Analisamos como ‘Golden’, o hit viral de ‘Guerreiras do K-Pop’, está prestes a quebrar um jejum de 33 anos no Oscar e no Grammy. Entenda por que a animação da Netflix superou a Disney na corrida pelo ‘double crown’ e o que isso muda na indústria.
Existe um tipo de conquista em Hollywood tão rara que se assemelha a um alinhamento planetário. Desde 1961, apenas nove canções conseguiram o ‘double crown’: vencer o Oscar de Melhor Canção Original e o Grammy de Canção do Ano. Agora, ‘Guerreiras do K-Pop’ (K-Pop: Demon Hunters) está na iminência de repetir o feito histórico de ‘Aladdin’ — tornando-se a primeira animação em mais de três décadas a furar a bolha do prestígio musical acadêmico.
O que torna essa trajetória significativa não é apenas o sucesso comercial, mas como a Netflix articulou o lançamento de ‘Golden’. A faixa não é tratada como ‘música de desenho’, mas como um lead single de alto orçamento que dominou a Billboard Hot 100. Ao colocar a animação para competir de igual para igual com nomes como Lady Gaga e Kendrick Lamar, a indústria sinaliza que a barreira entre o cinema de gênero e o mainstream pop finalmente ruiu.
A anatomia de um hit: por que ‘Golden’ dominou 2025
Diferente de baladas teatrais como ‘Let It Go’, ‘Golden’ aposta em uma produção que funde o K-pop contemporâneo com o maximalismo eletrônico. A sequência no filme — uma montagem vibrante de treinamento que utiliza cores neon e uma fluidez de animação que remete a ‘Spider-Verse’ — serve como o motor emocional da narrativa. É o momento em que as protagonistas deixam de ser apenas ídolos para aceitarem sua herança como caçadoras de demônios.
Essa funcionalidade narrativa, aliada a uma composição técnica impecável (atribuída aos produtores que moldaram o som do Blackpink e NewJeans na vida real), legitimou a música perante os votantes do Grammy. O sucesso no TikTok e nas plataformas de streaming foi o combustível necessário para que a Academia de Cinema não pudesse ignorar o impacto cultural da obra.
O ‘Efeito Aladdin’ e a quebra de um jejum de 33 anos
Em 1993, ‘A Whole New World’ provou que uma música de animação poderia ser a maior canção do mundo. Naquela época, a Disney operava um monopólio criativo. Hoje, o cenário é fragmentado, o que torna o avanço de ‘Guerreiras do K-Pop’ ainda mais impressionante. Se vencer, o filme da Netflix alcançará um marco que nem mesmo o fenômeno ‘Frozen’ ou o aclamado ‘Encanto’ conseguiram: o reconhecimento simultâneo como ápice da composição musical (Grammy) e da excelência cinematográfica (Oscar).
A comparação com ‘Aladdin’ é justa, mas com uma ressalva importante: o filme atual enfrenta uma concorrência muito mais técnica na categoria de animação, como ‘Zootopia 2’. No entanto, o momentum de ‘Golden’ é o que os estrategistas de premiações chamam de ‘inevitabilidade’. Quando uma música se torna o hino de um ano, os prêmios tendem a seguir o som.
O clube exclusivo das nove lendas
Para dimensionar o tamanho do desafio, basta olhar para as canções que ocupam este panteão. ‘Golden’ busca ser a décima a figurar nesta lista:
- ‘Moon River’ (‘Bonequinha de Luxo’, 1961)
- ‘The Shadow of Your Smile’ (‘Adeus às Ilusões’, 1965)
- ‘The Way We Were’ (‘Nosso Amor de Ontem’, 1973)
- ‘Evergreen’ (‘Nasce uma Estrela’, 1976)
- ‘You Light Up My Life’ (‘Luz da Minha Vida’, 1977)
- ‘A Whole New World’ (‘Aladdin’, 1992)
- ‘Streets of Philadelphia’ (‘Filadélfia’, 1993)
- ‘My Heart Will Go On’ (‘Titanic’, 1997)
- ‘What Was I Made For?’ (‘Barbie’, 2023)
O padrão aqui é a transcendência. São músicas que deixaram de pertencer ao filme para pertencerem à cultura. ‘Golden’ já cumpre esse requisito: ela é onipresente em playlists que nada têm a ver com cinema, provando que a Netflix aprendeu a fabricar não apenas conteúdo, mas ícones culturais.
O que a vitória representa para o futuro da Netflix
Uma vitória dupla (ou tripla, considerando Melhor Filme de Animação) consolidaria a divisão de animação da Netflix como o novo centro de gravidade de Hollywood, superando a crise de identidade atual da Disney e Pixar. Mais do que troféus, isso garante à plataforma o poder de atrair os melhores talentos musicais para projetos futuros.
Se ‘Golden’ levar a estatueta dourada em março, o recado será claro: a música de cinema não precisa mais ser um acompanhamento. Ela pode ser o evento principal. Para o público, resta a expectativa de uma performance ao vivo no palco do Oscar que promete ser a mais energética em décadas, trazendo a estética vibrante do K-pop para o centro do Dolby Theatre.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Guerreiras do K-Pop’ no Oscar
Onde posso assistir ‘Guerreiras do K-Pop’?
O filme é uma produção original da Netflix e está disponível exclusivamente na plataforma de streaming.
Qual música de ‘Guerreiras do K-Pop’ está indicada ao Oscar?
A música principal é ‘Golden’, que se tornou um fenômeno global e lidera as apostas para Melhor Canção Original em 2026.
O filme é baseado em uma história real?
Não. ‘Guerreiras do K-Pop’ (K-Pop: Demon Hunters) é uma obra de ficção que mistura elementos da cultura pop coreana com fantasia e ação sobrenatural.
‘Guerreiras do K-Pop’ terá uma continuação?
Sim, a Netflix já confirmou que uma sequência está em desenvolvimento, impulsionada pelo enorme sucesso crítico e comercial do primeiro filme.
Quais prêmios o filme já ganhou?
Até o momento, a trilha sonora e o filme já venceram categorias importantes no Globo de Ouro e no Critics’ Choice Awards de 2026.

