Jonathan Frakes Starfleet Academy: ao dirigir o episódio 9, o veterano de ‘A Nova Geração’ reconheceu no romance Caleb-Tarima um eco direto de Riker-Troi. Entenda por que a série aposta em continuidade emocional (não só referências) para legitimar o novo casal.
Jonathan Frakes Starfleet Academy não é só uma curiosidade de bastidor: é um daqueles momentos em que Star Trek revela como mantém a própria continuidade emocional viva. Ao dirigir o episódio 9 de ‘Star Trek: Academia da Frota Estelar’, Frakes — eternamente associado ao Comandante William Riker em ‘Jornada nas Estrelas: A Nova Geração’ — reconheceu nos cadetes Caleb Mir (Sandro Rosta) e Tarima Sadal (Zoe Steiner) uma dinâmica romântica que ele mesmo ajudou a construir ao lado de Marina Sirtis (Deanna Troi).
A comparação faz sentido por um motivo simples: Tarima é Betazoid, como Troi. E, quando um diretor que passou anos encenando o subtexto “quase, mas não” de Riker e Troi entra no set de um romance juvenil com uma Betazoid no centro, a franquia ganha um tipo de validação que não vem de easter egg — vem de memória de cena.
Frakes, a “princesa Betazoid” e um paralelo impossível de ignorar
Em entrevista ao ScreenRant, Zoe Steiner contou que Frakes já chegou puxando o fio do paralelismo: ele teria comentado algo como “você sabe que meu personagem se envolveu com uma Betazoid?” e ainda acrescentado que tem “um carinho especial pelos Betazoids”. Sandro Rosta recebeu um cumprimento que é puro Frakes: braço no ombro, tom de veterano e a frase que resume o subtexto todo — “você está fazendo o que eu fazia antigamente. Está namorando uma princesa Betazoid”.
O “princesa” é brincadeira, mas a escolha da palavra não é aleatória: ela enquadra Tarima como alguém de status e pressão política (filha do Presidente da Federação), num eco distante do pedigree diplomático que Deanna carregava como filha de Lwaxana Troi. Mesmo quando a analogia não é literal, ela acerta o que importa: a assimetria de mundo ao redor do casal e como isso pesa sobre a intimidade.
Por que Caleb e Tarima não são “Riker e Troi em versão jovem”
O texto dos bastidores pode soar como nostalgia, mas a série parece interessada nas diferenças — e elas mudam tudo. Riker e Troi são um romance de adultos, já formados, com um histórico anterior ao início de ‘A Nova Geração’. A tensão do casal vinha do protocolo, da carreira e do tipo de autocontrole que a Frota Estelar costuma exigir. Já Caleb e Tarima vivem um começo em ambiente de competição: a rivalidade entre a Academia e o War College injeta risco externo (institucional) num vínculo que ainda não tem base sólida.
O ponto mais decisivo, porém, é Tarima. Ao contrário de Troi — empata e conselheira, rara vez tratada como ameaça — Tarima é descrita como uma telepata muito mais potente e instável, dependente de um inibidor neural. Isso desloca o romance do “will they/won’t they” clássico para um terreno mais perigoso: atração e vulnerabilidade viram, também, um problema de controle. A ideia de intimidade com alguém que pode ler (ou invadir) o que você tenta esconder deixa de ser apenas poética; vira tensão dramática concreta.
O que a direção de Frakes adiciona (além de fan service)
Frakes dirige Star Trek há décadas e costuma imprimir clareza de ação e ritmo de cena, mas aqui o valor não é só técnico — é de calibragem de tom. Em romances “Trek”, o desafio é equilibrar química com hierarquia: desejo com disciplina, impulso com ética, e tudo sem quebrar a sensação de universo funcional. Quando o próprio Frakes brinca com Rosta — “eu sei como é” — ele não está apenas sendo simpático: ele está apontando o núcleo do problema de encenar um casal humano/Betazoid sem reduzir a Betazoid a “exótica” ou o humano a “sortudo”.
E existe um detalhe de dramaturgia que faz essa escolha parecer deliberada: colocar Frakes no episódio em que a dinâmica ganha peso funciona como uma “passagem de tocha” específica, quase íntima. Não é só um veterano dirigindo novatos; é o ator que corporificou Riker validando, em set, a nova iteração de um arquétipo romântico que a franquia sabe que o público reconhece.
Quando a franquia acerta: continuidade emocional, não referência
O texto que circula em torno do episódio 9 deixa uma sensação rara em franquias longas: a de continuidade que não depende de repetir falas, recriar enquadramentos ou colecionar citações. A série parece entender que o legado de Riker e Troi não é o termo “Imzadi” em si — é o tipo de relação que ele representava: intimidade com telepatia no horizonte, afeto atravessado por dever, e a pergunta permanente sobre o que pode (e o que não pode) ser dito em voz alta dentro da Frota.
Ainda é cedo para cravar que Caleb e Tarima chegarão a um “Imzadi” próprio, e a série nem precisa disso para funcionar. Mas o fato de Jonathan Frakes reconhecer os paralelos e abençoar o casal com humor de bastidor dá ao romance um selo que o fã entende na hora: não é só uma nova trama — é um ponto de contato com uma das relações mais definidoras de ‘A Nova Geração’.
Para quem acompanhou Riker e Troi por anos de aproximações e recuos até a consolidação nos filmes, ver Frakes no comando do episódio em que o novo par se afirma tem um efeito claro: reduz a desconfiança e aumenta a curiosidade. Em um universo que já atravessou gerações, às vezes o que mantém Star Trek coeso não é a canonização de eventos — é a repetição, com variação, de sentimentos que a franquia aprendeu a encenar como poucas.
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Perguntas Frequentes sobre Jonathan Frakes em ‘Star Trek: Academia da Frota Estelar’
Jonathan Frakes atua em ‘Starfleet Academy’ ou só dirige?
No caso citado, Jonathan Frakes participa como diretor (ele dirigiu o episódio 9). A presença mencionada é nos bastidores, orientando elenco e conduzindo a encenação do arco romântico.
Qual episódio de ‘Starfleet Academy’ Jonathan Frakes dirigiu?
Segundo o relato do artigo, Jonathan Frakes dirigiu o episódio 9 de ‘Star Trek: Academia da Frota Estelar’.
Quem são Caleb Mir e Tarima Sadal em ‘Starfleet Academy’?
Caleb Mir e Tarima Sadal são cadetes da nova série; Caleb é interpretado por Sandro Rosta e Tarima por Zoe Steiner. A matéria destaca que os dois vivem um arco romântico que lembra, em estrutura, o relacionamento Riker-Troi.
Tarima é Betazoid como Deanna Troi?
Sim. A própria comparação feita por Frakes nasce daí: Tarima é Betazoid, como Deanna Troi, o que cria um paralelo imediato com a história de Riker em ‘Jornada nas Estrelas: A Nova Geração’.
O que significa “Imzadi” em ‘Star Trek’?
“Imzadi” é um termo Betazoid usado como “amado(a)” e ficou associado especialmente a Riker e Troi em ‘A Nova Geração’. No contexto do artigo, ele aparece como símbolo do legado romântico que pode (ou não) ser reimaginado em ‘Starfleet Academy’.

