A sequência de ‘Guerreiras do K-Pop’ tornou-se o centro de uma disputa entre Sony e Netflix. Analisamos por que o sucesso técnico e financeiro do primeiro filme torna a estreia exclusiva nos cinemas não apenas desejável, mas essencial para a sobrevivência da franquia como evento cultural.
Há sucessos que acontecem por acidente e sucessos que forçam uma mudança de paradigma. ‘Guerreiras do K-Pop 2’ pertence ao segundo grupo. O que começou como uma aposta de baixo risco da Sony para alimentar o catálogo da Netflix em 2025 transformou-se em um cavalo de Troia cultural que agora exige um novo campo de batalha: as salas de cinema.
O primeiro filme não apenas liderou o ranking global da plataforma por semanas; ele gerou um engajamento orgânico que animações originais raramente alcançam sem o selo da Disney ou Illumination. Com duas indicações ao Oscar e o hit ‘Golden’ ecoando no TikTok, o dilema da sequência não é criativo, mas puramente logístico e financeiro.
A ‘pechincha’ de 20 milhões que assombra a Sony
Para entender por que a sequência precisa dos cinemas, é preciso olhar para o contrato original de 2021. Na época, a Sony Pictures Animation buscou segurança financeira vendendo os direitos de ‘K-Pop: Demon Hunters’ (título original) para a Netflix por módicos US$ 20 milhões. Foi uma transação de ‘custo mais margem’ que garantiu lucro imediato, mas eliminou qualquer participação nos lucros de um fenômeno que, em bilheteria tradicional, teria rendido centenas de milhões.
Agora, a Sony detém a propriedade intelectual de uma franquia de elite, mas está presa a um modelo de distribuição que prioriza o scroll infinito em vez do ticket médio. A pressão nos bastidores para renegociar o ‘output deal’ com a Netflix é palpável: ninguém na Sony quer entregar outra galinha dos ovos de ouro por um valor fixo enquanto o público implora para gastar dinheiro em baldes de pipoca temáticos.
O fator técnico: por que o streaming é pequeno demais para Rumi e Mira
Além da economia, há uma questão de integridade artística. A direção de Maggie Kang e Chris Appelhans no primeiro longa utilizou uma estética que bebe diretamente da fonte de ‘Spider-Verse’ — uma mistura de texturas 2D sobre modelos 3D com uma paleta de cores neon saturada. Na compressão de dados do streaming, as nuances das coreografias de K-Pop, que exigem nitidez absoluta nos movimentos rápidos, sofrem perdas visíveis.
A sequência promete elevar essa escala. Assistir a uma batalha épica coreografada ao som de power ballads em um smartphone é um desserviço ao trabalho de iluminação e design de produção. A experiência coletiva — o grito da plateia em cada ‘drop’ musical — é o que transforma um filme em um evento. O sucesso de US$ 24,6 milhões arrecadados pelo primeiro filme em apenas dois finais de semana de exibição limitada (mesmo já estando disponível no catálogo) é a prova definitiva de que a audiência quer a escuridão da sala de cinema.
O impacto de ‘Guerreiras do K-Pop 2’ no mercado de 2029
Com o lançamento previsto para 2029, a sequência servirá como termômetro para a nova configuração de Hollywood. Se a Netflix, agora em meio a rumores de fusão com grandes estúdios, ceder a uma janela teatral ampla de 45 dias, será o reconhecimento final de que o streaming atingiu seu teto de crescimento e precisa do prestígio (e dos dólares) das telonas para sustentar franquias de alto orçamento.
O primeiro filme provou que o público existe e é fiel. A sequência tem a missão de provar que animações originais de alta qualidade não precisam do ‘porto seguro’ do algoritmo para sobreviver. ‘Guerreiras do K-Pop 2’ não é apenas uma continuação; é o manifesto de uma audiência que exige que o cinema volte a ser o palco principal dos grandes espetáculos visuais.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Guerreiras do K-Pop 2’
Qual é a previsão de estreia de ‘Guerreiras do K-Pop 2’?
Atualmente, a Sony e a Netflix trabalham com uma janela de lançamento para 2029. O tempo estendido se deve à complexidade da animação e às renegociações contratuais entre as empresas.
Onde posso assistir ao primeiro filme ‘Guerreiras do K-Pop’?
O filme original está disponível exclusivamente no catálogo da Netflix. Houve exibições limitadas em cinemas em 2025, mas não há previsão de novas sessões no momento.
A sequência será lançada diretamente na Netflix ou nos cinemas?
Este é o ponto de maior debate na indústria. Embora o contrato original preveja o streaming, o sucesso massivo do primeiro filme gerou negociações para uma estreia global nos cinemas antes de chegar à plataforma.
Quem são os diretores da franquia?
A equipe criativa é liderada por Maggie Kang e Chris Appelhans, que trouxeram sua experiência em animações como ‘A Caminho da Lua’ e ‘Kung Fu Panda’ para o projeto.
O filme é baseado em algum grupo real de K-Pop?
Não, os grupos e personagens são originais. No entanto, a produção utiliza consultores da indústria musical coreana para garantir que as coreografias e a estética sejam autênticas ao gênero.

