era apenas uma atriz; ela era a estrela. Vinha de uma sequência avassaladora com ‘O Casamento do Meu Melhor Amigo’ e ‘Uma Linda Mulher’. Quando seu agente apresentou a premissa — a maior estrela de cinema do mundo se apaixona por um dono de livraria comum em Londres —, o alarme de Roberts disparou. “Vou interpretar a maior estrela de cinema do mundo e faço o quê? Isso parece tão estupidamente idiota”, relembrou ela.

O medo era legítimo. Havia um risco real de o filme soar autoindulgente ou pretensioso. Interpretar a si mesma (ou uma versão de si mesma) exige uma vulnerabilidade que muitas estrelas evitam. O que Roberts não esperava era a precisão cirúrgica do texto de Richard Curtis. O roteiro não era sobre o brilho da fama, mas sobre a solidão que ela gera. A virada de chave aconteceu quando ela percebeu que Anna Scott não era um espelho, mas um desabafo.

O fator Roger Michell: A direção que humanizou o ícone

Se o roteiro de Curtis trouxe o charme, foi a direção de Roger Michell (falecido em 2021) que garantiu a substância. Roberts faz questão de creditar Michell pela atmosfera do set: “Eles eram tão charmosos, doces e engraçados. E eu pensei: ‘Uau, isso realmente vai acontecer'”.

Diferente de outras comédias românticas da época, que apostavam em slapstick ou situações absurdas, Michell tratou ‘Notting Hill’ com uma sobriedade quase britânica. A famosa cena do “I’m just a girl, standing in front of a boy…” poderia ter sido melosa e artificial nas mãos erradas. Sob a direção de Michell, tornou-se o momento em que a barreira entre a estrela intocável e o público finalmente caiu. Foi ali que o “erro” de Roberts se transformou em seu maior acerto: ela parou de lutar contra a premissa e abraçou a humanidade da personagem.

Um elenco de apoio que sustenta o conto de fadas

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Roberts é enfática ao dizer que o filme foi “escalado à perfeição”. E ela tem razão. A química com Hugh Grant é o motor, mas o combustível vem das margens. Rhys Ifans como o bizarro Spike e a participação relâmpago de Alec Baldwin como o namorado americano insensível servem para ancorar o filme na realidade. Baldwin, especificamente, é citado por Roberts como uma “escalação brilhante”, pois ele personifica tudo o que o personagem de Grant não é: o ruído de Hollywood interrompendo o silêncio de Notting Hill.

A matemática do riso e o legado de Garry Marshall

A percepção de Roberts sobre comédia foi moldada por gigantes. Ela cita Garry Marshall (diretor de ‘Uma Linda Mulher’) e sua teoria de que uma piada tem três partes, como uma batida de tambor. Essa técnica é visível em ‘Notting Hill’, onde o timing é milimétrico. No entanto, sua maior métrica de sucesso hoje é pessoal: “Se eu consigo fazer meu marido rir de verdade… isso me preenche”.

Essa mudança de perspectiva reflete sua trajetória atual. Roberts não precisa mais provar que é uma estrela de comédia romântica; ela já é a fundação do gênero. Seu trabalho mais recente, ‘Depois da Caçada’ (2025), mostra essa evolução ao colocá-la novamente no radar das premiações, com uma indicação ao Globo de Ouro na categoria Drama. Ela competirá em 11 de janeiro contra talentos como Jessie Buckley e Jennifer Lawrence, provando que o instinto que quase a fez recusar Anna Scott agora está mais afiado do que nunca para escolher desafios que fujam do óbvio.

A lição por trás do quase-não

O que torna a revelação de Julia Roberts fascinante em 2026 é entender que até os maiores ícones sofrem de insegurança diante do espelho. ‘Um Lugar Chamado Notting Hill’ só existe porque uma atriz teve a coragem de ser convencida de que sua própria realidade poderia ser uma boa história. No fim das contas, o “erro” de Roberts não foi achar a ideia estúpida, mas quase esquecer que, no cinema, o charme de um bom roteiro sempre vence o cinismo da lógica.

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Perguntas Frequentes sobre Julia Roberts e Notting Hill

Por que Julia Roberts quase recusou o filme ‘Um Lugar Chamado Notting Hill’?

Julia Roberts inicialmente achou a premissa de interpretar uma estrela de cinema famosa se apaixonando por um homem comum “estúpida” e redundante, temendo que o papel fosse autoindulgente demais para sua carreira na época.

O que convenceu Julia Roberts a aceitar o papel de Anna Scott?

A atriz mudou de ideia após ler o roteiro completo de Richard Curtis, que ela considerou extremamente charmoso e engraçado, além de ter sido convencida pela doçura e visão do diretor Roger Michell e da equipe de produção.

Onde assistir ‘Um Lugar Chamado Notting Hill’?

O filme está frequentemente disponível em plataformas de streaming como Netflix e Amazon Prime Video, além de estar disponível para aluguel e compra em lojas digitais como Apple TV e Google Play.

Qual é o filme mais recente de Julia Roberts?

O trabalho mais recente de Julia Roberts é o drama ‘Depois da Caçada’ (2025), pelo qual ela recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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