Descubra por que as imperfeições de Emilia Clarke ao falar Dothraki em ‘Game of Thrones’ foram escolhas técnicas deliberadas. Analisamos como o linguista David J. Peterson desenhou os erros para refletir a evolução de Daenerys e a diferença crucial para o seu Alto Valiriano impecável.
Quando Emilia Clarke sentou-se no sofá de Seth Meyers para promover sua nova série ‘PONIES’, um comentário casual reabriu uma discussão que muitos fãs de ‘Game of Thrones’ consideravam encerrada. A atriz expressou frustração com o linguista David J. Peterson, sugerindo que ele teria criticado sua performance no Dothraki. No entanto, a realidade por trás dessa ‘treta’ revela uma camada de profundidade técnica que poucos notaram durante a exibição original da série: as imperfeições de Daenerys eram, na verdade, um triunfo de worldbuilding linguístico.
O design do erro: Por que Daenerys não podia ser perfeita
David J. Peterson, o criador das línguas de Westeros, esclareceu recentemente que nunca houve uma crítica à capacidade de Clarke, mas sim uma estratégia deliberada de roteiro. Para um linguista, a verossimilhança de uma língua fictícia (ou conlang) depende de como ela é falada por diferentes personagens. Daenerys Targaryen não era uma nativa do Mar Dothraki; ela era uma exilada aprendendo a língua sob pressão extrema.
Peterson revelou que os arquivos de áudio (MP3s) que ele enviava para Emilia praticar continham erros gramaticais e de pronúncia propositais. ‘Se ela falasse perfeitamente desde o primeiro dia, quebraríamos a lógica da personagem’, explicou o linguista. É uma escolha técnica comparável ao trabalho de Colin Firth em ‘O Discurso do Rei’: a beleza da performance reside na luta com a fonética, não na fluidez absoluta.
Dothraki vs. Alto Valiriano: A dualidade linguística de Clarke
A prova definitiva do talento de Clarke não estava no Dothraki, mas no Alto Valiriano. Enquanto o primeiro era uma língua de sobrevivência, o Valiriano era sua herança de sangue. Peterson destaca que a entrega de Clarke no Valiriano — especialmente em cenas de comando — é tecnicamente impecável.
Um exemplo técnico memorável ocorre na terceira temporada, no saque de Astapor. Quando Daenerys revela que entende Valiriano o tempo todo e ordena ‘Dracarys’, a mudança na sua postura linguística é nítida. O sotaque torna-se mais agudo, as fricativas mais controladas. Ali, não ouvimos a estrangeira que tropeçava em verbos Dothraki nas tendas de Khal Drogo, mas uma rainha dominando sua língua materna. Essa diferenciação fonética é o que Peterson chama de ‘linguística aplicada à dramaturgia’.
O legado técnico de David J. Peterson em Westeros
O trabalho de Peterson em ‘Game of Thrones’ estabeleceu um novo padrão para a televisão, criando sistemas completos com gramática e sintaxe próprias. Sua expertise o levou a projetos como ‘Duna’, ‘The Witcher’ e o novo ‘Superman’. Em ‘GoT’, ele não apenas traduzia falas; ele criava dialetos que evoluíam com a narrativa.
- Dothraki: Criado para soar gutural e agressivo, refletindo a cultura nômade.
- Alto Valiriano: Desenhado com uma estrutura mais elegante e complexa, evocando o latim clássico.
- Evolução: O vocabulário de Daenerys expandia-se conforme ela conquistava novos territórios, integrando termos de comando militar.
Por que a ‘falha’ de Emilia Clarke foi um acerto
O mal-entendido entre a atriz e o linguista parece ter surgido de uma entrevista antiga à Rolling Stone, onde o contexto técnico de Peterson foi interpretado como julgamento pessoal. Na verdade, o que Peterson descreveu como ‘falta de fluidez’ era o elogio máximo à dedicação de Clarke ao material: ela foi fiel ao processo de aprendizado da personagem.
Ao reassistir às primeiras temporadas, observe como Daenerys hesita em certas aglutinações de consoantes típicas do Dothraki. Essas pequenas ‘travas’ dão ao mundo de George R.R. Martin uma textura de realidade que efeitos visuais sozinhos não conseguem entregar. O Dothraki de Emilia Clarke não estava errado; ele estava em construção — exatamente como a própria Khaleesi.
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Perguntas Frequentes sobre o Dothraki em Game of Thrones
O Dothraki é uma língua real?
O Dothraki é uma língua construída (conlang) criada por David J. Peterson especificamente para a série. Ela possui gramática, sintaxe e um vocabulário de mais de 3.000 palavras, mas não é uma língua natural falada por nenhum povo na vida real.
Emilia Clarke realmente aprendeu a falar Dothraki?
A atriz memorizava suas falas através de arquivos de áudio e guias fonéticos. Embora não fosse fluente para conversação espontânea, ela era capaz de recitar longos discursos e até improvisar seguindo as regras fonéticas estabelecidas pelo linguista da série.
Qual a diferença entre Dothraki e Alto Valiriano?
No universo de ‘GoT’, o Dothraki é a língua dos senhores de cavalos de Essos, com sonoridade gutural. O Alto Valiriano é uma língua antiga e nobre, comparável ao latim, usada pelos Targaryen e pela elite de Essos. Ambas foram criadas por David J. Peterson com estruturas linguísticas distintas.
Onde posso assistir Game of Thrones atualmente?
Todas as oito temporadas de ‘Game of Thrones’, assim como o spin-off ‘A Casa do Dragão’, estão disponíveis exclusivamente no serviço de streaming Max (antiga HBO Max).

