Michael B. Jordan quer que a Fourth Wing série misture astros e novatos para reduzir a “bagagem” do público e proteger a imersão. Analisamos por que essa escolha pode evitar os tropeços de outras fantasias da Prime Video — e quando ela dá errado.
Quando Michael B. Jordan decidiu entrar como produtor executivo de ‘Fourth Wing’, a futura fantasia épica da Prime Video, ele poderia ter seguido o manual mais previsível do streaming: escalar um punhado de rostos incontornáveis, estampar o pôster e torcer para o hype carregar o resto. Em vez disso, Jordan está vendendo outra ideia — e ela é bem mais difícil de executar: misturar nomes conhecidos com novatos para proteger o que fantasia tem de mais frágil e mais valioso, a imersão.
Por enquanto, a Fourth Wing série segue sem data de estreia e ainda não anunciou elenco. Mas a conversa já começou pelo lugar certo: não “quem vai fazer”, e sim por que certas escolhas de elenco ajudam (ou sabotam) a história. A trama adapta os romances de Rebecca Yarros, centrados em Violet Sorrengail, forçada a sobreviver a uma academia militar brutal para cavaleiros de dragões — um tipo de narrativa que pode ser viciante quando os personagens parecem gente de verdade, e um desastre quando tudo soa como cosplay caro.
Por que Jordan está fugindo do elenco “óbvio”
Em entrevistas recentes, Jordan foi explícito: ele não quer “escolhas óbvias” para ‘Fourth Wing’. O plano é um equilíbrio entre atores com nome e rostos novos — e o argumento é mais prático do que filosófico: minimizar a “bagagem” que celebridades trazem para personagens que ainda precisam existir na imaginação do público.
O raciocínio é simples e brutalmente verdadeiro para fantasia. Quando o espectador reconhece demais o ator, ele entra na cena com um atalho mental pronto: “ah, é o fulano fazendo o papel de…”. E isso corta a magia pela raiz. Em vez de ver Violet, você vê uma estrela “vestida de Violet”. Num drama urbano isso pode ser tolerável; numa saga de dragões, vira ruído.
O próprio Jordan resumiu a intenção como uma tentativa de deixar o público se apaixonar “sem nenhuma bagagem, sem projetar seus próprios sentimentos sobre certos elencos”. E também cravou um compromisso que, se virar realidade, já é meio caminho andado para evitar a cara genérica de fantasia de catálogo: “Não vai ser nada cafona… acho que vai ser algo que parece honesto.” Aqui, “honesto” não é adjetivo bonito: é promessa de tom. Fantasia fracassa quando parece que o elenco não acredita no mundo que está vendendo.
O modelo que dá certo: veteranos ancoram, novatos dão frescor
A estratégia não é nova — ela é a versão pragmática de uma fórmula que costuma funcionar quando o objetivo é construir mundo sem perder o público no caminho.
Em ‘Harry Potter’ (2001), a presença de Alan Rickman, Maggie Smith, Robbie Coltrane e Richard Harris fez o espectador aceitar Hogwarts como um lugar com gravidade dramática. Isso abriu espaço para que Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint — crianças sem “histórico” para competir com os personagens — crescessem diante da câmera sem que a franquia parecesse um experimento.
‘Game of Thrones’ também entendeu isso cedo: Sean Bean e Mark Addy funcionaram como porta de entrada de credibilidade; Lena Headey e Peter Dinklage davam densidade; e, ao lado deles, vários nomes ainda em formação ganharam terreno sem parecer “elenco de evento”. O resultado foi uma sensação rara: um mundo populado por pessoas, não por celebridades em excursão.
O erro que a Prime Video não pode repetir
O subtexto aqui é evidente: a Prime Video já pagou caro por decisões que não “seguram” o espectador nos primeiros episódios. E, goste-se ou não do resultado final, ‘The Lord of the Rings: The Rings of Power’ é um exemplo útil para entender o risco de escalação.
Uma produção gigantesca com muitos rostos pouco familiares pode exigir mais tempo de adaptação do público — e streaming raramente dá esse tempo. Sem uma âncora imediata (um nome ou uma presença que estabilize o tom), parte da audiência desiste antes de a série provar por que aquele mundo importa. Não é uma crítica ao talento do elenco; é uma leitura de comportamento de consumo em 2026: o espectador “testa” a série em minutos, não em episódios.
Existe, claro, o risco oposto: escalar só gente grande e esperar que o carisma tape buracos. Isso costuma gerar uma fantasia com cara de vitrine — performances competindo entre si, energia de “evento” que não se converte em intimidade. Quando Jordan fala em evitar algo “cafona”, ele está mirando também essa armadilha: o estrelato como muleta.
O que essa escolha diz sobre a ‘Fourth Wing’ (e para quem ela pode funcionar)
O ponto mais promissor da fala de Jordan é que ela reconhece uma verdade que muita adaptação ignora: em fantasia, o CGI não compra envolvimento. O envolvimento vem quando a série convence você a se importar com pessoas dentro do absurdo — e isso depende de casting, direção e química, mais do que de orçamento.
Um elenco misto tende a ajudar nisso: veteranos trazem técnica e presença para “assentar” o mundo; novatos chegam sem a camada de reconhecimento que estraga a suspensão de descrença. Se a Fourth Wing série for bem dirigida, essa combinação pode fazer Violet e seu entorno parecerem menos “produto” e mais “história”.
Mas vale o alerta: boa intenção não escala dragão. Um elenco equilibrado, com texto fraco ou direção indecisa, continua sendo um desperdício. Ainda assim, é um sinal encorajador que a conversa inicial não esteja presa a “quem é famoso o bastante” — e sim a como evitar que o espectador veja a máquina por trás do espetáculo. Se der certo, a maior vitória de Jordan talvez seja justamente a mais invisível: fazer você esquecer o elenco e acreditar no mundo.
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Perguntas Frequentes sobre a ‘Fourth Wing’ (série)
A ‘Fourth Wing’ vai ser uma série da Prime Video?
Sim. ‘Fourth Wing’ está em desenvolvimento como série para a Prime Video, com Michael B. Jordan envolvido como produtor executivo.
A série ‘Fourth Wing’ já tem data de estreia?
Não. Até o momento, a Prime Video ainda não divulgou uma data de estreia oficial para a adaptação de ‘Fourth Wing’.
Quem é a protagonista de ‘Fourth Wing’?
A história acompanha Violet Sorrengail, uma jovem que precisa enfrentar o treinamento brutal de uma academia militar para cavaleiros de dragões.
A ‘Fourth Wing’ é baseada em livro?
Sim. A série adapta os romances de fantasia de Rebecca Yarros, que viraram best-sellers e popularizaram a saga de Violet e seu universo de dragões.
Michael B. Jordan vai atuar em ‘Fourth Wing’?
Até agora, o envolvimento confirmado é nos bastidores, como produtor executivo. Não há anúncio oficial de que ele esteja no elenco.

