George R.R. Martin sobre o final de ‘Game of Thrones’: ‘Pode ser traumático’

Reunimos o que George R.R. Martin realmente disse sobre o final de ‘Game of Thrones’ — do post “sim e não” de 2019 à frase direta de 2026. Entenda por que ele chama adaptação de “traumática” e por que promete um desfecho diferente nos livros.

Seis anos separam a exibição do episódio final de ‘Game of Thrones’ e as declarações mais recentes de George R.R. Martin sobre o assunto — mas o desconforto não passou. Quando a HBO encerrou sua adaptação épica em maio de 2019, a oitava temporada dividiu fãs e críticos com uma força rara, a ponto de atingir a reputação de uma série que, por quase uma década, parecia inabalável. O que ainda pesa, porém, é a posição do homem que criou Westeros nos livros ‘As Crônicas de Gelo e Fogo’. E aí está o nó: Martin quase nunca emite um veredicto de “bom” ou “ruim”. Ele prefere frases cautelosas, cheias de subtexto — e, justamente por isso, mais reveladoras.

Não é por acaso que George R.R. Martin Game of Thrones final segue sendo uma busca recorrente: o autor evita endossar publicamente o que David Benioff e D.B. Weiss fizeram, mas também não compra a briga em praça pública. Ainda assim, em entrevistas e textos ao longo dos anos, ele deixou duas ideias claras: o processo de adaptação pode ser, nas palavras dele, “traumático” quando a visão criativa diverge; e os livros, quando (e se) chegarem ao fim, não vão encerrar “daquele jeito”.

O post de 2019: um “sim e não” que soa como aviso

O post de 2019: um “sim e não” que soa como aviso

No dia 20 de maio de 2019 — 24 horas após ‘The Iron Throne’, o último episódio — Martin publicou em seu blog pessoal um texto chamado “An Ending”. A expectativa era óbvia: ele defenderia os showrunners ou jogaria gasolina no incêndio. Não fez nem uma coisa nem outra. O post funciona como retrospectiva das primeiras conversas com a HBO, agradece Benioff, Weiss e Bryan Cogman (a “terceira cabeça do dragão”, como ele escreve) e atualiza seus projetos, incluindo ‘The Winds of Winter’ e ‘A Dream of Spring’, que ainda seguem sem data oficial.

O trecho que importava vinha na pergunta que ele mesmo encena: “Como vai tudo acabar?”. E então a resposta em zigue-zague: “O mesmo final da série? Diferente? Bem… sim. E não. E sim. E não. E sim. E não. E sim.” Lido hoje, soa menos como charme enigmático e mais como recado: a série pode até ter usado alguns pilares do destino final, mas o caminho — o que dá sentido aos personagens — seria outra história.

Ele fecha com uma provocação que funciona como contrato com o leitor: “Será o final de ‘Game of Thrones’ o final ‘real’, ou ‘A Dream of Spring’ será a conclusão genuína? Eu escreverei. Você lerá. Então todos podem decidir e discutir na internet.” Em outras palavras: esperem pelos livros.

O ponto sem retorno em 2026: “não, os livros não vão terminar daquele jeito”

A ambiguidade virou frase direta em janeiro de 2026, durante uma entrevista na Oxford Union, quando Martin foi questionado sem rodeios sobre o desfecho literário. A resposta, conforme repercutida na imprensa e por quem acompanhou o evento, foi taxativa: “Não, os livros não vão terminar daquele jeito. Eles não vão.”

O impacto aqui não é só “terá diferenças” — isso era quase consenso. O peso está em como ele escolhe enquadrar a divergência: não como ajuste de detalhes, mas como separação de rotas. Isso recoloca discussões antigas em outro patamar: a coroação de Bran, o colapso de Daenerys e a resolução do conflito com os Caminhantes Brancos podem até ter ecos nos “pontos amplos de enredo”, mas a forma e as consequências — aquilo que faz um final parecer inevitável, e não apenas decretado — tendem a mudar.

Outro detalhe importante: Martin justificou que não poderia fazer “críticas construtivas” ao final televisivo sem revelar spoilers dos livros ainda inéditos. Traduzindo sem malícia: se ele explicasse exatamente onde discorda, entregaria tramas que considera essenciais e que a série ou simplificou, ou descartou, ou resolveu por atalhos.

Por que a palavra “traumático” não é só drama

Por que a palavra “traumático” não é só drama

Meses após o final, em entrevista à Fast Company (repercutida por veículos como a Digital Spy), Martin usou uma palavra específica ao falar da perda de elementos da página para a tela: “traumático”. Ele coloca esse trauma no atrito entre visões criativas — quando a obra deixa de ser “sua”, no sentido estrito, e vira um organismo feito por muitas mãos, cada uma com seus limites e prioridades.

O complemento é ainda mais incisivo: “A série foi… não completamente fiel. Caso contrário, teria que durar mais cinco temporadas.” Essa frase toca no nervo principal da temporada 8: não é apenas “o que” aconteceu, mas o ritmo em que aconteceu. A sensação de arcos resolvidos a toque de caixa — de transformações internas que, no livro, pediriam capítulos e consequências — encontra aí uma validação do próprio autor.

O contraste com o formato literário também aparece quando Martin lembra, no blog, que os showrunners tinham “seis horas” para encerrar a saga (e que a HBO teria oferecido mais tempo). Nos livros, o tempo é o recurso central: ele pode alongar, adicionar pontos de vista, criar repercussões políticas e emocionais. Dito isso, vale um cuidado editorial: afirmações de que os dois volumes finais terão “cerca de 3.000 páginas cada” circulam com frequência como hipérbole/estimativa — o que Martin costuma enfatizar, de forma consistente, é que serão livros muito longos.

Crítica não é linchamento: a resposta de Martin à toxicidade

Se Martin deixa sinais de discordância criativa, ele traça uma linha clara entre crítica legítima e o comportamento tóxico que tomou parte do fandom em 2019. A reação incluiu ataques pessoais e a famosa petição pedindo para “refazer” a temporada com “roteiristas competentes”.

Em diferentes ocasiões, Martin reagiu com perplexidade e tristeza ao nível de hostilidade, questionando como uma audiência pode virar ódio tão rapidamente. O ponto dele — concorde-se ou não com o tom — é constante: desgostou, siga em frente. Isso revela um dilema real: ele pode não se reconhecer em escolhas específicas da adaptação, mas também não se dispõe a chancelar uma campanha pública de humilhação contra colegas de indústria.

‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ como “recomeço” — e o mesmo fantasma de sempre

A chegada de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ em 2026, adaptando as histórias de Dunk e Egg, funciona como um reinício simbólico do universo na TV. É um material mais enxuto, com menos frentes narrativas e, portanto, com menos risco de virar uma colcha de retalhos — o tipo de projeto em que a prosa de Martin tende a caber melhor em estrutura seriada.

Ao mesmo tempo, o grande fantasma permanece: ‘The Winds of Winter’. Desde ‘A Dance with Dragons’ (2011), cada atualização do autor vira manchete porque, para uma parte do público, os livros são a promessa de um fechamento com a densidade que a série, no sprint final, não conseguiu sustentar.

No fim, Martin deixou uma síntese impossível de ignorar: o final da HBO foi um final possível, mas não o definitivo para ‘As Crônicas de Gelo e Fogo’. Até que ele publique os próximos volumes, George R.R. Martin Game of Thrones final vai continuar sendo menos uma resposta e mais uma pergunta — alimentada por uma certeza simples: na literatura, ele não precisa negociar com orçamento, agenda de elenco ou “seis episódios”. Ele só precisa de tempo.

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Perguntas Frequentes sobre o final de ‘Game of Thrones’ e George R.R. Martin

George R.R. Martin confirmou que os livros terão final diferente de ‘Game of Thrones’?

Sim. Em 2026, ele afirmou em entrevista que “os livros não vão terminar daquele jeito”, indicando que o desfecho literário vai divergir do que a HBO mostrou.

George R.R. Martin terminou ‘The Winds of Winter’?

Não. Até o momento, ‘The Winds of Winter’ não tem data oficial de lançamento anunciada, e Martin segue dizendo que está trabalhando no manuscrito.

Por que George R.R. Martin não critica abertamente a temporada 8?

Porque ele evita transformar divergências criativas em ataque público e, segundo o próprio autor, críticas mais específicas poderiam revelar spoilers dos livros ainda inéditos.

O episódio final de ‘Game of Thrones’ foi ao ar quando?

O último episódio, ‘The Iron Throne’, foi exibido pela HBO em 19 de maio de 2019.

Onde assistir ‘Game of Thrones’ e as séries derivadas no Brasil?

No Brasil, ‘Game of Thrones’ e os derivados do universo (como ‘A Casa do Dragão’) costumam ficar disponíveis na Max, serviço de streaming da Warner Bros. Discovery.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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