Analisamos como ‘From the Ashes: The Pit’ superou o original ao apostar no minimalismo e na tensão claustrofóbica. Descubra por que este thriller de 88 minutos se tornou o novo padrão de qualidade para as produções sauditas na Netflix.
Quando um filme saudita domina o Top 10 global da Netflix em menos de 24 horas, não estamos diante de um acidente estatístico, mas de uma mudança de eixo no consumo de gênero. ‘From the Ashes: The Pit’ não é apenas a sequência espiritual do sucesso de 2024; é um exercício de minimalismo técnico que prova como o cinema do Oriente Médio aprendeu a falar a língua universal do suspense claustrofóbico.
A economia do medo: 88 minutos de precisão
Diferente do original, que lidava com a escala de um incêndio escolar, ‘The Pit’ (O Poço) reduz o cenário ao absoluto. A premissa de adolescentes presas em uma fossa poderia cair no clichê do ‘survival horror’ genérico, mas a direção de Khaled Fahed opta por uma abordagem tátil. A câmera de mão, quase sempre posicionada abaixo da linha dos olhos das protagonistas, força o espectador a compartilhar a mesma falta de perspectiva das personagens.
O que torna este thriller um fenômeno é sua recusa em usar ‘jump scares’ baratos. A tensão é construída através do som: o atrito da terra, o eco das vozes que se tornam mais desesperadas e o silêncio opressor da superfície. Ao encurtar a duração para 88 minutos, o filme elimina as subtramas melodramáticas que pesavam na produção anterior, entregando uma narrativa mais enxuta e, por consequência, muito mais impactante.
O amadurecimento do ‘Saudi Thriller’
O sucesso de ‘From the Ashes: The Pit’ na Netflix reflete a maturidade da indústria saudita. Se antes o interesse era puramente exótico, agora o público consome essas obras pela competência técnica. O filme utiliza a dinâmica de grupo das jovens não apenas para gerar conflito, mas para explorar micro-nuances de uma sociedade em transição, onde a cooperação é a única ferramenta de sobrevivência — literal e figurada.
Comparado a outros lançamentos de janeiro de 2026, como o espanhol ‘Socorro!’, o longa saudita se destaca por não tentar emular a estética de Hollywood. Há uma crueza na fotografia, que evita filtros excessivamente saturados, preferindo uma paleta orgânica que acentua a sensação de sujeira e desespero das protagonistas.
Veredito: Vale o play?
Para quem busca um thriller que respeita a inteligência do espectador e não desperdiça tempo com exposições desnecessárias, a resposta é positiva. O filme funciona como uma porta de entrada ideal para o cinema do Oriente Médio moderno: é visceral, tecnicamente polido e emocionalmente honesto. Se o primeiro ‘From the Ashes’ mostrou que a Arábia Saudita podia produzir blockbusters, ‘The Pit’ prova que eles sabem como refinar o gênero para o público global.
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Perguntas Frequentes sobre ‘From the Ashes: The Pit’
‘From the Ashes: The Pit’ é uma continuação direta do filme de 2024?
Ele funciona como um spinoff temático. Embora compartilhe o universo e o estilo de suspense do filme original ‘From the Ashes’, ‘The Pit’ apresenta uma nova história e personagens, focando em um incidente isolado de sobrevivência.
O filme é baseado em fatos reais?
Diferente do primeiro filme, que foi inspirado por um incêndio real em uma escola, ‘The Pit’ é uma obra de ficção, embora utilize o realismo social saudita para fundamentar suas personagens e reações.
Qual é a classificação indicativa na Netflix?
O filme é classificado para maiores de 14 anos, devido a cenas de tensão psicológica intensa e situações de perigo iminente.
Onde o filme foi gravado?
A produção é integralmente saudita, utilizando locações na Arábia Saudita que reforçam a ambientação árida e isolada necessária para o gênero de sobrevivência.

