‘Heated Rivalry’: por que o criador recusou um grande streaming para salvar a série

Jacob Tierney recusou um contrato milionário com um gigante do streaming para garantir que ‘Heated Rivalry’ não fosse suavizada por executivos. Analisamos como a decisão de manter a intensidade original do romance de hockey garantiu o sucesso de crítica e público da série.

Existe uma cena em ‘Heated Rivalry’ que sintetiza por que a série se tornou um marco instantâneo do gênero. Ocorre no primeiro episódio: Shane Hollander e Ilya Rozanov, rivais históricos no gelo, dividem um quarto de hotel onde a animosidade acumulada em anos de competição explode em uma tensão física crua. Não há o tradicional ‘slow burn’ de cinco episódios ou metáforas sutis. A série entrega o conflito central de imediato — e é fascinante descobrir que essa honestidade quase foi sacrificada no altar dos algoritmos.

A nota que quase destruiu a essência: ‘Sem beijos até o episódio 5’

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Recentemente, François Arnaud (que interpreta Scott Hunter na adaptação) trouxe à luz os bastidores da produção durante uma entrevista ao CBS Mornings. O criador Jacob Tierney apresentou o projeto a um gigante do streaming americano antes de fechar com o Crave canadense. O interesse existia, mas veio acompanhado de exigências editoriais paralisantes. A principal delas? Adiar qualquer contato físico significativo entre os protagonistas até a metade da temporada.

Para quem acompanhou a obra original de Rachel Reid, essa ‘nota’ de executivo é mais do que uma mudança de ritmo; é um erro de leitura fundamental da obra. ‘Heated Rivalry’ não é um romance de época sobre toques acidentais; é sobre dois atletas de elite cujas únicas válvulas de escape para a pressão da NHL são a agressividade no gelo e o desejo um pelo outro fora dele. Ao recusar a proposta e optar pelo orçamento menor do Crave, Tierney salvou a alma da série.

Por que a liberdade criativa venceu o orçamento milionário

A decisão de Tierney foi um ‘não’ corajoso ao modelo de produção que busca suavizar conteúdos queer para torná-los mais palatáveis ao chamado mainstream. O resultado dessa autonomia é visível na tela: a química entre Hudson Williams (Shane) e Connor Storrie (Ilya) possui uma textura de realidade que raramente sobrevive aos comitês de grandes estúdios. A câmera de Tierney não higieniza a paixão; ela a utiliza como ferramenta de desenvolvimento de personagem.

Diferente de produções que usam a intimidade apenas como fanservice, aqui ela é narrativa. Cada encontro físico revela uma camada nova da vulnerabilidade de Shane ou do isolamento de Ilya. Ao permitir que a série fosse ‘sem filtros’ desde o piloto, o Crave permitiu que o público visse a evolução psicológica dos personagens através de suas ações, não apenas de diálogos expositivos.

Uma lição irônica para a indústria do streaming

Uma lição irônica para a indústria do streaming

Há uma ironia pedagógica no sucesso de ‘Heated Rivalry’. A HBO Max, que poderia ter sido o streaming a impor as restrições originais, acabou adquirindo os direitos de exibição nos EUA apenas duas semanas antes da estreia, após o buzz orgânico atingir níveis impossíveis de ignorar. O streaming americano acabou pagando para exibir exatamente o conteúdo que seus executivos, em teoria, teriam tentado diluir.

Com 98% de aprovação no Rotten Tomatoes, a série prova que o público de nicho não quer versões ‘seguras’ de suas histórias favoritas; ele quer fidelidade emocional. O fenômeno nas redes sociais não foi fabricado por marketing massivo, mas pela satisfação de uma audiência que finalmente viu um romance de hockey ser tratado com o peso e a seriedade que merece.

O futuro da franquia: Temporada 2 e ‘Unrivaled’

A renovação para a segunda temporada, confirmada para 2026, é o prêmio final pela integridade de Tierney. O elenco de apoio, que conta com nomes como Christina Chang e Dylan Walsh, retorna para expandir o universo de Game Changers. Paralelamente, Rachel Reid anunciou o lançamento de ‘Unrivaled’ para setembro, garantindo que o ecossistema da série continue alimentado por material original de alta qualidade.

‘Heated Rivalry’ é um lembrete necessário de que, na era do conteúdo sob demanda, a especificidade é mais poderosa que a generalidade. Ao fazer uma série para os fãs e para a verdade dos personagens, Jacob Tierney acabou criando um clássico moderno que transcende o próprio nicho.

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Perguntas Frequentes sobre a série ‘Heated Rivalry’

Onde posso assistir à série ‘Heated Rivalry’?

No Brasil e nos Estados Unidos, a série está disponível no catálogo da Max (antiga HBO Max). No Canadá, a produção é original do streaming Crave.

A série é baseada em algum livro?

Sim, ‘Heated Rivalry’ é baseada no segundo livro da série ‘Game Changers’, escrita pela autora Rachel Reid. É considerada uma das obras mais populares do subgênero de romance esportivo MM (masculino/masculino).

‘Heated Rivalry’ terá uma segunda temporada?

Sim, a segunda temporada já foi confirmada pelo Crave e pela Max. As filmagens estão previstas para começar no segundo semestre de 2026, focando no desenvolvimento do relacionamento de longo prazo entre Shane e Ilya.

Preciso entender de hockey para gostar da série?

Não. Embora o esporte seja o cenário e motor da rivalidade, o foco central é o drama psicológico e o relacionamento entre os protagonistas. As regras do jogo são explicadas de forma orgânica ao longo dos episódios.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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