John Wick redefiniu o cinema de ação com coreografias visíveis, construção de mundo complexa e compromisso com stunts práticos. Entenda por que a franquia se tornou a nova referência para filmes de ação.
Quando o primeiro John Wick chegou aos cinemas em 2014, ninguém esperava que um filme de ação com Keanu Reeves se transformaria em uma das franquias mais influentes do cinema moderno. O que parecia apenas mais um filme de vingança se tornou o novo padrão para filmes de ação. A fórmula? Combinação de coreografia precisa, construção de mundo detalhada e um compromisso com a física real em vez de CGI.
O que distingue John Wick de outros filmes de ação é a filosofia por trás da violência. Enquanto a maioria dos filmes de ação esconde a coreografia com cortes rápidos e câmera na mão, John Wick faz o oposto: expõe a ação em planos longos e fluidos. O diretor Chad Stahelski, ex-dublê e especialista em artes marciais, entende que a coreografia precisa ser visível. O espectador deve ver os golpes, entender a física de cada movimento. Por isso, os filmes da franquia se tornaram referência obrigatória para o gênero.
Uma das cenas que define o estilo da franquia é a luta com facas na biblioteca, no terceiro filme. A cena dura mais de dois minutos sem cortes, mostrando a coreografia precisa de Keanu Reeves e o adversário, Mark Dacascos. A câmera permanece estável, sem cortes frenéticos, permitindo que a audiência aprecie a coreografia completa. Essa abordagem é o oposto do estilo Bourne, onde cortes rápidos disfarçam a falta de coreografia.
Como a construção de mundo elevou o padrão
A construção de mundo em John Wick é outro elemento que o diferencia. O que começa como uma história de vingança por um cachorro e um carro roubado se expande para um universo com regras próprias, moeda própria (moedas de ouro), e uma hierarquia de assassinos internacionais. O Continental, o hotel neutro, se torna o epicentro de uma sociedade secreta de assassinos. A mitologia da Alta Mesa, a burocracia do submundo, e o código de honra entre assassinos criam um universo coerente, que agora se expande para spin-offs como Ballerina e a série de TV The Continental.
O sucesso da franquia provou que o público quer mais do que explosões genéricas. Os filmes de John Wick respeitam a inteligência do público, apresentando ação que obedece a lógica interna do universo. A violência tem consequências; ferimentos acumulam; o protagonista envelhece e sangra. Em John Wick 4, Keanu Reeves tem 58 anos, e isso é visível na forma como seu personagem se move mais devagar, absorvendo os danos acumulados.
Por que a franquia mudou os filmes de ação
A influência de John Wick em produções posteriores é evidente. Filmes como Ninguém, do Bob Odenkirk e até Extraction da Netflix adotaram a linguagem visual que a franquia popularizou: planos longos, coreografia visível, e violência que tem peso físico. A série The Continental expandiu o universo para a televisão, e o spin-off Ballerina com Ana de Armas mostra que a franquia pode sobreviver sem seu protagonista original.
Para além do entretenimento, John Wick provou que existe mercado para filmes de ação que tratam a violência como uma forma de dança coreografada, e não como um espetáculo caótico. A franquia estabeleceu que o público responde bem a cenas de ação claras, bem iluminadas e coreografadas com precisão. Em uma era de CGI exagerado, John Wick trouxe de volta a importância de stunts práticos e coreografia real.
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