A nova série de ‘Girl with the Dragon Tattoo’ na Sky enfrenta um bloqueio jurídico entre Sony e Banijay. Analisamos como a disputa pelos direitos de Lisbeth Salander reflete o histórico problemático da franquia em Hollywood e o que isso significa para o futuro da saga de Stieg Larsson.
A franquia ‘Millennium’ carrega um paradoxo incômodo: enquanto os livros de Stieg Larsson e suas continuações vendem milhões, as adaptações para o mercado de língua inglesa parecem presas em um ciclo perpétuo de reinícios e frustrações. O anúncio recente de uma nova série pela Sky deveria ser o ponto de virada, mas a produção tropeçou no primeiro obstáculo: uma disputa de direitos autorais entre gigantes que ameaça enterrar Lisbeth Salander antes mesmo do primeiro dia de filmagem.
Se você busca informações sobre a Girl with the Dragon Tattoo série, o cenário atual exige cautela. O que está em jogo não é apenas um cronograma de estreia, mas a própria legitimidade de quem pode contar essa história no streaming.
O conflito: Sony vs. Banijay e a ‘cláusula de reversão’
Na última semana, a Sky confirmou o desenvolvimento da série com nomes de peso nos bastidores: Angela LaManna (‘A Maldição da Mansão Bly’) e Steve Lightfoot (showrunner de ‘The Punisher’ e ‘Spider-Noir’). A produção está nas mãos da Left Bank, uma subsidiária da Sony que entende de prestígio (é a produtora por trás de ‘The Crown’).
Contudo, a Banijay — através da Yellow Bird, que produziu a trilogia original sueca com Noomi Rapace — iniciou um processo de arbitragem. O argumento central é técnico e jurídico: a Banijay alega que os direitos de adaptação dos romances de Larsson reverteram para eles após o lançamento de ‘The Girl in the Spider’s Web’ em 2018.
Em contratos de Hollywood, é comum que estúdios percam direitos se não produzirem novos conteúdos em um intervalo específico de anos. A Sony acredita que a série da Sky mantém sua reivindicação ativa; a Banijay afirma que o prazo expirou e a propriedade ‘voltou para casa’. Enquanto os advogados não chegam a um consenso, o projeto permanece em um impasse paralisante.
O histórico de ‘sangue frio’ da franquia em Hollywood
Para entender por que essa disputa é tão crítica, precisamos olhar para o rastro de projetos inacabados. Após o sucesso estrondoso da versão sueca em 2009, David Fincher entregou em 2011 uma obra-prima técnica com Rooney Mara e Daniel Craig. ‘Os Homens Que Não Amavam as Mulheres’ venceu o Oscar de Montagem e arrecadou US$ 239 milhões, mas o orçamento de US$ 90 milhões e as exigências criativas de Fincher assustaram a Sony na época.
O resultado foi um hiato de sete anos que culminou no reboot equivocado de 2018, ‘A Garota na Teia de Aranha’. Ao transformar Lisbeth Salander em uma espécie de super-heroína genérica de ação (interpretada por Claire Foy), o filme fracassou nas bilheterias e alienou a base de fãs. É justamente esse fracasso que abriu a brecha jurídica para a Banijay questionar a posse da marca agora.
O que a nova série pretende (e o que corre risco)
Diferente das tentativas anteriores de comprimir livros densos em duas horas de cinema, a série da Sky tem a ambição de ser uma ‘reimaginação contemporânea’. A ideia não é apenas adaptar os livros, mas colocar Lisbeth Salander no contexto geopolítico de 2026. O envolvimento de Lightfoot sugere um tom mais cru e focado em espionagem industrial, algo que remete às raízes do primeiro livro.
Além disso, há o universo expandido. Além da trilogia original de Larsson, existem os livros de David Lagercrantz e a nova trilogia de Karin Smirnoff (iniciada com ‘The Girl in the Eagle’s Talons’). Quem vencer a batalha judicial atual terá as chaves de um ecossistema literário que ainda tem muito fôlego comercial.
Veredito editorial: Acordo ou Limbo?
Historicamente, disputas de arbitragem em Hollywood tendem a terminar em acordos de co-produção ou pagamentos de licenciamento. Nem a Sony nem a Banijay ganham com uma propriedade intelectual parada pegando poeira. No entanto, o dano colateral é o tempo. A série da Amazon que estava em desenvolvimento anos atrás naufragou justamente por questões de visão criativa e direitos.
Para o espectador, o conselho é gerenciar expectativas. Sem uma protagonista escalada e com advogados revisando contratos de 2018, ‘Girl with the Dragon Tattoo’ continua sendo a franquia mais difícil de se consolidar no mainstream, apesar de ter a personagem mais fascinante do século 21.
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Perguntas Frequentes sobre a série Girl with the Dragon Tattoo
A nova série de Girl with the Dragon Tattoo foi cancelada?
Não oficialmente. O projeto está em desenvolvimento pela Sky e Sony, mas enfrenta um processo de arbitragem da Banijay que pode atrasar a produção por tempo indeterminado.
Quem será a nova Lisbeth Salander na série da Sky?
Ainda não há nenhuma atriz escalada. Devido à incerteza jurídica atual, o processo de casting provavelmente está suspenso até que a disputa de direitos seja resolvida.
A série será baseada no primeiro livro de Stieg Larsson?
A proposta da Sky é uma ‘reimaginação contemporânea’. Embora utilize os personagens e temas centrais de Larsson, a série deve situar Lisbeth Salander no mundo atual, em vez de ser uma adaptação literal dos anos 2000.
Onde a nova série de Millennium será transmitida?
A série é uma produção original da Sky (Reino Unido). No Brasil, produções da Sky costumam chegar através de plataformas como Max ou Paramount+, mas nenhum streaming nacional confirmou a exibição ainda.
Preciso assistir aos filmes de David Fincher ou à trilogia sueca antes?
Não. A série está sendo planejada como um novo ponto de entrada (reboot), sem conexão direta com as cronologias de Noomi Rapace, Rooney Mara ou Claire Foy.

