Fox McCloud em ‘Super Mario Galaxy’: o início do Universo Nintendo no cinema?

Fox McCloud aparece em ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ após 33 anos, marcando o possível início de um universo compartilhado Nintendo. Analisamos a estratégia por trás do crossover, os obstáculos de direitos e os riscos de repetir erros do MCU.

Trinta e três anos. Esse é o tempo que Fox McCloud esperou para chegar ao cinema. O protagonista de Star Fox, um dos jogos mais queridos do Super Nintendo, finalmente vai ganhar vida na tela grande — não em um filme solo, mas como personagem secundário em ‘Super Mario Galaxy: O Filme’. A notícia, anunciada pela conta oficial do longa no X, pode parecer apenas um Easter egg para fãs. Mas se você observar com atenção, perceberá algo maior: a Nintendo está testando as águas para o que pode se tornar o primeiro ‘universo compartilhado’ de games no cinema.

A comparação com a Marvel é inevitável — e a própria referência deixa isso claro. A produtora Illumination, responsável pelo sucesso de 2023, está claramente estudando como expandir sua franquia além do núcleo Mario. A pergunta que fica não é se isso vai acontecer, mas se a Nintendo consegue evitar os erros que o MCU cometeu na pressa de estabelecer seu universo.

Fox McCloud: fanservice ou teste para um universo compartilhado?

Para quem não viveu a era dos 16-bits, pode parecer estranho um raposo antropomórfico em uma nave espacial aparecer no mesmo universo de encanadores e cogumelos. Mas Star Fox sempre foi uma anomalia na biblioteca Nintendo: um jogo de nave com dublagem (algo raríssimo em 1993), personagens carismáticos e uma mitologia própria que nunca foi totalmente explorada fora dos games.

A presença de Fox McCloud em ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ funciona em dois níveis. Primeiro, como fanservice puro: o personagem tem histórico no crossover Super Smash Bros., então sua inclusão não quebra a lógica interna do universo Nintendo. Segundo, como teste de mercado: a Illumination está medindo o interesse do público antes de commitar com um filme solo de Star Fox.

É uma estratégia inteligente, se executada com cuidado. O problema é que ‘universo compartilhado’ virou a bola da vez em Hollywood — e nem sempre funciona.

A armadilha do ‘Nintendo MCU’: o que a Marvel ensinou (e o que a Nintendo deve evitar)

Quando a Marvel lançou Homem de Ferro em 2008, ninguém imaginava que cenas pós-crédito levariam a uma década de filmes interconectados. O MCU funcionou porque cada filme, inicialmente, existia por si só. A conectividade era um bônus, não o motivo principal.

A Nintendo precisa aprender essa lição. ‘Super Mario Bros. O Filme’ (2023) foi um sucesso comercial absurdo — mais de US$ 1 bilhão — mas criticamente foi recebido como um produto competente, não como uma obra memorável. O problema central: o filme priorizou referências sobre narrativa. Se a expansão do universo seguir o mesmo caminho, teremos uma série de filmes que funcionam como ‘parques temáticos de 90 minutos’ em vez de histórias com peso próprio.

Fox McCloud merece mais do que um cameo. O personagem carrega uma das mitologias mais ricas da Nintendo: uma equipe de mercenários espaciais, um arquinimigo complexo (Andross), e uma dinâmica de ‘família encontrada’ que poderia render um filme emocionante. Se ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ tratá-lo apenas como uma piada visual, será um desperdício.

Por que Zelda não vai aparecer no mesmo universo de Mario

Aqui as coisas ficam complicadas. Enquanto a Illumination tem os direitos de Mario, a Sony está desenvolvendo uma adaptação live-action de The Legend of Zelda para 2027. Isso significa que um ‘Nintendo MCU’ verdadeiramente integrado — no estilo Super Smash Bros. — esbarra em questões legais.

A Marvel conseguiu seu universo porque a Disney centralizou os direitos. A Nintendo, por outro lado, parece estar licenciando suas propriedades para estúdios diferentes. Isso não impossibilita crossovers (contratos podem ser renegociados), mas adiciona uma camada de complexidade que o MCU nunca enfrentou.

O mais provável? A Illumination construa seu próprio sub-universo com personagens Nintendo que ela controla: Mario, Donkey Kong (já introduzido no filme de 2023), e agora potencialmente Star Fox. Já a Sony seguiria com Zelda de forma isolada. O sonho de um Super Smash Bros. cinematográfico, por enquanto, permanece distante.

A adaptação de Star Fox que quase aconteceu em 2015

Não é a primeira vez que Fox McCloud quase chega à tela. Em 2015, Adam Conover, do programa Adam Ruins Everything, anunciou que o CollegeHumor estava desenvolvendo uma série em stop-motion baseada em Star Fox. O projeto foi cancelado um mês depois — provavelmente porque a Nintendo, notoriamente protetora de suas propriedades, não aprovou a abordagem.

Essa história ilustra algo importante: a Nintendo agora está pronta para expandir seus universos, mas nos próprios termos. A inclusão de Fox McCloud em ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ sugere que a empresa finalmente encontrou um parceiro (Illumination) que respeita sua visão — mesmo que isso significa um produto mais ‘seguro’ do que os fãs gostariam.

Depois de Star Fox: Metroid, Kirby e os próximos candidatos a filmes

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Se Fox McCloud gerar engajamento suficiente, as portas se abrem. A Nintendo tem um catálogo de franquias que faz qualquer estúdio salivar: Metroid (perfeito para sci-fi), Kirby (comédia animada), Animal Crossing (slice-of-life), Pikmin (aventura familiar), Splatoon (action para jovens). Cada uma poderia sustentar seu próprio filme.

O risco? A indústria já viu essa história antes. A Universal tentou criar um ‘Dark Universe’ com monstros clássicos e fracassou depois de um único filme (A Múmia, 2017). A DC correu para formar sua Liga da Justiça sem construir os personagens primeiro. O que separa o sucesso do fracasso não é a quantidade de propriedades — é a paciência para desenvolver cada uma.

A Nintendo tem as propriedades. A Illumination tem o dinheiro. A questão é se têm a paciência.

Veredito: motivo para otimismo cauteloso

Fox McCloud em ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ é um momento histórico para fãs de games — e um sinal de que a Nintendo finalmente entrou no jogo cinematográfico de forma séria. Mas o sucesso de um ‘Nintendo MCU’ não depende de cameos ou cenas pós-créditos. Depende de filmes que funcionem como histórias completas, não como trailers para o próximo produto.

Se a Illumination aprender com o MCU em seu auge — foco em personagens antes de conectividade — podemos estar no início de algo especial. Se repetir os erros da fase recente da Marvel — saturação e falta de propósito — teremos mais alguns bilhões de dólares em bilheteria, mas nenhum filme que alguém vai querer reassistir daqui a dez anos.

Eu vi ‘Super Mario Bros. O Filme’ no cinema em 2023. Saí entretido, mas não convencido de que a franquia tinha algo profundo a dizer. Com Fox McCloud chegando, a oportunidade de elevar o patamar está aí. Agora é esperar para ver se a Nintendo vai jogar no seguro ou se vai, finalmente, arriscar algo mais ambicioso.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Super Mario Galaxy: O Filme’

Quando estreia ‘Super Mario Galaxy: O Filme’?

A data oficial de estreia ainda não foi anunciada pela Illumination ou Nintendo. O filme está em produção e deve chegar para os cinemas até 2027.

Fox McCloud vai ter filme solo de Star Fox?

Não há confirmação oficial. A participação em ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ funciona como teste de mercado — se o engajamento for positivo, um filme solo de Star Fox se torna muito mais provável.

‘Super Mario Galaxy: O Filme’ é sequência direta do filme de 2023?

Sim. O longa continua a história iniciada em ‘Super Mario Bros. O Filme’ (2023), explorando o cenário espacial do jogo ‘Super Mario Galaxy’ original de 2007.

Quais outros personagens Nintendo podem ganhar filmes?

Metroid, Kirby, Animal Crossing, Pikmin e Splatoon são as franquias mais citadas como candidatas a adaptações. A escolha depende do desempenho de personagens como Fox McCloud e Donkey Kong em participações crossover.

Por que The Legend of Zelda não vai aparecer no universo de Mario?

Os direitos de Zelda pertencem à Sony, que está desenvolvendo uma adaptação live-action separada para 2027. A Illumination controla apenas Mario, Donkey Kong e potencialmente Star Fox.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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