George Clooney analisa por que Hollywood desistiu de criar grandes estrelas de cinema, trocando o carisma humano pela segurança das franquias. Entenda como a morte do ‘star vehicle’ e a fragmentação do streaming mudaram para sempre o peso de um nome acima do título.
Existe um tipo de declaração que só alguém com o peso de George Clooney pode fazer sem soar como nostalgia barata. Quando o ator e diretor afirma que Hollywood parou de criar estrelas de cinema, ele não está apenas sentindo falta dos tapetes vermelhos de outrora — ele está diagnosticando a morte de um modelo de negócio que sustentou a indústria por um século.
Para Clooney, o fim da era das grandes estrelas foi uma escolha deliberada dos estúdios. Uma decisão financeira que priorizou a segurança das franquias e da Propriedade Intelectual (IP) sobre a imprevisibilidade do carisma humano. O resultado? Um cenário onde o personagem é maior que o intérprete.
De ‘ER’ ao Oscar: O luxo do tempo que a Geração Z não tem
Há um abismo entre o início da carreira de Clooney e o que um jovem ator enfrenta hoje. Clooney teve o que chamamos de ‘slow burn’. Ele passou anos em pilotos de TV fracassados e séries de qualidade duvidosa antes de estourar em ‘ER’ (Plantão Médico). Esse sistema de estúdio antigo permitia que um ator construísse uma persona pública através da repetição e do erro.
Filmes como ‘Um Drink no Inferno’ ou ‘Irresistível Paixão’ não eram apenas histórias; eram veículos construídos para testar e polir o ‘star power’ de Clooney. Hoje, essa rede de segurança evaporou. Atores são contratados por projeto. Se o primeiro filme de um jovem talento não performa conforme o algoritmo espera, a carreira é descartada antes mesmo de criar raízes. Não há mais investimento a longo prazo no indivíduo, apenas no papel.
A morte do ‘Star Vehicle’ e a ascensão do algoritmo
Antigamente, o público ia ao cinema para ver ‘o novo filme do Tom Cruise’ ou ‘o novo filme da Julia Roberts’. O gênero importava menos que o nome acima do título. Hoje, pergunte a um espectador por que ele assistiu a ‘Duna’. A resposta raramente será apenas por Timothée Chalamet; será pelo espetáculo visual, pelo livro ou pela marca ‘Duna’.
Os estúdios perceberam que o Homem-Aranha não envelhece, não exige 20 milhões de dólares de cachê fixo e não causa polêmicas no Twitter. O ator dentro do traje tornou-se uma peça modular. Clooney aponta que essa troca de ‘rostos’ por ‘marcas’ removeu a mística do cinema. Quando o intérprete é substituível, a conexão emocional do público com a carreira daquele artista se dilui.
Talento existe, o que falta é a monocultura
Clooney é generoso ao elogiar nomes como Glen Powell e Zendaya, reconhecendo neles o carisma necessário para serem ícones. O problema, segundo sua análise, é a fragmentação da atenção. Na era de ‘Onze Homens e um Segredo’, um filme de sucesso dominava a conversa cultural por meses.
Atualmente, um ator pode estrelar o filme número 1 da Netflix em uma terça-feira e ser um desconhecido na quarta, soterrado pelo próximo viral. A fama foi democratizada pelas redes sociais, mas, ao se tornar acessível, ela se tornou rasa. A mística que Clooney e seus contemporâneos mantinham — aquela distância calculada entre a vida privada e a tela — foi destruída pelos Stories de Instagram. A estrela de cinema deixou de ser mitológica para se tornar comum.
‘Wolfs’ e o último suspiro do carisma clássico
O exemplo mais recente dessa resistência é ‘Wolfs’ (Lobos), filme da Apple TV+ que reuniu Clooney e Brad Pitt. O apelo do filme é puramente a química entre dois ícones que o público conhece há 30 anos. É um filme que sobrevive apenas pelo ‘star power’.
No entanto, o fato de tal projeto ser uma exceção (e ter tido um lançamento limitado nos cinemas antes do streaming) prova o ponto de Clooney. A indústria não está mais interessada em fabricar esses titãs. Hollywood trocou o risco do carisma pela segurança do catálogo. Clooney não está sendo saudosista; ele está nos avisando que a fábrica de sonhos agora é uma linha de montagem de conteúdo, e nela, as estrelas são apenas acessórios opcionais.
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Perguntas Frequentes sobre George Clooney e Hollywood
O que George Clooney disse sobre as estrelas de cinema atuais?
Clooney afirmou que os estúdios pararam de investir na construção de carreiras de longo prazo, preferindo focar em franquias (IP) onde o personagem é mais importante que o ator.
Qual o filme mais recente de George Clooney com Brad Pitt?
Os dois estrelam o thriller de ação ‘Wolfs’ (Lobos), lançado em 2024 pela Apple TV+, marcando o retorno da dupla após a trilogia ‘Onze Homens e um Segredo’.
Por que não existem mais estrelas como antigamente?
Segundo especialistas e o próprio Clooney, a fragmentação da mídia (streaming e redes sociais) e a priorização de super-heróis e sequências reduziram o poder de bilheteria individual dos atores.
Onde assistir aos filmes de George Clooney?
A maioria de seus sucessos está distribuída entre a Max (franquia Onze Homens), Netflix e Apple TV+ (Wolfs).

