Em uma George R.R. Martin entrevista histórica, o autor confirma que seus livros morrerão com ele se não forem terminados, revela um destino trágico e vilanesco para Tyrion Lannister e expõe um rompimento crítico com o showrunner de ‘A Casa do Dragão’.
George R.R. Martin parece ter cansado de manter as aparências. Em uma nova e bombástica George R.R. Martin entrevista concedida ao The Hollywood Reporter, o autor de ‘As Crônicas de Gelo e Fogo’ abandonou o tom diplomático para entregar o que os fãs mais temiam — e alguns mais desejavam: a verdade nua e crua sobre o estado de seu império literário e televisivo. De um Tyrion Lannister muito mais sombrio do que a versão de Peter Dinklage a um rompimento público com a HBO, o autor deixou claro que Westeros está em chamas também nos bastidores.
O ‘Mistério de Edwin Drood’ de Martin: Sem plano B para os livros
A revelação mais impactante não foi sobre o conteúdo de ‘The Winds of Winter’, mas sobre sua própria mortalidade. Martin foi categórico ao afirmar que, caso não termine a saga, ninguém o fará. A comparação com Charles Dickens e seu romance inacabado ‘O Mistério de Edwin Drood’ é um balde de água fria em quem esperava que um autor como Brandon Sanderson pudesse assumir o manto. Para Martin, a obra é uma extensão de sua alma; se ele falhar, a história morre com ele.
Essa postura reflete um purismo literário que colide com a ansiedade da indústria. Ao admitir que ‘não está no clima’ para escrever em certos períodos, Martin humaniza o bloqueio criativo, mas também sela o destino de uma franquia que se tornou maior que seu criador. É uma admissão de derrota parcial, envolta em uma honestidade brutal que raramente vemos em figuras desse escalão.
O Tyrion que a HBO não teve coragem de mostrar
Para quem acompanha apenas a série, Tyrion Lannister é o herói sarcástico e injustiçado. Mas Martin revelou que o arco planejado nos livros é uma descida ao inferno que a série suavizou para agradar o público. ‘Todo o arco dele foi trágico desde o início’, afirmou o autor. Nos livros, especialmente após os eventos de ‘A Tormenta de Espadas’, Tyrion se torna uma figura rancorosa, manipuladora e, em muitos momentos, vilanesca.
A série transformou o anão em um conselheiro moralista ao lado de Bran Stark. Martin, no entanto, enxerga um fim onde o ódio da família Lannister consome a inteligência de Tyrion, transformando-o em um agente do caos. Essa divergência prova que, se os livros algum dia chegarem às prateleiras, a experiência de leitura será fundamentalmente diferente — e muito mais desconfortável — do que o final televisivo de 2019.
O cisma criativo em ‘A Casa do Dragão’
Se na primeira temporada de ‘House of the Dragon’ Martin era o maior entusiasta de Ryan Condal, o cenário para a terceira temporada é de guerra declarada. O autor descreveu a relação como ‘abismal’, citando que foi marginalizado do processo criativo. O ponto de ruptura parece ter sido a recusa do showrunner em aceitar notas de Martin sobre a fidelidade aos personagens.
Essa tensão explica muito sobre as escolhas narrativas controversas da segunda temporada. Quando o criador do universo afirma que a produção ‘parou de ouvi-lo’, cria-se uma crise de legitimidade que a HBO terá dificuldade em gerenciar. Martin não está apenas reclamando; ele está demarcando território, sinalizando aos fãs que o que vemos na tela não é mais a sua visão de Westeros.
Do cancelamento de Jon Snow ao cinema: O futuro da franquia
O engavetamento do spinoff de Jon Snow, que Kit Harington imaginava como um estudo de personagem quebrado e suicida, mostra que a HBO ainda hesita em abraçar o niilismo total. Por outro lado, a possibilidade de transformar ‘A Conquista de Aegon’ em um longa-metragem no estilo ‘Duna’ aponta para uma nova ambição: o cinema.
A estratégia é clara: enquanto o autor se distancia das séries atuais, a Warner Bros. tenta elevar a marca ao status de blockbuster cinematográfico. É um movimento arriscado que tenta salvar o prestígio da franquia enquanto seu criador original parece cada vez mais desiludido com o formato televisivo tradicional.
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Perguntas Frequentes sobre George R.R. Martin e Westeros
George R.R. Martin vai deixar alguém terminar os livros se ele morrer?
Não. Martin afirmou categoricamente que não tem planos para que outro autor termine ‘As Crônicas de Gelo e Fogo’. Ele prefere que a obra fique inacabada, comparando-a a clássicos como ‘O Mistério de Edwin Drood’.
Por que a relação entre Martin e o showrunner de ‘A Casa do Dragão’ está ruim?
Martin revelou que foi marginalizado durante a produção da segunda temporada. Segundo ele, suas notas criativas foram ignoradas pelo showrunner Ryan Condal, o que levou a uma quebra de confiança e comunicação entre os dois.
Qual é o destino de Tyrion Lannister nos livros segundo Martin?
Diferente do final redentor da série, Martin planeja um arco trágico e sombrio para Tyrion. O autor indicou que o personagem não terá um final feliz e que sua trajetória é marcada pela destruição interna causada pelo ódio familiar.
A série de Jon Snow ainda vai acontecer?
No momento, o projeto está engavetado. Kit Harington e Martin confirmaram que não conseguiram encontrar uma história que satisfizesse a todos, especialmente com a visão sombria e isolada que Harington desejava para o personagem.

